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Como chegar às galerias?

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O hábito de ir a uma galeria de arte, a formação do artista e o espaço que as artes ocupam na sociedade são alguns dos pontos que devem ser abordados no último encontro do projeto "Dois pra lá, Dois pra cá", que acontece amanhã, às 20h, na videoteca do Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM). O projeto, que já debateu artes cênicas, música e literatura, discute agora as artes visuais com o pró-reitor de Cultura da UFJF, José Alberto Pinho Neves, a arte-educadora do Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), Sandra Sato, o artista plástico e proprietário da Hiato Ambiente de Arte, Petrillo, e a fotógrafa Nina Mello, proprietária do Espaço Experimental que leva seu nome. As discussões serão base para uma série de matérias que a Tribuna irá publicar entre o Natal e o Réveillon. 

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A necessidade de formar um público para as artes é a grande questão a ser discutida para Nina. "Acredito que nos falta o costume de ir aos espaços. Temos que trazer o público, mas também ir até ele. Não adianta ficar desejando a audiência sem agir." Ela aponta a experiência da exposição "Paralelas", que integrou este ano o projeto "Foto 11", da Funalfa, como exemplo de tentativa de ir até o espectador. As fotografias foram expostas em pontos de ônibus como forma de levar a arte para as ruas. "Foi uma experiência em que tivemos problemas, algumas imagens foram arrancadas, mas nas ruas estamos sujeito a tudo. É necessário ir com calma, sem invadir ou chegar se impondo."

Pinho Neves destaca iniciativas como a exposição "História em quadrões", do cartunista Maurício de Sousa, que ficou em cartaz no Mamm em agosto e setembro deste ano, como exemplo para cativar o público jovem e desenvolver a consciência de espaços de arte. "É importante mostrar que o museu pode ser uma sala de aula, um espaço em que se aprende, mesmo que de forma diferente." Sandra Sato acrescenta que iniciativas para levar crianças para exposições devem ser complementos de uma educação mais ampla. "Frequentar ambientes de arte é importante, mas não é tudo. É preciso ter interesse. As escolas estão se esforçando para levar as crianças, nunca se ouviu falar tanto em iniciativas como esta."

Na visão de Petrillo, a ida aos espaços pelos mais jovens deve partir de iniciativa dos pais e, depois, da escola, por meio, por exemplo, de visitas guiadas. "Uma vez que se gosta, as pessoas voltam, e é assim que se forma público", afirma. Outra alternativa para atrair o público conforme o artista seria a utilização da internet. "Seria interessante uma página com o acervo do que é produzido. É mais uma forma de registrar na memória para perpetuar o que fica exposto por um tempo determinado."

 

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Comum a todos os convidados é a existência farta de opções na cidade para quem quer buscar se formar e se aperfeiçoar nas artes visuais na cidade. De acordo com Petrillo, os interessados em enveredar pelo caminho visual devem procurar orientação para otimizar um percurso que pode ser longo. "É importante a troca de experiências para enriquecer a formação."

Pinho Neves argumenta que os espaços em Juiz de Fora cumprem seu papel. "A cidade pode não oferecer de tudo, mas encaminha muito bem quem quiser lograr outros caminhos lá fora."

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Na visão de Sandra, mais do que a possibilidade de cursos, a formação depende muito de quem a procura. "É preciso discutir e empenhar qual o esforço individual para chegar ao ponto que se deseja. A tendência de Juiz de Fora é cada vez mais ampliar suas possibilidades. Talvez não esteja no nível ideal, mas no que é possível fazer agora."

Nina compartilha da opinião e ressalta que, no caso da fotografia, a busca por aperfeiçoamento deve ser ainda mais constante, principalmente devido ao avanço da tecnologia. "Se você quer ir, deve saber aonde quer ir. O aperfeiçoamento deve vir junto com o objetivo traçado."

Assim como algumas artes, a questão da profissionalização do artista também é um ponto que deve nortear as discussões do "Dois pra lá, Dois pra cá". Para Nina, a profissionalização caminha ao lado da responsabilidade. "O registro é importante pelo comprometimento que ele acarreta. Já Petrillo aponta o registro como forma de valorização da profissão. "Acharia ótimo ter uma carteira de artista plástico. A falta da regulamentação não me torna mais ou menos artista, mas seria interessante. Esta seria mais uma forma de identificação", enfatiza.

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