
Além do chapéu, pedestre protege o rosto diante do sol escaldante
Sombrinha e picolé para tentar refrescar no dia mais quente do ano
Juiz de Fora apresenta, nestes primeiros dias de janeiro, a média das temperaturas máximas 5,3 graus acima do normal. Enquanto a média histórica é de 25,9 neste mês, a atual está em 31,2. Ontem os termômetros chegaram a 33,7 graus, dia mais quente do ano. Em 1º de janeiro, já havia feito 33,6 graus. Estas duas temperaturas dão uma mostra do que o juiz-forano tem passado neste verão. As duas são superiores aos 33 graus feitos em 13 de janeiro de 1987, ou seja há 27 anos, de acordo com o 5º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Outra situação atípica é o baixo volume de chuvas. As precipitações estão aquém do esperado, sendo que, até o momento, ou seja quase a metade do mês, o acumulado é de 47 milímetros, o que corresponde a somente 15,7% dos 299,8 milímetros aguardados para o período. O pior é que, ao longo de toda a semana, o tempo deverá permanecer estável, com termômetros chegando aos 34 graus e registros de baixa umidade relativa do ar. Ontem o índice chegou a 34%, sendo que abaixo dos 30% já é considerado estado de atenção pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Felizmente, devido à concentração de baixa umidade, a sensação térmica é praticamente nula.
Conforme o meteorologista Luiz Ladeia, hoje completam sete dias sem precipitações em Juiz de Fora, o que já caracteriza um veranico, que é longo período de estiagem nos meses chuvosos. Ele explica que o município, nos últimos dias, está na influência de uma forte massa de ar seco e quente, o que não é comum nesta época, sendo comumente observado com mais frequência no inverno. É ela que impede a formação de nuvens de chuvas, derruba a umidade relativa do ar e provoca altas temperaturas.
Esta situação, ainda de acordo com Ladeia, é provocada pela intensificação do fenômeno meteorológico El Niño. “Ele está dando sinais de fortalecimento, principalmente porque já observamos aumento do volume de chuvas no Sul e redução no restante do continente”, informou. O El Niño é causado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico nas proximidades com a Linha do Equador, causando efeitos no tempo em todo o planeta. Segundo definição do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), com as águas mais quentes, as correntes de ventos ficam enfraquecidas e mudam os padrões de transporte de umidade do oceano em direção ao continente. É por isso que a distribuição de chuva fica alterada, principalmente nas regiões tropicais. No Brasil, segundo Ladeia, o El Niño está impedindo que massas de ar úmido originadas da Bolívia cheguem à região Sudeste, onde deveriam se encontrar com as frentes frias.
Rodízio no abastecimento
Apesar da atipicidade no volume de chuvas, a Cesama ainda não definiu se manterá o rodízio do fornecimento de água em fevereiro. Segundo a companhia, uma nova avaliação será feita no fim deste mês, quando serão analisadas as situações dos mananciais que abastecem o município. Ontem a Represa de João Penido estava com 33% de sua capacidade de armazenar água, sendo que, em anos normais, estaria cheia e até eliminando água. A recém-inaugurada Chapéu D’Uvas, 11 vezes maior que João Penido, tem 41%, e São Pedro, 92%. Esta última, porém, é pequena e atende a parte da Cidade Alta, o que corresponde a 8% da população juiz-forana.

