
Arcebispo Metropolitano repercutiu decisão do pontífice
Em meio a repercussão mundial da decisão do Papa Bento XVI em renunciar a seu pontificado, em Juiz de Fora a notícia foi recebida com surpresa pelo arcebispo Metropolitano dom Gil Antônio Moreira, que declarou à Tribuna admiração e coragem no ato do pontífice. "Já se falava em uma possível renúncia, e o próprio Papa havia demonstrado interesse na decisão há alguns anos, quando estive em Roma. Contudo, a notícia de hoje nos deixou comovidos e surpresos", comentou. Para dom Gil, que emitiu nota oficial sobre a renúncia, o principal ponto desta decisão está focado no conhecimento do Papa a respeito das doutrinas e leis católicas. "Ele foi um homem que soube receber com muita humildade o cargo. E foi com a mesma confiança e naturalidade que ele renunciou, sabendo que seria o melhor para a Igreja Católica neste momento."
Experiência pessoal
Dom Gil também recordou-se de um momento pessoal vivido em 2010 e declarou ser extremamente agradecido ao Papa. "Após sair com sucesso de uma operação, descobri que teria que me tratar com quimioterapia. Como estava muito frágil, foram meses de espera e, durante este período, visitei o Papa e pedi sua bênção. Ao retornar, fui informado pelos médicos de que não havia mais a necessidade do tratamento", declarou. De uma forma geral, segundo dom Gil, os quase oito anos de pontificado de Bento XVI foram marcados pela defesa fiel à doutrina católica. "Mesmo diante de tantas críticas e exigências à Igreja, o Papa soube lidar com as dificuldades respondendo da melhor maneira aos problemas e sem nenhum rancor. Diria que ele governou com santidade, sabedoria, prudência e diálogo", explicou.
Pontificado de pulso firme
Contudo, a opinião é discutida pelo professor da UFJF e teólogo Faustino Teixeira, que classificou o pontificado atual como de defesa da intransigência e identidade católicas. "Em continuidade ao legado de João Paulo II, o Papa manteve o pulso firme com uma interpretação mais pessimista com relação aos avanços da modernidade, pontuada pelo desejo da homogeneidade católica." Para Teixeira, a insensibilidade de Bento XVI para entender desafios da sociedade moderna, seja geopolítico, de sexualidade ou da própria religião, acarretou na diminuição de fiéis e avanço de outras crenças.

