
Posto da PM deve ser inaugurado no próximo dia 24
Os constantes enfrentamentos de grupos rivais na Praça Jeremias Garcia, no Bairro Benfica, Zona Norte, afugentam a comunidade do espaço de lazer. Gangues têm dominado a área, utilizando garrafas, facas e armas de fogo contra os grupos rivais, transformando a área em campo de batalha. Moradores e comerciantes do entorno se sentem amedrontados. De acordo com eles, a violência pode ser constatada, principalmente, nas madrugadas dos fins de semana. São casos de tentativas de homicídio, brigas, vandalismo e correria que assustam os residentes e frequentadores de estabelecimentos que existem ao redor. Desavenças desencadeadas nos bairros da região estariam desembocando na praça em forma de conflitos. Diante deste cenário, a população cobra a implantação do projeto "Ambiente de Paz", realizado em parceria entre a Prefeitura e a Polícia Militar e prometido para a área desde 2010. Na praça, existe um imóvel em construção, para abrigar a base territorial da PM, que começou a ser erguida em setembro de 2011 e ficaria pronta em três meses, o que não aconteceu. A Prefeitura garante que a unidade será inaugurada próximo dia 24.
Na visita da Tribuna ao local, a funcionária de um estabelecimento comercial, de 33 anos, contou que já havia assistido a diversas atos violentos envolvendo adolescentes. "Um dia, quando estava trabalhando, ouvi o barulho de um tiro e, de repente, vi todo mundo correndo. Muitas pessoas entraram na loja para se esconder da confusão", relata a mulher, que também presenciou o episódio em que um rapaz foi agredido a garrafadas por um grupo de cinco rapazes. "O menino que era a vítima levou diversos golpes de garrafa, sem poder se defender. Ele só escapou do pior porque conseguiu se desvencilhar do grupo e correu. A vítima atravessou a Avenida JK e a linha férrea e, como passou um trem em seguida, seus perseguidores desistiram de pegá-lo", contou a funcionária. Para ela, a segurança precisa ser aumentada. "O policiamento é muito deficitário."
A dona de uma lanchonete, 40, também reclama da insegurança. Ela diz ter observado uma gangue de meninos, com cerca de 12 anos de idade, que estaria ameaçando e intimidando pessoas com garrafas quebradas. "Era um bando que nunca tinha visto por aqui. Parece que vieram por causa de uma rixa com outro grupo. As pessoas ficaram amedrontadas com as atitudes desses garotos", disse a comerciante, enfatizando que brigas são constantes no local. O fato, ela aponta, estaria prejudicando a imagem da área que concentra diversos bares e é ponto de encontro da juventude.
Uma leitora procurou a Tribuna para denunciar o que ela tem observado da janela do seu apartamento. "Todo fim de semana é a mesma coisa, só o que se vê é a violência na rua, vandalismo, viciados pedindo dinheiro e os moradores com medo. Aqui mesmo na esquina do meu prédio, há 20 dias, um homem quase foi morto, porque levou uma facada no pescoço. Uma cena horrível! Pude ver da janela as marcas de sangue no asfalto. Mais recentemente uma briga entre gangues causou medo em muita gente que estava frequentando a praça. Foi garrafa para todo lado, e pessoas correndo. Policiamento tem sim, durante o dia, com vários policiais multando carros e andando em bicicletas, mas, à noite, quando as coisas acontecem, é outra história", reclama a moradora.
‘Espaço precisa ser devolvido às famílias’
A situação de insegurança na Praça Jeremias Garcia não é recente. No final de 2010, uma briga entre jovens terminou em quebradeira em um bar e deixou pelo menos quatro feridos. A violência revoltou comerciantes da área, que cobraram mais segurança e policiamento. Na época, um adolescente, 16 anos, e uma mulher, 19, caminhavam pelo bairro quando foram perseguidos por mais de dez pessoas. O grupo agrediu o casal a socos e chutes, e as vítimas tentaram se esconder no estabelecimento ao lado da praça. Os agressores invadiram o bar e usaram garrafas, copos, mesas e cadeiras como armas. Trabalhando há 11 anos na praça, um senhor, de 57 anos, lembra-se desse episódio. "De lá para cá, as coisas não mudaram muito. Outro dia presenciei uma briga entre meninos da Vila Esperança e da Ponte Preta. Um tiro foi disparado e acertou um carro. Quando isso acontece, há correria. Já cheguei a proteger crianças debaixo de uma cama elástica na praça, para que não fossem atropeladas pela multidão", contou o homem, que prosseguiu: "A praça é o coração de Benfica, e muitas famílias têm deixado de vir para cá, principalmente à noite. É muita insegurança."
A atendente de um bar, 30, reclama dos assaltos a pedestres e a estabelecimentos comerciais. Segundo ela, as mulheres temem andar sozinhas pela área. Já um comerciante, 47, reivindica: "Precisamos de uma presença real da polícia. Só vir na hora que é chamada não adianta." De acordo com a presidente da Associação de Moradores do Bairro Benfica (AMBB), Regina Pereira, a praça virou ponto de encontro para gangues que vêm de outros bairros. "Eles se reúnem no local e, consequentemente, ocorrem brigas. Ao meu ver, a praça precisa ser recuperada como um todo, devolvendo o espaço às famílias."
Expectativa por abertura de base da PM
A demora no funcionamento da base territorial da PM na Praça Jeremias Garcia é alvo de crítica de moradores. "A construção da alvenaria está parada. A obra atrapalhou a praça e o comércio. Começaram a construir e não terminam. Fizeram um negócio horrível", apontou um residente. Outra moradora deposita esperança no início dos trabalhos da polícia no local. "Com a unidade da PM, acredito que o problema de violência tende a diminuir. Só é preciso que seja inaugurado o mais rápido possível." Conforme consta na placa, que, atualmente, serve para impedir o acesso de estranhos ao imóvel, a construção da base territorial da PM teve início em 1º de setembro de 2011, com valor estimado em R$ 96.910,51, e prazo de término para três meses. Além desta base, outra está sendo construída na Praça Manoel Nunes, no Santa Cruz, também na Zona Norte. Ambas fazem parte do programa "Ambiente de Paz", parceria entre Prefeitura e PM anunciada em setembro de 2010, para abranger ações multissetoriais direcionadas à redução da criminalidade e ao aumento da sensação de segurança da população. O programa previa a construção de três bases territoriais de referência para a PM. Além de Benfica e Santa Cruz, estava prevista uma base na Vila Olavo Costa, região Sudeste. Outros postos seriam implantados posteriormente nos bairros São Benedito, na Zona Leste, e Grama, na região Nordeste.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Obras informou que a obra em Benfica está na etapa final, com a realização de pequenos acabamentos e instalação de rede elétrica e de água, além de melhorias no entorno, como intervenção na iluminação. Ainda como aponta a pasta, a inauguração está prevista para o próximo dia 24. Já segundo o capitão Rubens Valério, comandante da 173ª Companhia da PM, o imóvel será ocupado com policiamento 24 horas e haverá implemento de novas viaturas e aumento de efetivo, para abranger um território maior. Entretanto, o número de policiais que será empregado na base ainda está em estudo. "Não será um posto policial, mas um setor da PM na Zona Norte, com foco não só na praça, mas em todos os bairros daquela região." Quanto ao policiamento atual, o capitão afirma ser constante e concentrado, principalmente nos fins de semana, o que vem contribuindo para redução de crimes no local. Segundo ele, em 2010, foram geradas 52 ocorrências nas imediações da praça. Enquanto que, em 2011, totalizaram 23 casos, representando uma redução de 55,76%. Os dados deste ano, não foram divulgados. "A 173ª Cia da PM tem canal aberto com a população por meio do disque 181, onde as pessoas podem denunciar sem ter medo."
Investigação
De acordo com a delegada titular da 3ª Delegacia Distrital, Sheila Oliveira, responsável pela investigação de crimes na Zona Norte, "em todos os casos em que há participação de maiores de idade e representação da vítima são abertos inquéritos. Já os que têm participação de adolescentes, independentemente de representação, são encaminhados à Vara da Infância e Juventude". Ela orienta a necessidade de a população procurar a delegacia, a fim de que seja feita, pelo menos, a identificação dos menores de idade. "Nas ocorrências envolvendo gangues, a maioria dos participantes é de adolescentes. Quando a polícia chega, eles dispersam, e, muitas vezes, não há detenção de nenhum. Por isso é necessário a identificação deles, para que possamos providenciar o encaminhamento à Vara da Infância e Juventude."

