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Combate à violência contra animais ganha força

video que circula nas redes sociais mostra homem de 70 anos arrastando cachorro pelas ruas do santa cecilia reproducao de video

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O combate aos maus-tratos contra os animais vem ganhando espaço em Juiz de Fora, seja pela iniciativa de cidadãos comuns, protetores independentes e do próprio Poder Público. Só este ano, quase 240 denúncias de violência foram feitas ao Núcleo de Proteção aos Animais, implantado pela Polícia Civil há dois anos na cidade. Ao mesmo tempo, protetores dos animais vêm usando as redes sociais para denunciar abusos. O caso mais recente que movimentou a internet foi o de um homem de 70 anos filmado arrastando um cachorro da raça Shih-tzu pelas ruas do Bairro Santa Cecília, na Zona Sul de Juiz de Fora. Conforme é possível ver no vídeo, o animal está preso à coleira e não consegue ou se recusa a andar com as patas, sendo arrastado pelo homem. As imagens foram gravadas no dia 16 de novembro e compartilhadas por centenas de pessoas.

A autora do vídeo relatou à Tribuna que andava pela rua, quando presenciou a cena. Como é surda, a única reação que teve foi ligar a câmera do celular. “Não sabia como fazer. Então, decidi gravar um vídeo e seguir o homem até um pet shop, em São Mateus (o cão foi levado ao local para tosa). Esperei ele sair e entrei para ver como o cachorrinho estava”, contou. Em outro vídeo feito por ela, já dentro do pet shop, é possível ver um ferimento na região dorsal do cachorro, mas não há como afirmar se o machucado foi causado pelo ato do idoso.
Após o vídeo cair nas redes sociais, internautas e ativistas dos direitos dos animais se mobilizaram e localizaram o homem que aparece nas imagens. Pelo Facebook, algumas pessoas pediam a punição do idoso. Houve relato de que o portão da casa dele foi chutado, e ele precisou ser retirado do local.

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Desde o ocorrido, a Polícia Militar fez um boletim de ocorrência, a Polícia Civil ouviu as testemunhas e registrou o termo circunstanciado de ocorrência (TCO), quando um fato é tipificado como de menor potencial ofensivo. Uma audiência na Promotoria de Meio Ambiente chegou a ser agendada para a última semana, mas acabou sendo adiada.

 

‘As pessoas não aceitam mais crueldade com os animais’

O caso do idoso que arrastou o cão no Santa Cecília mostra que há algum avanço na forma como o Poder Público e a sociedade em geral têm encarado o tema. “As pessoas não aceitam mais crueldade com os animais. Há mais denúncias, existe uma delegacia especializada e uma promotoria muito ativa. Existe ainda a lei, que está longe do ideal, mas pelo menos é alguma coisa. Mas, na minha opinião, a educação ambiental vale mais do que a punição”, diz a advogada Meyre Moreira de Paula, especializada em ações de proteção aos animais e diretora da ONG Sociedade dos Amigos Protetores dos Animais e do Meio Ambiente.

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Para a delegada Dolores Tambasco, que chefia o Núcleo de Proteção aos Animais em Juiz de Fora, poderia haver mais inquéritos se as denúncias fossem mais bem qualificadas, com fotos e vídeos que comprovem os abusos. Diferente disso, muitas vezes é difícil comprovar a autoria dos maus-tratos, segundo a autoridade policial. “Muitas pessoas ligam para cá pedindo para recolher animais abandonados. Essa não é a função da delegacia. Às vezes conseguimos um lar temporário para o animal, mas o papel da delegacia é investigar os fatos, lavrar o termo circunstanciado de ocorrência e enviar à Justiça.”

Conforme ela, além das quase 240 denúncias de violência feitas ao Núcleo de Proteção aos Animais este ano, os casos também chegam à delegacia por meio de boletins de ocorrência feitos pela Polícia Militar. “Quando o caso chega na delegacia, ouvimos as partes, elaboramos o TCO e encaminhamos à Justiça, que acata ou não o procedimento.”
Reconhecendo a importância das mobilizações pela internet e a atuação dos protetores independentes, a delegada pondera que os denunciantes não tentem fazer justiça com as próprias mãos. O ideal, segundo ela, é procurar os meios legais de denúncia.

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Abandono aumenta no período de férias


Os maus-tratos não se restringem aos cães. Nas últimas duas semanas de novembro, por exemplo, foram registrados dez TCOs contra carroceiros por abuso no uso dos cavalos como meio de transporte. Também são comuns os relatos de envenenamento de gatos, maus-tratos a bichos expostos em agropecuárias e pet shops, além de casos em que pessoas acumulam animais em casa. Neste último, às vezes até há boa intenção do adotante, mas ele acaba prejudicando os animais e a vizinhança, uma vez que não oferece condições adequadas de higiene.

A chefe do Departamento de Controle Animal da Prefeitura, Miriam Neber, alerta que, no final do ano, aumentam os casos de abandono de animais. “Pode ser difícil acreditar, mas muitas pessoas abandonam para poder viajar nas férias. Estamos evoluindo na punição. Mas na diminuição dos casos de maus-tratos, infelizmente, ainda não.” O departamento, responsável por administrar o Canil Municipal e o serviço público de castrações de animais, recolhe uma média de seis cães abandonados por semana. Hoje, o Canil Municipal tem 600 cachorros. O recém-implantado gatil ficou lotado em pouco tempo e hoje tem 90 gatos. O setor registra ainda cerca de três resgates de cavalos abandonados por semana.

“Vamos terminar dezembro com mais de 15 mil castrações através do programa da Prefeitura. Só no Castramóvel, já foram castrados quase quatro mil cães, cadelas, gatos e gatas. É importante dizer que os animais que precisam de tratamentos veterinários mais complexos são encaminhados para as clínicas conveniadas. Os casos mais simples, tratamos no canil mesmo. Mas o que eles mais precisam é de um lar. Num abrigo, podemos fornecer comida, higiene e tratamento, mas é impossível dar a tantos animais o que eles mais precisam: carinho.”

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