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Ouvidoria para violência sexual

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A UFJF vai contar com uma ouvidoria especializada para acolhimento e encaminhamento de vítimas de violência sexual no meio universitário e de outros crimes, como racismo. O anúncio foi feito ontem pelo novo reitor Marcus David durante reunião que contou com a participação da vice-reitora Girlene Silva, do novo diretor de Ações Afirmativas, Julvan Moreira de Oliveira, e da pró-reitora de Extensão, Ana Lívia Coimbra. Reportagem publicada pela Tribuna no último domingo revelou que estudantes estupradas no meio acadêmico e durante festas promovidas pelas faculdades não denunciam os autores por falta de apoio e por medo de serem estigmatizadas. O reitor reconheceu a gravidade do problema revelado pelo jornal e demonstrou preocupação com a criação de políticas capazes de dar respostas eficientes para grupos vulnerabilizados. Para que a ouvidoria seja implantada, a proposta terá que ser aprovada no Conselho Superior (Consu), mas a expectativa da Reitoria é favorável nesse sentido.

“A matéria traz um problema real da nossa sociedade, presente não só dentro da universidade, mas em todos os espaços. Lamentavelmente, vivemos em uma sociedade machista, sexista, violenta. Esse diagnóstico que fica retratado na reportagem é algo que já nos preocupava, inclusive, quando elaboramos a nossa proposta. A ideia da ouvidoria especializada é servir como um espaço que possa acolher a nossa comunidade universitária”, diz Marcus David. Segundo o reitor, a ouvidoria pretende não só realizar o acolhimento especializado, mas amparar a vítima tanto na busca de apoio jurídico, social, quanto no encaminhamento aos equipamentos de saúde do município. “O desafio é ir para além do discurso. Além da ouvidoria especializada, pensamos em um fórum permanente da diversidade envolvendo todos os segmentos, a fim de que consiga construir políticas mais consistentes para enfrentamento do problema. Políticas que envolvam a educação, a conscientização, o treinamento e a capacitação da nossa segurança para lidar com isso”, complementa o reitor, que espera reativar projetos importantes, como a sala de monitoramento e implantação de novas câmeras.

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Para a vice-reitora Girlene Silva, um dos desafios da ouvidoria especializada é a elaboração de novas políticas. “Quando se escuta, e isso não subsidia uma política que formule uma questão de segurança para a universidade, aí o silenciamento é perverso. Então a ouvidoria especializada tem que cumprir esse papel: consolidar dados que possibilitem a gente pensar políticas efetivas. Nós queremos uma ouvidoria sensível que seja capaz de efetivamente acolher essa demanda e apresentar soluções. O que a gente deseja é uma universidade sem violência, sem preconceito, sem segregação. A política de ações afirmativas precisa dar conta de toda universidade. Além dos três segmentos (estudantes, técnicos e professores), temos que avançar mais porque a nossa universidade tem portões abertos. Então precisamos apresentar estratégias para que a comunidade externa também se envolva com essas diretrizes. Não adianta ter uma comunidade extremamente sensibilizada para a questão da não violência e não discriminação, se o usuário desse campus, que é aberto, as reproduz”, observa.

Ana Lívia Coimbra, pró-reitora de Extensão, diz que a dimensão educativa é importantíssima, mas não prescinde de espaços efetivos de intervenção. “É necessário ter campanhas educativas, sim, outdoors, como foi feito, além de disciplinas que tenham uma dimensão transversal. Mas esse processo educativo tem que ser acompanhado de um espaço efetivo de intervenção. A universidade tem grupos de pesquisa que estudam a questão da violência, grupos coletivos de estudantes, de professores, grupos feministas que já têm conhecimento e uma crítica acumulada que não podem ser desconsideradas. A universidade tem que dar respostas.”

O novo diretor de Ações Afirmativas, Julvan de Oliveira, defende que a UFJF invista na dimensão humana: “A universidade hoje tem que trabalhar não só na construção de um pensamento científico, mas também da afetividade, do acolhimento ao outro.”

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