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Tumulto em protesto por serviço de saúde no Grama

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Uma manifestação em defesa da manutenção do atendimento de porta no Hospital Regional Doutor João Penido, no Grama, Zona Nordeste, acabou no fechamento de um dos acessos à cidade, confusão no trânsito, brigas e, supostamente, disparos de arma de fogo na tarde de ontem. Pelo menos oito viaturas policiais foram mobilizadas para conter o tumulto, e algumas pessoas saíram feridas devido às pedras arremessadas e agressões.

O ato público, promovido pela Associação de Moradores (SPM) do Grama, reuniu em torno de cem manifestantes. Por volta das 15h30, o grupo se concentrou na Praça Áureo Carneiro, no bairro, e seguiu para o hospital, com cartazes e alto-falantes. Conforme a presidente da SPM, Fabiana Alvim, na porta da instituição, eles foram informados de que nenhum responsável poderia atendê-los. Em protesto, o grupo tentou evitar a saída de funcionários da unidade, mas a PM, que acompanhava a ação, liberou o portão.

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Os manifestantes então decidiram fechar a Avenida Juiz de Fora, cujo traçado coincide com a MG-353, que dá acesso a cidades vizinhas. Eles exigiam a presença de um representante do hospital ou da Prefeitura que se posicionasse sobre a situação. “Eu não aguento mais ver todo dia alguém morrendo no caminho entre Grama e algum hospital, quando temos uma unidade de saúde aqui que não funciona”, disparou Fabiana.

Em entrevista à Tribuna, o secretário de Saúde de Juiz de Fora, José Laerte Barbosa, esclareceu que o fechamento do serviço foi necessário para viabilizar uma reforma no CTI da unidade e instalação de 11 novos leitos. “O único local no qual era possível adaptar os leitos de tratamento intensivo durante as obras era a sala de consultas. Entre interditar CTIs ou o pronto atendimento, optei por suspender as consultas até o fim da reforma e ampliação.” Segundo ele, a previsão é de que as obras sejam encerradas em novembro. Sobre a ausência de autoridades do Executivo na manifestação, José Laerte informou que a secretária-adjunta de Saúde, Maria Aparecida Baeta, esteve no local às 15h, mas, “como os manifestantes demoraram a chegar, ela teve que ir embora devido a outros compromissos”. O secretário se colocou à disposição para uma reunião com os moradores na segunda-feira.

Já o diretor do João Penido, Márcio Itaboray, explicou que o hospital nunca teve atendimento de urgência e emergência, como alguns moradores chegaram a informar. “Quando foi definida a nova rede do Samu na região, a Secretaria de Saúde não nos incluiu neste atendimento de porta. Na verdade, sempre acolhemos os pacientes de forma voluntária, afinal, o hospital é do Estado. Não era algo compactuado com a Prefeitura. Para atender urgência e emergência, precisaríamos nos adequar para fazer cirurgias ortopédicas e neurológicas, por exemplo. O pronto atendimento é diferente disso porque são demandas de baixa complexidade.”

Questionado sobre os motivos para não ir até a porta conversar com os manifestantes, Márcio disse que não houve solicitação de audiência à direção. “Fomos pegos de surpresa com esta manifestação. Minha única iniciativa foi pedir reforço à polícia para que eles não entrassem. São 237 leitos com pessoas doentes que precisam de repouso.”

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Barreira furada dá início à confusão

Sem um posicionamento oficial das autoridades de saúde e com os ânimos exaltados, os manifestantes fecharam a Avenida Juiz de Fora. Durante o trajeto de volta à Praça Áureo Carneiro, um motociclista furou a barreira feita por policiais e tentou passar pela passeata. Um dos manifestantes agrediu o carona da moto com um soco. Os dois ocupantes do veículo desceram e entraram em luta corporal com o agressor. Policiais separaram a briga e tentaram acalmar os ânimos.

Minutos mais tarde, o motoqueiro e o manifestante iniciaram nova discussão. O segundo chegou a arremessar uma pedra que atingiu a testa do rapaz que estava na moto. Outros jovens entraram na confusão, agredindo o motoqueiro com socos e pontapés. Além disso, mais pedras foram arremessadas em direção às viaturas policiais. Foram ouvidos estampidos de tiros, mas ninguém foi atingido pelos supostos disparos.

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A Tribuna tentou ouvir um representante da Secretaria de Estado da Saúde (SES) sobre a situação do Hospital Regional João Penido, mas não teve retorno. No início da manifestação, alguns vereadores estiveram na praça, mas os organizadores do ato solicitaram que eles não participassem do ato.

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