Cerca de 20% das meninas entre 11 e 13 anos que tomaram a primeira dose da vacina contra o papiloma vírus humano (HPV) ainda não receberam a segunda dose. A enfermeira do Setor de Imunização da Secretaria de Saúde, Mariana Braga, explica que não respeitar o intervalo estipulado entre uma dose e outra pode acarretar em uma proteção ineficaz. “Os intervalos são determinados por meio de estudos para que se tenha a maior produção de anticorpos possível. Mas a menina não perde totalmente a imunidade se passar um pouco do prazo.” A vacina garante proteção contra o câncer do colo do útero, terceiro tumor mais frequente na população feminina e terceira causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.
Equipes de saúde continuam disponibilizando as doses nas escolas da cidade, porém, a enfermeira conta que ainda há muita resistência. “Tem escolas que a gente vai, mas os pais não autorizaram os filhos a serem vacinados. As polêmicas sobre possíveis efeitos colaterais da vacina, que não foram comprovados, tiveram um impacto negativo na campanha.”
Em Juiz de Fora, 82% das adolescentes dentro da faixa etária receberam a primeira dose, já a segunda foi aplicada em 60,38% do público-alvo. “A vacina já está no calendário, qualquer menina que procurar uma unidade de atenção primária à saúde (Uaps) irá receber a imunização, inclusive a primeira dose.” Mariana explica que a primeira etapa será aplicada até o final do ano, em meninas de 11 a 13 anos. A partir do ano que vem, as adolescentes entre 9 e 11 anos poderão receber as doses. A segunda dose deve ser aplicada seis meses após a primeira imunização. Já a última dose, cinco anos após a primeira.
