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Traficantes usam praça como boca de fumo na Vila Ideal

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Um espaço que deveria ser destinado ao lazer e ao esporte está perdendo terreno para quem vende, compra e usa drogas. Diariamente, a Praça José Castro Barbosa, na Vila Ideal, é ocupada por traficantes, e o local estaria servindo de território do crime. A tomada do espaço público seria uma forma de evitar o deslocamento de consumidores pelo interior de bairros como Vila Ideal, Vila Olavo Costa e Furtado de Menezes, onde estariam sediadas as "bocas" que alimentam o comércio na praça. Localizada na Avenida Francisco Valadares, às margens do Rio Paraibuna, a área, onde há uma quadra para atividades esportivas, pista de skate e parquinho, tornou-se um problema de segurança pública para moradores e trabalhadores do seu entorno. A lei do silêncio predomina, sendo raros aqueles que conseguem vencer a barreira do medo e contar sobre a situação. Nos dias em que a reportagem esteve na praça, durante a noite, constatou a presença de grupos de jovens, com movimentação suspeita, principalmente ao redor de uma mesa de concreto, onde, segundo os moradores, maconha e crack são vendidos e consumidos. Em um destes dias, havia uma viatura da PM a, pelo menos, duas quadras do ponto onde os rapazes estavam. Mesmo assim, eles não se sentiam intimidados.

Conforme pessoas ouvidas pela Tribuna, o tráfico de droga e a movimentação de usuários são intensos mesmo à luz do dia. Um homem, de 43 anos, que pediu sigilo do nome, e já trabalha há dois anos no entorno, afirma que há situações em que, pelo menos, cerca de 20 pessoas ocupam a área para consumir drogas. "Tenho uma filha de 9 anos e não a deixo brincar lá. Pode haver correria com a chegada da PM ou até uma briga entre eles", afirma o trabalhador, que ressalta ser necessária a presença mais ostensiva de policiais no trecho. "Falta um posto da polícia aqui. Pelo menos, iria inibir." Segundo ele, a permanência de usuários é cotidiana. "De repente, começa a chegar o grupo. Temos que assistir a tudo de forma impotente." Ele ainda conta que, entre o grupo de usuários, é possível perceber a presença de crianças acompanhando os adultos que utilizam tóxico. O envolvimento de menores de idade com traficantes e com o consumo de drogas na região da Vila Ideal e da vizinha, Vila Olavo Costa, vem sendo mostrado em reportagens da Tribuna.

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Um outro trabalhador da região, acostumado com as cenas de uso de tóxicos, diz, com indignação que, às vezes, a polícia aparece, e os usuários vão embora. "Mas é só os policiais virarem as costas, eles voltam, como se o espaço fosse apenas deles", revolta-se. Uma estudante de 17 anos, que mora na redondeza, comenta que já deixou de usar a praça, pois a presença do grupo de usuários de tóxicos no espaço a deixa insegura. "Antes passeava lá com meu cão", afirma a jovem, acrescentando que a praça tem pouca iluminação. "Isso contribui ainda mais com a movimentação de suspeitos."

 

Denúncias devem ser investigadas

De acordo com um dos comandantes de policiamento da 135ª Companhia da PM, sargento Marco Aurélio Vieira, a situação denunciada pelos moradores é desconhecida. Ele afirma que o programa Rede de Vizinhos Protegidos, da corporação, tem cerca de cem casas envolvidas na Avenida Antônio Miranda, que faz esquina com a praça, e nunca teriam chegado reclamações desta natureza. Entretanto, o militar assegura que, diante da denúncia, os fatos serão verificados. "Se for constatado que existe movimentação de drogas, tomaremos as medidas necessárias para reverter a situação." Como aponta, a praça também serve de palco para um projeto desenvolvido pela PM e o Instituto Cidade, que tem as crianças como alvo. "São realizadas atividades durante três dias da semana em períodos da manhã e da tarde. O que mostra que estamos presentes."

Para o delegado titular da 6ª Delegacia Distrital, Carlos Eduardo Rodrigues, o problema de venda e consumo de drogas na praça também era desconhecido. Ele argumenta que a Polícia Civil realizou trabalho na Vila Ideal, que resultou na prisão de dois suspeitos do tráfico do bairro, que foram posteriormente liberados pela Justiça. "Eram traficantes que sabíamos da atuação, mas tínhamos dificuldades para prendê-los, pois não ficavam com as drogas. Um foi preso pela PM e outro pela Civil. Na ocasião, além de sua captura, foram apreendidos uma arma e cerca de 2kg de cocaína", relatou o delegado, acrescentando que investigações e operações vêm sendo realizadas na região há cerca de um ano, sempre com bons resultados para a comunidade.

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Situação deixa pais preocupados

Apesar de as polícias desconhecerem a tomada da praça pelo tráfico de drogas, principalmente no período noturno, a população já muda a rotina por causa do problema. Pais afirmam que deixaram de frequentar o espaço com seus filhos. É o caso de uma auxiliar de serviços gerais, 36 anos, moradora da Vila Olavo Costa. "A situação é absurda. Eu, que tenho dois filhos de 11 e 13 anos, não permito que eles fiquem lá", diz a mulher, afirmando que sabe que a polícia faz o patrulhamento. Mas, segundo ela, não adiantaria, por se tratarem, em sua maioria, de garotos que, dependendo da situação, acabam soltos. "Na minha rua, por exemplo, o chefe do tráfico já foi preso, mas o irmão dele, um menino de 15 anos, assumiu o lugar. Os moradores não falam nada, porque sabem que serão ameaçados", conta a moradora, lembrando que a própria filha, quando tinha 15 anos chegou a ser vítima do tráfico. "Ela começou com a maconha e depois a cocaína. Chegou a sair de casa por causa das drogas. Foi morar em outro estado. Quando voltou, estava grávida", desabafa a mulher, argumentando que muitos adolescentes e jovens ao redor costumam frequentar a praça.

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Conforme o comandante de policiamento da 135ª Companhia da PM, sargento Marco Aurélio Vieira, diversas operações são realizadas constantemente na área. "É justamente para inibir este tipo de delito. Além disso, há o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência), desenvolvido junto às escolas e que é conhecido em nível estadual. O projeto serve para orientar os adolescentes para não se envolverem com as drogas. Com o desenrolar do programa, o objetivo é não deixar que jovens e crianças entrem na criminalidade." Para o delegado Carlos Eduardo Rodrigues, a área é de difícil acesso e precisa de uma ação conjunta entre os órgãos públicos para resolver a questão dos adolescentes infratores. "O Poder Público está presente, mas trata-se de uma área que necessita de mais atenção. É preciso uma ação governamental municipal, estadual ou federal para urbanização daqueles bairros, além de programas educacionais focados nesta problemática. Um exemplo disso seria o monitoramento da frequência escolar desses meninos e também um acompanhamento assistencial junto a suas famílias. O trabalho da polícia isolado não resolve o problema, que também é uma questão social", enfatiza o delegado.

 

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