
Três envolvidos já estão na unidade prisional
Depois de prender o suposto mandante do homicídio de Carlos Alberto Pacheco Videira Filho, 29 anos, encontrado morto com um tiro nas costas em uma estrada vicinal no Bairro Náutico, Zona Norte, no último dia 20, a Polícia Civil capturou mais dois homens apontados como executor e cúmplice do assassinato. Com isso, o delegado à frente do caso, Armando Avolio Neto, acredita ter elucidado o crime, que teve grande repercussão na cidade. Segundo ele, o comerciante, 31, suspeito de ter planejado a morte por causa de uma dívida de R$ 18 mil, também estaria presente no momento da execução. Desde a porta da casa dele, no Centro, onde a vítima teria sido rendida em seu próprio Golf preto, por volta das 23h40, o mandante teria acompanhado o matador até o local ermo e dado ordens para o disparo fatal. O trio de suspeitos está no Ceresp, mediante mandados de prisão temporária, e foi apresentado à imprensa na manhã desta terça-feira (12) na sede da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), no Bairro Nova Era, Zona Norte.
A última prisão aconteceu na sexta-feira, quando um jovem, 19, morador da Vila Esperança II, Zona Norte, foi conduzido à 3ª Delegacia para prestar esclarecimentos sobre o homicídio. Conforme o delegado, ele confessou ter matado Carlos Alberto, conhecido como Betão, com um tiro. A arma usada no crime, um revólver calibre 38, teria sido fornecida por um homem, 32, que já havia sido preso uma semana antes do depoimento por suspeita de envolvimento no assassinato. Morador da Cidade do Sol, Zona Norte, o suposto cúmplice ainda teria ficado em poder do carro da vítima. O Golf preto, ano 2009, modelo Sportline, foi apreendido pela Polícia Militar cinco dias após o crime depois de ter sido localizado estacionado no mesmo bairro e perto da casa em que o suspeito mora. Já a arma usada na ação criminosa ainda não foi localizada.
De acordo com o delegado Armando, esse mesmo homem que teria participado do planejamento do homicídio é quem teria feito a ligação entre o mandante e o executor. O suspeito de ter "encomendado" a morte de Betão foi o primeiro a ser detido, menos de uma semana após o homicídio, e teve a prisão temporária decretada por suspeita de ser o mentor intelectual do assassinato. A motivação para o crime, de acordo com o delegado, seria a dívida de R$ 18 mil, que teria sido adquirida pelo comerciante, em agosto de 2012, por meio de empréstimo. A vítima, conforme apontaram as investigações, atuaria com agiotagem.
"Fizemos um trabalho de inteligência, junto com a PM e a sociedade. Desde que o corpo foi achado, sabíamos que se tratava de uma execução, e apuramos que a vítima emprestava dinheiro. Descobrimos notas promissórias e obtivemos depoimento de testemunhas que viram o mandante junto com o executor levando a vítima. Conseguimos ligar os envolvidos, que acabaram se contradizendo. O homem que atirou confessou ter agido a mando do comerciante", explicou o delegado.
Ao ser ouvido na delegacia na tarde seguinte ao homicídio, o comerciante havia dito que Carlos Alberto tinha ido até sua residência na noite anterior para conversarem sobre o carnaval. Ele teria confirmado aos policiais ter tido uma dívida com a vítima, mas afirmou que já havia sido quitada. No entanto, a polícia encontrou, no quarto de Betão, duas notas promissórias em nome do suposto mandante, nos valores de R$ 12 mil e R$ 6 mil.
‘O combinado era dar um susto na vítima’
Carlos Alberto Pacheco Videira Filho, o Betão, 29 anos, perdeu a vida com um tiro no lado esquerdo das costas, que atingiu seu coração. Segundo o delegado Armando Avolio Neto, ele teria sido executado quando já estava do lado de seu veículo Golf. "O executor disse que o combinado era dar um susto na vítima. Quando chegaram ao local, porém, o comerciante ficou perguntando se ele iria amarelar, que a vítima era agiota e poderia matá-lo depois." O delegado acredita que os ferimentos sofridos por Carlos Alberto, principalmente nos joelhos e no rosto, teriam sido causados por uma tentativa da própria vítima de se arrastar, após ser baleada.
Conforme Armando, o suposto partícipe não confessou ter fornecido a arma usada no crime. "Soubemos que ele estava com o carro da vítima, mas ele alegou que os outros dois é que estavam combinando e deixaram ele de fora. Já o executor contou que o mandante havia prometido o Golf como pagamento e que iria regularizar o veículo, com o nome dele, em São Paulo." Ainda de acordo com o delegado, um boné e um casaco brancos descritos por testemunhas como as vestes do matador foram apreendidos na casa do suspeito de execução. Segundo o policial, o suposto mandante é o único dos presos que não confessou qualquer participação no crime. "Não sabemos se a vítima chegou a descer do carro na porta da casa do mandante, mas ele já estaria presente quando o executor abordou a vítima com um revólver, que teria sido fornecido pelo partícipe na mesma noite." Objetos pessoais da vítima, como carteira com documentos e celular, desapareceram na ocasião do homicídio.
Com quase 200 páginas, o inquérito deve ser concluído nos próximos dias, e o delegado pretende encaminhá-lo à Justiça. Ele adiantou que os três suspeitos serão indiciados por homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de reclusão. Ele também disse que vai representar pela prisão preventiva do trio, que está preso temporariamente. "A apuração desse crime não vai diminuir a dor dessa família, mas leva sensação de justiça para a sociedade e de dever cumprido para a polícia", concluiu Armando.
Polícia garante reforço em investigações
O chefe do 4º Departamento de Polícia Civil, delegado geral Rogério de Melo Franco Assis Araújo, informou nesta terça que vai reforçar a equipe responsável pela investigação de homicídios em Juiz de Fora, já que a modalidade criminosa vem aumentando de forma assustadora. Até esta terça, 32 pessoas haviam perdido a vida este ano em decorrência de ações violentas. O número é mais de três vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2012, quando nove vítimas foram assassinadas. "Estive na formatura de 429 delegados em Belo Horizonte, e todas as comarcas vão ser beneficiadas. Ainda não saíram as designações, mas nossa expectativa é de que cerca de 20 deles venham trabalhar no 4º Departamento, que atende a 86 cidades. Certamente, alguns virão para Juiz de Fora, e vou colocar mais delegado na 3ª Delegacia (Zona Norte)", garantiu.
Ainda segundo Rogério, a equipe atual já está empenhada nos casos. "É nossa prioridade a questão de homicídio e narcotráfico. A grande maioria dos assassinatos é por motivos fúteis. Há banalização da violência e falta de valor à vida humana. Compete-nos submeter os autores ao cárcere, para que possam refletir sobre essa ato repulsivo. Nossa taxa de elucidação de homicídios chega a 80%, mas temos constante preocupação com esse aumento e trabalhamos para identificar as causas."
O chefe destacou a investigação do homicídio de Carlos Alberto Pacheco Videira Filho, que resultou na prisão de três suspeitos. "Tivemos mais um homicídio elucidado. Isso já é uma demonstração do nosso reforço, pois o delegado Armando (Avolio Neto) foi lotado no dia 12 de fevereiro." Ele ressaltou a repercussão que o caso teve. "Foi um crime bárbaro que ceifou a vida de um jovem de maneira torpe."

