A demora no atendimento nas unidades de urgência e emergência do SUS tem levado os usuários a agir de forma violenta contra os funcionários dos estabelecimentos. Somente no último sábado, duas unidades tiveram os vidros da recepção quebrados por populares revoltados com a longa espera. Segundo a ouvidora Regional de Saúde, Samantha Borchear, no ano passado, algumas queixas foram registradas por servidores de saúde sobre atitudes agressivas por parte dos pacientes. “Já chegamos até a pedir suporte da Guarda Municipal. Na maior parte dos casos, os servidores não tinham culpa, são situações de falta de consulta e de medicamentos.”
Nas primeiras horas do último sábado, um usuário da Regional Leste quebrou os vidros da recepção em um acesso de raiva pela demora no atendimento. Já na tarde do mesmo dia, outro paciente que aguardava atendimento psiquiátrico no Hospital de Pronto Socorro (HPS) se revoltou ao ser informado que teria que esperar cerca de 45 minutos para ser atendido. Ele também quebrou um vidro da recepção. Os estilhaços chegaram a ferir funcionários da unidade. A Polícia Militar foi acionada, e os atendimentos suspensos por 40 minutos.
Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu-JF), Amarildo Romanazzi, o principal causador dessas reações extremas é a “falta de compromisso do Município com a assistência à população”. “A pessoa está passando mal ou com algum parente passando mal, procura o serviço público, e este nunca está apto a atender sua demanda. Muitas vezes, acontece de um médico estar escalado e, por algum motivo, não pode ir. E não há outro profissional de sobreaviso para cobrir.” O presidente informou que foi enviado comunicado à Prefeitura sobre a possibilidade de aumentar o volume de guardas nas unidades. O presidente do Sindicato dos Médicos, Gilson Salomão, também disse que irá se reportar à Secretaria de Saúde exigindo garantia de segurança para que “os profissionais possam exercer suas atividades com tranquilidade”.
O secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, enfatizou que fará com que esses usuários sejam responsabilizados pelos danos causados. “Essa é a melhor medida educativa que podemos fazer para inibir esse tipo de reação.” Quando questionado sobre a demora nos atendimentos e a frequente falta de especialistas, o secretário alegou que os episódios do final de semana não têm relação com esses problemas. “No caso do HPS, o paciente estava esperando há 15 minutos. Numa unidade de urgência e emergência, quando o caso não é de cor laranja, uma espera de 15 minutos está em ótima situação.”
Demora frequente
Ontem, no início da noite, a Tribuna esteve na Regional Leste e conversou com pacientes. Uma jovem de 18 anos disse que aguardou cerca de quatro horas para ser atendida. “Se não for calma, perde a cabeça mesmo. Tem muita gente que está lá passando mal, esperando para consultar.” Outra paciente, 22 anos, afirmou que estava com muita dor na perna e, por isso, não conseguia se sentar. Ela aguardava há uma hora, mas não sabia se conseguiria esperar por muito mais tempo. “Pior é esperar e não ter resultado.” A jovem contou que outras pessoas estavam há seis horas no local. A ouvidora Samantha lembra aos usuários que há outras formas de protestar. “Não justifica agredir funcionários, quem está na ponta. Tem que reclamar com os governantes, que são os verdadeiros responsáveis.”
Outros casos
No ano passado, no dia 25 de junho, uma usuária chegou a agredir um funcionário, ao ser informada que o médico não iria atender naquele dia, na Unidade de atenção primária à saúde (Uaps) do Bairro Monte Castelo, Zona Norte. Três dias depois, parentes de um paciente idoso que esperava sentado transferência para hospital há sete horas arremessaram um paralelepípedo em uma das portas de vidro da UPA de Santa Luzia, região Sul.
