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Desafio de recuperar tempo perdido

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Eduardo Magrone diz que reposição é possível, mas pedagogicamente, seria  melhor reiniciar o período
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Eduardo Magrone diz que reposição é possível, mas pedagogicamente, seria melhor reiniciar o período

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Com a retomada do período letivo na UFJF hoje após 114 dias de greve, alunos, docentes e a instituição enfrentam um desafio: recuperar o tempo perdido. Amanhã a universidade divulgará o novo calendário oficial, elaborado em reunião do Conselho de Graduação (Congrad), mas, pela previsão já anunciada, o ano letivo de 2012 só deverá ser encerrado em março de 2013 (ver quadro). Com a decisão, tomada em assembleia realizada na última segunda-feira, também voltam a funcionar o Colégio de Aplicação João XXIII, o Instituto Federal Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste) e outros órgãos vinculados à UFJF.

Para o pró-reitor de Graduação da universidade, Eduardo Magrone, reaver os prejuízos acadêmicos é impossível. "A reposição dos dias em greve é possível em termos cronológicos, mas pedagogicamente, o mais aconselhável seria reiniciar o período de novo, pois retomar agora o que foi interrompido no dia 20 de maio como se nada tivesse acontecido e esperar que não haja prejuízos no ensino é uma incoerência."

Segundo o secretário-geral da Associação dos Professores de Ensino Superior de Juiz de Fora (Apes-JF), Paulo Villela, a paralisação foi suspensa para conter maiores danos aos estudantes. "Neste momento, seria pouco provável que avançássemos nas negociações, então, como temos uma responsabilidade em relação ao ensino dos discentes, decidimos suspender o movimento. Mas continuaremos mobilizados por melhorias na carreira. Até porque, se isso não acontecer, podem haver mesmo consequências na qualidade das instituições, em termos acadêmicos."

Apesar de não questionarem a greve em si, os universitários sentem-se lesados. Segundo Vinicius Emidio, 19 anos, aluno do curso de engenharia elétrica, o problema, além da perda de tempo, é a dificuldade em resgatar o conteúdo. "Eu já deveria ter ido para o segundo período, mas nem terminei o primeiro. Acho nobre a causa da greve, mas vai ser difícil relembrar o que foi ensinado em maio em algumas semanas. Vai ter prejuízo." Já no caso da futura psicóloga Sara Reis, que cursa o último período de sua graduação, o intervalo sem aulas pode atrasar seus planos profissionais e acadêmicos. " Não só não vou me formar no final do ano, como provavelmente perderei chances de entrar em mestrado ou especializações, como havia planejado."

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Magrone ressaltou que a redefinição do calendário será delineada de forma a minimizar o quanto for possível os efeitos da paralisação. "Divulgado o cronograma, vamos convocar professores e alunos a trabalharem junto com a UFJF, para reduzir os danos." Segundo Villela, a Apes-JF buscará atuar em parceria com a UFJF neste sentido. "Antes da reunião do Congrad, vamos nos encontrar com os membros do conselho, para traçarmos ações conjuntas em prol da redução dos prejuízos. Também já nos reunimos com o reitor Henrique Duque para pedir um ajuste no calendário dos processos seletivos, para evitar que os alunos do IF Sudeste e do João XXIII sejam lesados na disputa de vagas." Ainda conforme o representante da Apes, o reitor sinalizou positivamente nesta direção, mas a decisão final, segundo a UFJF, será tomada após discussão do tema no Congrad, em sessão que ainda não tem data definida.

 

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Situação em outras instituições

Além da UFJF, outras universidades de Minas e do Rio de Janeiro reiniciaram as atividades. É o caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A instituição tem previsão de encerrar o primeiro semestre de 2012 até 29 de setembro, com início do segundo em seguida, no começo de outubro. A previsão é de que o ano escolar seja encerrado, no máximo, até o dia 9 de fevereiro. Já a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) terá cinco semanas de reposição das aulas, de 10 de setembro e a 13 de outubro, iniciando o novo semestre em 22 de outubro e terminando em 16 de março de 2013, com recesso entre 22 de dezembro deste ano e 7 de janeiro de 2013. As aulas de 2013 começam no dia 6 de abril.

Na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), a suspensão da greve foi aprovada, com indicativo de volta às atividades acadêmicas no próximo dia 17 de setembro, decisão que ainda será oficializada. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) e nas de Viçosa (UFV), Ouro Preto (UFOP) e São João del Rei (UFSJ), a paralisação continua, mas há assembleias marcadas entre o fim desta semana e a seguinte, com possível indicativo de fim do movimento.

 

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