
Uma das facadas perfurou estômago de Paulo César
Após ter alta do hospital, o motorista que foi esfaqueado enquanto dirigia o coletivo da Viação Santa Luzia, linha 103-Filgueiras que acabou sequestrado por um homem, conversou com a Tribuna e contou os momentos de pânico durante o episódio, no último domingo. Golpeado cinco vezes, Paulo César Ferreira, 42 anos, e sua família estão indignados com o fato de o suspeito do crime, 40 anos, preso pela PM, ter sido liberado e estar na rua.
[Relaciondas_post]Conforme o relato do condutor, por volta das 9h, ele trafegava pela Avenida Juiz de Fora, na altura do Bairro Parque Guarani, Zona Sudeste, quando o homem fez sinal para o ônibus, no qual estavam cerca de 20 passageiros. O suspeito embarcou na companhia de uma mulher. “Alguns metros à frente, ele me perguntou se o ônibus ia para Filgueiras, respondi que sim. Ele voltou a perguntar a mesma coisa umas três vezes. Em seguida, questionou se eu me lembrava dele. Quando respondi que não, ele tirou a faca e me acertou em cheio na barriga”, lembra, destacando que o ônibus estava em movimento e que outras quatro facadas foram desferidas contra ele, acertando ombros, braço e queixo.
Paulo César conta que a ação durou dois minutos, “mas pareceu um ano”. Ele afirmou que conseguiu imobilizar o suspeito e jogá-lo no chão. “Neste momento, consegui parar o ônibus e fugi, sangrando muito. Um comerciante me ajudou, e aí vi o veículo indo embora. Daí para frente, não lembro de mais nada. Soube depois que alguns passageiros também conseguiram desembarcar, outros, desmaiaram”. Paulo teve o estômago perfurado.
O homem que esfaqueou o motorista teria dirigido o ônibus por cerca de 15 minutos, quando foi preso por policiais militares. Conforme a PM, ele seria levado para o setor de psiquiatria do Hospital de Pronto Socorro (HPS). Porém, como não teve o flagrante confirmado pela Polícia Civil, saiu da unidade médica após assinar termo de responsabilidade. Ele continua solto. A ocorrência que quase fez o motorista perder a vida foi registrada como lesão corporal. “Estou indignado. Desta vez foi comigo, mas quem garante que ele não vai fazer de novo? Muitas vidas foram colocadas em risco, poderia ter sido uma tragédia.” Motorista de ônibus há quatro anos, Paulo César não sabe se volta ao trabalho. “Eu morei em São Paulo a vida toda, mudei para Juiz de Fora em busca de tranquilidade, e agora acontece isso. Estou muito assustado, este homem tem que ser preso urgente”, desabafa.
A delegada à frente do caso, Bianca Mondaini, informou, na última segunda-feira, que pretende modificar a natureza da ocorrência para tentativa de homicídio, por conta das circunstâncias do fato e da intenção do autor. Além disso, ela afirmou que a intenção era pedir a prisão preventiva do suspeito. Até a tarde ontem, o suspeito não tinha prestado depoimento, e a delegada informou que diversas diligências estavam sendo feitas para esclarecer o caso. A Polícia Civil não comentou o fato de o homem não ter tido o flagrante confirmado na Delegacia de Plantão.

