
Um juiz-forano aparece na lista do seleto grupo de 104 participantes que obtiveram a nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em um universo de 5,8 milhões de candidatos. Mas o mérito não caiu do céu. José Miguel Zanetti Trigueros, 17 anos, conta que estudou muito para conseguir uma boa nota. “Antes do exame, eu fazia uma redação por semana.” Mesmo sabendo que havia feito uma boa redação, o aluno do Colégio Academia ficou surpreso quando viu a nota mil na tela do computador. Segundo ele, o que diferenciou o seu texto dos demais foi a utilização de muitos exemplos. “Eu citei leis que garantem a segurança das mulheres. Também falei do turismo sexual que é muito praticado aqui no Brasil e do medo que as mulheres têm em denunciar seus parceiros.”
O estudante conta que sempre foi melhor nas disciplinas da área de exatas, deixando um pouco a desejar no português. Por isso optou por se dedicar à redação em seus estudos para o Enem. Conforme a coordenadora de Língua Portuguesa e Produção Textual do Colégio Academia, Érika Vullu, foi visível o crescimento de José Miguel na redação. “Nas primeiras redações do ano passado, ele começou com notas medianas. Ele foi treinando, fazendo a oficina de redação do colégio, procurando apoio nos plantões de dúvidas. Na última redação do ano, antes do Enem, ele tirou uma nota excelente.” A coordenadora avalia que, para escrever uma boa redação, o aluno precisa ter o hábito da leitura e praticar a escrita. “O José Miguel sempre teve o hábito da leitura, principalmente voltada para o lado da informação, lendo revistas e jornais, e praticou muito a escrita para o exame.”
José Miguel já fez sua inscrição no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e pretende cursar engenharia elétrica. Ele também irá realizar a prova do Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism) da UFJF, que será aplicada no próximo domingo e segunda-feira. “Após tirar esta nota na redação, vou chegar mais confiante para fazer as provas do Pism.”
Confira trecho da redação de José Miguel:
Por um basta na violência contra a mulher
A violência contra a mulher no Brasil ainda é grande. Entretanto, deve haver uma distinção entre casos gerais (que ocorrem independentemente do sexo da vítima) e casos específicos. Os níveis de homicídios, assaltos, sequestros e agressões são altos, portanto, o número de mulheres atingidas por esse índice também é grande. Em casos em que a mulher é vítima devido ao seu gênero, como estupros, abusos sexuais e agressões domésticas, as Leis Maria da Penha e do Feminicídio aliadas à Delegacia da Mulher e Ligue 180 são meios de diminuir esses casos.
O sistema de segurança no Brasil é falho. Como a violência é alta e existe uma enorme burocracia, os casos denunciados e julgados são pequenos. Além do mais, muitas mulheres têm medo de seus companheiros ou dependem financeiramente deles, não contando as agressões que sofrem. Dessa forma, mais criminosos ficam livres e mais mulheres se tornam vítimas.
Alguns privilégios são necessários para garantir a integridade física e moral da vítima, como a Lei Maria da Penha, que é um marco para a igualdade de gênero e serve de amparo para todo tipo de violência doméstica e já analisou mais de 300 mil casos. Há também medidas que contribuem para reduzir assédios sexuais e estupros, como a criação do vagão feminino em São Paulo e a permissão para que ônibus parem em qualquer lugar durante a noite, desde que isso seja solicitado por uma mulher.
Também são alarmantes os casos que envolvem turismo sexual. Durante a Copa do Mundo de 2014, houve um grande fluxo de estrangeiros para o Brasil. Muitos vêm apenas para se relacionar com as mulheres brasileiras, algo ilegal.
