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Seis cães são recolhidos por dia nas ruas

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Pelo menos seis cães são retirados diariamente das ruas de Juiz de Fora, sendo cinco pela equipe do Demlurb e um pela Sociedade Protetora dos Animais. O número é considerado alto, mas pode ser ainda maior já que não inclui os que são recolhidos por outras instituições com atuação na área e voluntários. A situação reflete na superlotação do Canil Municipal, que atualmente aloja 420 cachorros, dos quais 150 encontram-se em bom estado de saúde e aptos para adoção. O número elevado de cães abandonados na cidade repercute também nas redes sociais, onde diversos grupos publicam fotos de bichos perdidos, na tentativa de localizar os donos ou encontrar pessoas interessadas em adotá-los.

Para a veterinária responsável pelo Canil Municipal, Liza Helena Ramos Neri, a situação ilustra a falta de responsabilidade dos proprietários. "Mais de 50% dos cães que encontramos tinham donos que os deixam fugir ou os abandonam". Ela explica também que o índice de abandono é maior em dezembro, janeiro e fevereiro, meses nos quais as pessoas viajam ou se mudam e não têm lugar para deixar os bichos de estimação. "O ideal seria que as pessoas se programassem, arrumassem um novo dono ou deixassem o animal hospedado em lugar seguro", aconselha.

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A veterinária lembra que abandonar animal doméstico é crime previsto no artigo 32 da Lei Federal 9.605/98, que trata dos crimes ambientais. Já para evitar a fuga, ela alerta também que qualquer cão em via pública deve estar com coleira, nunca sozinho e, dependendo da raça, com focinheira.

Informações sobre cães soltos nas ruas podem ser repassadas ao Canil Municipal pelo telefone 3690-3591. O caminhão utilizado na apreensão dos animais circula de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

Já os interessados em adotar os animais do canil devem se dirigir ao local, de segunda a sexta-feira, entre 9h e 10h30 e das 13h às 15h30. É necessário preencher uma ficha comprometendo-se a tratar bem o cão, além de apresentar cópias do CPF, carteira de identidade e comprovante de residência. Será assinado ainda um termo de adoção para evitar que o bicho seja novamente abandonado. A doação é gratuita.

 

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‘Bicho quer proteção e carinho’

A professora universitária Jussara Araújo de Almeida resgata animais na rua desde que tinha 12 anos. "Agora já estou com 50 e, depois do primeiro (animal), não parei mais." Ela e mais 78 pessoas que estavam fazendo recolhimento individual resolveram se unir e montar uma ONG chamada Associação Vida Protegida JF, presidida por Jussara. "É o amor que me move a fazer este trabalho. Todo mundo que gosta de bicho, entende que é um ser que quer carinho e proteção. Abandono não é bom para ninguém. Animal também sente que foi abandonado".

A organização resgata, cuida, castra e coloca os cães para adoção em sua página da internet (www.vidaprotegidajf.com.br) e do facebook (vidaprotegidajf). Segundo Jussara, a média de resgate por mês é bem variável. Atualmente, a professora está com nove animais em casa, em nome da ONG, outros dez encontram-se em residências de protetores e oito em clínicas.

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"O grande problema é conseguir um lar temporário. Muitos têm medo de que eles (os cães) não sejam adotados e outros não têm amor por bicho". Jussara diz que a organização está tentando agora conseguir espaço para esses animais com o Poder Público.

 

 

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Prioridade para os que têm menos chances de viver

Uma média de 40 resgates por mês também é realizada pela Sociedade Protetora dos Animais de Juiz de Fora. No abrigo da sociedade, localizado na BR-040 (Km 748), hoje estão cerca de 400 animais, sendo que aproximadamente 40 são gatos. A voluntária da ONG, Cristina Cardinelli, que é também estudante de medicina veterinária, lamenta que nem todos os recolhimentos solicitados podem ser efetuados. "Infelizmente a ONG não consegue dar conta de recolher o tanto que aparece. Então, realizamos resgates daqueles cães que, se ficarem na rua, não terão chances de sobreviver". Nessa cota, estariam os mais velhos, debilitados, cadelas prenhas e filhotes. Os animais resgatados são aqueles encontrados pelos próprios voluntários ou os indicados por telefone.

Quando um animal chega ao abrigo da sociedade, recebe tratamento, e, se necessário, vacina, vermífugo e castração, que é regra principalmente para os machos. Depois, é colocado para adoção ou apadrinhamento. No caso da última opção, são encaminhados cães com características que impedem a adoção ou que, na maioria das vezes, não são escolhidos, como os cães velhos, deficientes ou agressivos. "Recebemos doações em dinheiro, além de existirem os sócios e as pessoas que ajudam esporadicamente", acrescenta, dizendo que qualquer pessoa pode se tornar sócia, bastando entrar em contato pelo número 9965-6240. O abrigo da ONG também fica aberto a visitação no sábado, das 15h às 18h.

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