O tema da redação da edição deste ano do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi surpresa para muitos alunos e professores ao trazer à tona uma lei sancionada em abril no país. Os candidatos precisaram dissertar sobre “Publicidade infantil em questão no Brasil”, abordando também assuntos sobre liberdade de expressão, proteção e abuso às crianças. É o segundo ano consecutivo que o exame utiliza uma lei como tema do texto. No ano passado, foi cobrado o efeito da implantação da Lei Seca no país. Educadores avaliam o provão como dentro dos parâmetros previstos, sem grandes dificuldades para a resolução. De acordo com eles, as provas de literatura e matemática foram as únicas que fugiram aos padrões dos anos passados.
No geral, a edição deste ano foi considerada pelos professores como “sem grandes dificuldades” e em consonância com a forma cobrada nas provas anteriores. “Não vimos complicações em nenhuma prova, tudo estava dentro do esperado. O Enem é uma prova grande, trabalhosa e cansativa, os alunos já sabem o que podem esperar”, comenta o diretor de ensino do curso Cave, Nelson Ragazzi.
Já a coordenadora de Língua Portuguesa e Produção Textual do Ensino Médio do Colégio Cristo Redentor (Academia), Érika Mayrink Vullu, apostava em outras temáticas para a redação, como uso da água e as repercussões pós-Copa, mas enfatizou que a preparação dos alunos e os textos de apoio fornecidos na prova são suficientes para garantir um bom trabalho. “Esperávamos temas com maior repercussão na mídia atualmente. A lei é recente e ainda não está tão difundida, mas por ser atualidade, está dentro do previsto também.” Para Ragazzi, o tema não foi surpresa, “discutimos o assunto em sala de aula com os alunos”.
A nota da redação é considerada como decisiva para conseguir vagas em cursos mais disputados, como medicina. Ela tem o maior peso na nota final do concurso e vale, sozinha, mil pontos, o mesmo valor de cada uma das outras duas provas que abrangem todas as demais matérias.
Com relação à prova de linguagens e códigos, o diretor de ensino do Cave diz que foi uma das poucas que não seguiu os critérios dos anos anteriores, mas, ainda assim, não foi considerada difícil. “Houve diferença na distribuição das questões de algumas disciplinas, como literatura.” No entanto, mesmo com o número enxuto de itens relativos à disciplina, a coordenadora de Literatura e Artes da Academia, Maria das Graças Roque Prata Fernandes, comemorou. Segundo ela, os textos utilizados pelo Enem foram trabalhados ao longo do ano em sala, provas e simulados.
Matemática cobra interpretação
A prova de matemática foi outra que não seguiu o padrão dos anos anteriores, sendo considerada um pouco mais difícil, mas ainda dentro do limite esperado pelos educadores. Segundo a professora da disciplina nos colégios Academia e Santa Catarina, Denise Salazar, foram valorizadas, mais uma vez, a leitura e a interpretação de textos. “O conteúdo em si não é muito exigido pelo Enem, como é nos vestibulares. A proposta do exame é justamente avaliar a vida escolar do aluno e não exigir memorização de fórmulas, por exemplo.”
De acordo com a professora, metade da prova envolveu conteúdo do ensino fundamental, e a outra metade do ensino médio. “É um concurso que serve para o aluno que está estudando regularmente, mas também para aqueles que estão há algum tempo fora da escola. Eles são guiados pelo enunciado para resolver os problemas.” O único ponto negativo, ainda conforme Denise, foi em relação ao tempo para a resolução do teste. “Como há muito texto, a prova fica mais longa, e muitos alunos não conseguem chegar ao final, deixando questões sem serem resolvidas.”
Balanço
Em entrevista à imprensa logo após o término do provão, o ministro da Educação, Henrique Paim, fez uma avaliação positiva do Enem 2014. Segundo ele, a tranquilidade nos dias de prova demonstra a consolidação do processo. Dados preliminares do MEC apontam uma queda na abstenção, que foi de 28,6% na edição deste ano, ante 29,7% em 2013. Foram eliminados 236 inscritos pelo uso indevido de telefones celulares e, considerando os demais casos, 1.519 desclassificações.
Os gabaritos das provas objetivas serão liberados até amanhã na página do Inep (www.inep.gov.br), já o resultado final é previsto para janeiro do ano que vem.
