O Centro Metodista de Atendimento a Toxicômanos (Cemat) suspendeu os 15 leitos para o atendimento de dependentes químicos, após atrasos de repasses pelo Estado. A instituição é conveniada com o Governo de Minas, que é responsável pela manutenção dos leitos desde 2014, com validade para cinco anos, conforme o presidente da diretoria executiva da unidade Sidney Carvalho de Oliveira. Os usuários tiveram o tratamento interrompido por conta da decisão.
“Meu filho estava tão bem. Ele estava lá há 70 dias, quando foi informado que o atendimento seria encerrado. Foi um choque muito grande para ele e para a família inteira. Eu sei que da mesma forma que foi difícil para nós, também é para as famílias dos outros 14 homens”, disse o pai de um ex-interno, que preferiu não ter o nome divulgado. Ele esclarece que o filho dele dava sinais de evolução no tratamento e que não recebeu do Estado nenhuma justificativa para a interrupção na iniciativa. “Ele estava motivado a mudar de vida. O semblante dele mudou, conseguia falar sobre outros assuntos. Mudou até o jeito de vestir.”
Conforme Oliveira, desde que o Governo Pimentel assumiu, o cronograma de pagamento sempre sofria alterações. A dificuldade começou a se agravar em 2016. “Ficamos mais de cem dias sem nenhum repasse. Tivemos que nos virar para manter a casa funcionando, da maneira como tem que ser, oferecendo condições dignas e respeitosas aos pacientes. Conseguimos dinheiro com a mantenedora, a igreja Metodista, mas também precisamos de alguns empréstimos.” Ao chegar a um nível de comprometimento alto, a diretoria optou por suspender as atividades. “Vamos precisar de um tempo para honrar com os nossos compromissos financeiros e, só depois de cumpri-los, retomar as nossas atividades”, reforça o presidente da diretoria.
Ainda de acordo com ele, as dificuldades foram expostas ao Governo e, diante da decisão pela suspensão temporária das internações, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do Departamento de Saúde Mental, que tem convênio com o Cemat foi acionado. A transferência dos atendidos para outras comunidades terapêuticas teria sido providenciada, porém, não no sistema de internato. Os funcionários e monitores do espaço foram demitidos. “Agora temos uma instituição enorme, aconchegante e organizada, porém totalmente parada, porque não temos dinheiro para fazê-la funcionar.”
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que não foi oficializada a suspensão do atendimento no Cemat. “O ocorrido foi que a entidade formalizou o interesse de encerrar o contrato, que está em vigor entre a instituição e a SES-MG, para atendimento ao Programa Cartão Aliança Pela Vida. Já estamos trabalhando com a demanda, porém, como citado, ainda não foi oficializada a finalização do contrato. Informamos ainda que a SES-MG está ciente dos atrasos dos repasses de pagamento a diversos prestadores de serviços e tem trabalhado para que a situação possa ser regularizada.”
A SES ressalta que os usuários atendidos pela entidade, por meio do encaminhamento feito pelo Programa Cartão Aliança Pela Vida, possuem um Projeto Terapêutico Singular, traçado na cidade. “Neste sentido, o tratamento está coberto pelo Sistema Único de Saúde e, os mesmos, serão acolhidos pelos serviços públicos de referência para atendimento aos casos de uso prejudicial de álcool e outras drogas dos seus respectivos municípios”.
