Ícone do site Tribuna de Minas

Estudo busca auxiliar tratamentos

PUBLICIDADE

Iniciada em dezembro do ano passado, a primeira pesquisa desenvolvida na UFJF com o objetivo de isolar células-tronco da polpa de dentes decíduos (de leite) atingiu sucesso na última semana. A inovação é que isso só havia sido feito anteriormente no estado com camundongos, e não com material humano. A intenção da equipe agora é entender e conseguir controlar essas células em laboratório, para então avançar nas pesquisas e descobrir utilidades terapêuticas. As duas primeiras linhagens de células-tronco obtidas na instituição – batizadas de UFJF1 e UFJF2 -, foram possibilitadas a partir da doação de dois dentes de leite de crianças diferentes.

PUBLICIDADE

Para o coordenador da equipe de pesquisadores – que envolve mestrandos e alunos de graduação da UFJF -, e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas Carlos Magno da Costa Maranduba, esse foi apenas o primeiro passo. Um segundo objetivo é conseguir transformar essas células em ilhotas pancreáticas, músculos e até neurônios. "Se conseguirmos diferenciá-las em ilhotas pancreáticas (células do pâncreas responsáveis por produzir insulina), por exemplo, isso possibilitará uma infinidade de novos estudos e, quem sabe, descobriremos uma alternativa para o tratamento da diabetes." Segundo ele, esse será o foco. "Não quer dizer que vamos achar a cura. Mas podemos ajudar na terapia e auxiliar que os profissionais indiquem maneiras de controlar a doença."

 

Sem rejeição

De acordo com Maranduba, que é doutor em genética molecular humana, a opção por usar a polpa dos dentes de leite é justificada pela quantidade de células-tronco que esse material proporciona e por uma propriedade especial. "Embora sejam células adultas, têm característica da célula-tronco embrionária e semelhança com aquela presente na medula óssea. A vantagem é que não apresentam rejeição, sendo aceitas em outro indivíduo", esclarece. O professor também explica que o grupo optou por dentes incisivos. "Nada impede que sejam usados outros dentes de leite, mas como os da frente são usados apenas para cortar, sofrem menos desgaste do que aqueles usados para triturar os alimentos."

PUBLICIDADE

Enquanto o cordão umbilical, por exemplo, oferece limitação na quantidade de células presentes e só pode ser usado uma vez em indivíduo de até 40kg, isso não ocorre com as células isoladas da polpa dentária. "Apenas com essas duas linhagens já atingimos a casa dos oito milhões de células-tronco, porque elas se expandem mais facilmente."

 

PUBLICIDADE

Dificuldades

Conforme os integrantes da equipe, uma das dificuldades é encontrar pessoas que se disponibilizem a doar os dentes para a realização da pesquisa. "Outro dificultador é que o ideal é obter o dente até 48 horas depois que cair, para que não comprometa o material", justifica Maranduba. De acordo com ele, o grupo está aberto a receber dentes decíduos de crianças cujos pais autorizem.

O objetivo dos pesquisadores é criar um banco de células-tronco, com pelo menos cinco linhagens extraídas a partir da polpa dentária, do tecido adiposo e do cordão umbilical. De acordo com Maranduba, o tecido adiposo pode ser conseguido a partir do material desprezado após uma lipoaspiração. "No momento, ainda não há condição de fazer isso, mas há interesse e é o que pretendemos futuramente." Para avançar nesse sentido, a equipe já se prepara para submeter os projetos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com o intuito de conseguir apoio financeiro. Atualmente, os pesquisadores contam com infraestrutura e bolsas de incentivo da UFJF.

PUBLICIDADE

 

 

Grupo já tem trabalhos em andamento

Os estudos em andamento na UFJF envolvendo células-tronco são desenvolvidos na área de genética e biotecnologia do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas. O trabalho do mestrando João Vitor Rettore tenta descobrir uma técnica nova de isolamento de células-tronco de bovinos e conta com a parceria da Embrapa.

PUBLICIDADE

Já a pesquisa desenvolvida pela mestranda Paula Nascimento é focada na neurofibromatose tipo 1 (doença progressiva que afeta o crescimento celular de tecidos neurais). Segundo Paula, a partir do isolamento das células-tronco extraídas da polpa dentária de um paciente com o diagnóstico da doença já foram feitos experimentos. "A ideia é tentar prever o que o paciente pode ter, como, por exemplo, fragilidade óssea. Assim não será preciso esperar que ele tenha os problemas para realizar o tratamento, seja realizando uma dieta com mais cálcio, fazendo fisioterapia…"

Paula acredita que integrar a equipe de pesquisa coordenada pelo professor Carlos Maranduba tem sido uma oportunidade de participar de um novo momento na UFJF. "É um trabalho completamente novo e que vai colocar a universidade no patamar de outras instituições com mais tradição nesse tipo de pesquisa. Estamos empolgados, passamos o período de Natal e ano-novo trabalhando para conseguir isolar essas células com sucesso, e valeu a pena."

De acordo com Maranduba, o mais importante foi comprovar que o grupo seria capaz de dar o primeiro passo e abrir possibilidades para que pesquisadores de outras áreas busquem desenvolver mais estudos com células-tronco. "Antes, as pessoas tinham que sair de Juiz de Fora para desenvolver esse tipo de pesquisa. Mostramos que agora é possível fazer isso aqui, na UFJF. A ideia é montar um centro de estudos e diagnóstico em genética molecular humana. É um projeto, porque precisaremos de espaço, equipamentos, mas é um sonho que temos."

Sair da versão mobile