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Sem limites para a devoção

padre marcelo rossi cantou junto com criancas do colegio santa catarina marcelo ribeiro10 11 15

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Filas viravam quarteirões no Morro da Glória, com aglomerações de crianças, adultos e idosos na Avenida dos Andradas, Edgar Quinet, Dom Lasagna, entre outras vias do bairro (Marcelo Ribeiro/10-11-15)

Filas viravam quarteirões no Morro da Glória, com aglomerações de crianças, adultos e idosos na Avenida dos Andradas, Edgar Quinet, Dom Lasagna, entre outras vias do bairro (Marcelo Ribeiro/10-11-15)

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Quando se trata de fé, não há limites para a devoção. Este lema guiou milhares de fiéis que se aglomeraram nas imediações do Colégio Santa Catarina, no Morro da Glória, para acompanhar a visita do padre Marcelo Rossi, que esteve ontem na cidade para uma sessão de autógrafos do livro “Philia”, lançado por ele neste ano. Nesta obra, o padre relata sua luta contra a depressão, além de orações e ensinamentos para aqueles que buscam se curar dos males da alma, como ansiedade, tristeza, pessimismo, medo, remorso, vício, desemprego, maledicência, inveja, ciúme, ira, ingratidão e autoimagem. As horas de espera sob sol forte não desanimaram os cerca de cinco mil fiéis que estiveram no local, alguns aguardando por mais de 24 horas sem desanimar. A maioria esperava ansiosa e em pé o momento para estar frente a frente com o religioso por apenas alguns segundos.

A fila, formada por pessoas de todas as idades, algumas enfermas e cadeirantes, começou na Rua dos Artistas, dobrou a esquina da Avenida dos Andradas e desceu as ruas Edgar Quinet e Cosette de Alencar, terminando depois da passagem de nível que dá acesso à Avenida dos Andradas. Apesar da grande aglomeração, a PM não registrou nenhuma ocorrência. Conforme o Corpo de Bombeiros, algumas pessoas se sentiram mal e precisaram de atendimento médico. Quem assistiu a ocupação, desde o início, foi o estudante juiz-forano Guilherme Campos, 17 anos, o primeiro da fila, que chegou ao local às 14h45 da última segunda-feira, ou seja, um dia antes do evento. “Minha ideia era chegar ainda na noite de domingo. Vim aqui para agradecê-lo por ter me iluminado e despertado a volta de seguir pelo sacerdócio. Quero ser padre, assim como ele. Se entregar à vida de Cristo e das pessoas”, relata Guilherme, acrescentando que sempre acompanhou as missas do padre pela televisão.

Padre Marcelo Rossi chegou à instituição de ensino por volta de 15h10. Ele era aguardado por dezenas de alunos e pais na quadra do colégio. O religioso fez orações, abençoou garrafas de água e cantou junto com os estudantes. Às 15h30, começou a receber os fiéis em um auditório. O clima era de muita emoção. Muito simpático, o padre recebeu a todos com abraços, tirou fotos e abençoou o público. A maioria chorava ao ver o sacerdote.

A aposentada Maria dos Santos, 82 anos, não conteve as lágrimas ao encontrar o padre. Ela estava acompanhada da neta e de sua filha. “Só consegui dizer obrigada a ele. Fui evangelizada por uma vizinha, comecei a ouvir seu programa em um momento muito difícil da minha vida, suas palavras me ajudaram e ainda me ajudam muito.”

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Emoção não traduzida em palavras

Padre Marcelo Rossi cantou junto com crianças do Colégio Santa Catarina (Marcelo Ribeiro/10-11-15)

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Na fila à espera de se encontrar com o padre Marcelo Rossi, houve também aqueles que emocionaram quem estava no local. Um deles foi Eugênio Rodrigues Alves, 36 anos. O cadeirante teve sua vida modificada após ser atropelado, há dez anos. Segundo sua mãe, Maria Campos, ele perdeu os movimentos e parou de falar. Mas o brilho nos seus olhos e o sorriso ao ver o padre, traduziam o que nenhuma palavra seria capaz de mensurar. “Ele ficou cinco meses internado, seu acompanhante começou a colocá-lo para ouvir o padre. Desde então, ele não perde um programa”, comentou a mãe.

A costureira Rosenilda Gonçalves, 36, veio de Sapucaia (RJ) para tentar falar com o padre. “Graças a ele, conheci Deus. Tive depressão por três anos e, assim como ele, consegui me livrar deste mal sem o uso de remédio. Hoje sou outra pessoa, mais ativa e próxima dos meus filhos.” Quando se trata do padre Marcelo, Wilma do Carmo, 58, de Muriaé, não conseguia conter a emoção. “Esta é a segunda vez que tento chegar perto dele. Graças às suas palavras e orações, consegui muitas bênçãos. Ele é um exemplo para todos.”

A comerciante Sueli de Jesus, 42, relata sua fé: “Na última vez em que ele veio, em 2011, estava prestes a fazer uma cirurgia para retirar um nódulo no seio. Falei com o padre, e ele disse que não seria nada. Depois que fiz a cirurgia, os médicos constataram que, de fato, não era nada grave.” O comerciante Hailton Onofre, 60, garante que o nascimento da filha Viviane, que completa 7 anos no próximo dia 15, é um verdadeiro milagre. “Há 20 anos acompanho o padre e, neste tempo, eu e minha esposa tentávamos ter um filho. Fizemos tratamento, mas nada dava certo. Sempre com fé, resolvemos aceitar. Porém, meses depois, minha esposa engravidou.” Rosimeire da Silva também estava entre os que davam seu testemunho: “Caí de uma escada do segundo andar e senti a mão de Deus me segurar. Hoje vim agradecer e pedir uma graça especial, que tenho certeza que vou alcançar. Não perco nenhum programa dele. É um homem de muita fé, uma inspiração.”

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Aglomeração no Morro da Glória

Os organizadores do evento distribuíram três mil pulseiras no portão do colégio, mas outras centenas entraram sem a identificação na noite de ontem, quando a fila ainda tomava a Avenida dos Andradas. No início, as pessoas eram separadas em grupos com pulseiras de cores diferentes e iam entrando aos poucos na instituição. Já à noite, a entrada era realizada em grupos maiores, e as pessoas já não podiam mais receber abraços do padre, que passou a dar bênçãos coletivas no ginásio do Colégio Santa Catarina.

Ainda no meio da tarde, muitos que estavam no local reclamaram que alguns furaram fila, enquanto outros se aproveitaram da aglomeração no portão lateral do colégio para conseguir entrar sem ter que esperar. “Não tem ninguém para nos orientar e ajudar a formar a fila, está muito bagunçado”, disse a dona de casa Vanilda Corrêia. Apesar das interdições de ruas nas imediações, o trânsito fluiu normalmente na Avenida dos Andradas. Por volta das 20h, ainda havia muitas pessoas na fila, que temiam não conseguir chegar até o religioso, que encerraria as visitas às 21h, muitas delas ainda cantavam as músicas do padre.

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