
Estação portátil foi usada ontem para fazer aferições no Calçadão da Halfeld (Olavo Prazeres/11-08-15)
Uma pesquisa coordenada por uma mestranda em geografia da UFJF pretende descobrir o que interfere na temperatura observada em toda Juiz de Fora. Para isso, uma equipe de bolsistas da instituição está, desde ontem, aferindo condições de temperatura, umidade, velocidade e direção do vento em vários pontos do Centro e bairros adjacentes, como Morro da Glória, Jardim Glória, Mariano Procópio, Paineiras, Alto dos Passos, São Mateus, Nossa Senhora Aparecida e Poço Rico. Ontem havia uma estação portátil no Calçadão da Rua Halfeld e outra próximo ao Viaduto Augusto Franco.
De acordo com a pesquisadora, a geógrafa Débora Couto de Assis, ainda não é possível ter uma conclusão da variabilidade do conforto térmico em toda a cidade, mas estima-se que várias situações interfiram neste resultado. Como exemplo, ela citou a pavimentação, o sombreamento e a presença ou não de áreas verdes. No início do ano, o mesmo trabalho foi feito em parte da Zona Norte, e atualmente os dados são analisados. “Em princípio, notamos que, como a urbanização não é tão presente quanto no Centro, não há tanta variabilidade de temperatura.”
Débora pretende concluir a análise até o início de setembro, para que toda a coleta seja realizada durante o inverno. Segundo ela, o trabalho é efetuado por meio de duas estações portáteis, que ficam em pontos pré-definidos entre 8h e 18h, além de outra fixa, que pertence ao Colégio Cave, na Rua Tiradentes. A defesa de sua dissertação de mestrado está prevista para março.
Ilhas de calor
No início do ano, a Tribuna publicou uma reportagem sobre um estudo conduzido pela orientadora de Débora, a climatologista da UFJF Cássia Ferreira. Na época, foi mostrado que a diferença de calor entre a Avenida Getúlio Vargas e o campus da UFJF poderia chegar a sete graus em alguns momentos do dia. Esta variação, segundo ela, seria resultado da influência do mobiliário urbano sobre o ambiente. Como exemplo, ela havia citado a pavimentação, os prédios altos e o tráfego de veículos que, juntos, formavam ilhas de calor na área central.

