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Sinalização deficiente leva condutores a se perderem

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A ausência de sinalização eficaz em vários pontos de Juiz de Fora desestimula o uso de traçados e ruas que são subutilizados enquanto os caminhos mais conhecidos e com mais indicações de sinais ficam sobrecarregados, principalmente na área central. Em algumas regiões, condutores e até motoristas profissionais, como os taxistas, reclamam das dificuldades para entrar e sair dos bairros por causa dessas falhas na indicação. Um exemplo está no Acesso Sul, na Avenida Maria de Almeida Silva, altura do Bairro Santa Luzia. O caminho foi aberto para ser alternativa àqueles que chegam a Juiz de Fora pela BR-040 e querem se dirigir à Zona Sul. Estes condutores não precisariam ficar retidos no trânsito das avenidas Doutor Paulo Japiassu Coelho, no Cascatinha, e Itamar Franco. No entanto, faltam placas que mostrem as rotas que eles devem tomar caso queiram chegar a bairros como Bom Pastor e Cruzeiro do Sul. Na dúvida, os motoristas preferem percorrer caminhos com melhor sinalização, ainda que tenham que enfrentar os gargalos.

"Trabalho mais na Zona Norte e, quando vou até outras regiões da cidade, tenho dificuldade em encontrar certos bairros. A situação é mais grave na Cidade Alta e na Zona Sul", avalia o taxista Jorge Alves, 60 anos, ressaltando principalmente escassez de placas em áreas do Santa Efigênia, Ipiranga e Sagrado Coração de Jesus.

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Quem chega à cidade pela Zona Sudeste poderia utilizar vias do Bairro Poço Rico sem passar pelo Centro se quisesse alcançar outras áreas, como a Zona Sul e a Cidade Alta. Deste bairro, é possível acessar Granbery, Bom Pastor e Cruzeiro do Sul sem utilização da Avenida Rio Branco. Mas na Rua Osório de Almeida, principal via do Poço Rico, não há informações de como chegar a estas outras localidades a partir das ruas Antônio Dias e Viscondessa Cavalcanti (paralela ao Cemitério Municipal). O mesmo ocorre na direção contrária. Na Avenida Doutor José Procópio Teixeira, no Bom Pastor, faltam esclarecimentos para os condutores que necessitam ir à região Sudeste, onde ficam bairros como Lourdes e Retiro, caminhos necessários para atingir outra saída da cidade, a BR-267. Este percurso, se fosse usado com mais frequência, poderia reduzir o volume de automóveis nas avenidas Rio Branco e Itamar Franco em direção à Avenida Brasil.

O problema se repete na Zona Norte. Embora haja indicações para as saídas do município, a ausência de placas indicando a direção de bairros prejudica os condutores. É o caso da Avenida JK, em frente ao Bairro Santa Cruz.

 

Bairros vizinhos

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A falta de placas traz problemas até mesmo entre bairros da mesma região. Na Avenida Governador Valadares, no Manoel Honório, Zona Leste, não há informações sobre como chegar a bairros próximos, como Bairu, Bonfim e Nossa Senhora Aparecida. "Quem não é de Juiz de Fora fica perdido, não tem jeito. Quase que diariamente precisamos ajudar algum condutor que nos aborda com dúvidas", diz o comerciante Ronaldo Lima, 53 anos. Apenas na rua paralela, a Eugênio Fontainha, que se prolonga até a Rua Barão do Retiro, existem placas indicativas aos bairros Santa Rita e Bonfim.

A Tribuna também circulou pelo Estrela Sul, onde há falhas de sinalização que indiquem bairros vizinhos. Isso acaba prejudicando o trânsito e a população em geral. Quem segue da Ladeira Alexandre Leonel, no Cascatinha, próximo ao shopping, e precisa alcançar o Santa Luzia não precisaria transitar pela Rua São Mateus, que tem fluxo de veículos intenso. Por meio da Rua Luz Interior, onde se concentram novos condomínios residenciais, é possível chegar ao destino, embora não haja sinalização indicando este caminho. O resultado é que, enquanto a São Mateus está sobrecarregada, a Luz Interior tem reduzido fluxo de veículos.

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E ainda no Acesso Sul, em frente à UPA de Santa Luzia, não há informações sobre como alcançar os bairros da região, como Ipiranga, Sagrado Coração e Bela Aurora, por meio da Avenida Darcy Vargas. Segundo a população, a dificuldade também está em conseguir chegar ao Centro. Comerciante e morador do Santa Luzia, Pedro Afonso Pereira, 39, afirma que diariamente é abordado por motoristas em busca de informações. "O mais curioso é que muitos são de Juiz de Fora, mas desconhecem a área. Se para estas pessoas já é difícil, imagine para os turistas."

O taxista Pedro Chaves, 49, afirma que o problema é observado com frequência, sendo agravado nas noites. "Durante o dia, ainda encontramos alguém na rua para nos auxiliar. Nas noites e madrugadas, não temos esta opção. Ficamos perdidos. Isso acontece na cidade inteira", pontua.

Na opinião do presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes, em alguns casos, nem o GPS ajuda no auxílio aos profissionais. "Muitos motoristas usam, mas é necessário manter o aparelho sempre atualizado porque as ruas mudam o sentido constantemente, principalmente em bairros mais novos." Segundo Gonzaga, a Cidade Alta é um dos locais mais difíceis de transitar, principalmente porque algumas vias ainda não estão no mapa do GPS. "Ficamos realmente perdidos. Nesses casos, precisamos pedir ajuda nas ruas ou até mesmo em nosso rádio."

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Para o engenheiro especialista em mobilidade urbana, José Ricardo Daibert, "Juiz de Fora está omissa com relação ao planejamento, o que é grave. As diretrizes da cidade mudam ao longo dos anos. A economia se transforma, e novos bairros são criados. Isso é dinâmico. O trânsito deveria acompanhar isso para ajustar as sinalizações conforme os novos interesses. Hoje este planejamento é feito só de forma pontual, sem estudo científico".

 

Falta estudo de origem e destino

Na opinião do engenheiro especialista em mobilidade urbana, José Ricardo Daibert, a ausência de sinalização vertical indicativa adequada, com placas de orientação de destino, é apenas parte do problema no trânsito da cidade. Segundo ele, falta um tratamento científico na questão de mobilidade. O especialista diz que, há 16 anos, o município não realiza uma pesquisa conhecida como OD (origem e destino), que tem como objetivo identificar as novas demandas no tráfego como um todo, seja no transporte público ou veículos privados. "Hoje as soluções são apenas pontuais. Não há um planejamento pensando a cidade para daqui 20 ou 30 anos. Este tipo de estudo poderia contribuir para conhecermos as deficiências na sinalização e as vias que hoje são subutilizadas, mas poderiam servir para orientar o fluxo." Daibert deu como exemplo a situação da área central de São Paulo, que realiza o estudo desde 1988, a cada dez anos, além de pesquisas intermediárias, a cada cinco.

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A opinião é compartilhada pelo mestre em engenharia de trânsito José Luiz Britto Bastos. Segundo ele, a cidade precisa de uma reciclagem geral a respeito da sinalização, inclusive para facilitar a locomoção de pessoas que chegam de outros municípios. "O estudo de OD é importantíssimo e deve ser feito com frequência. Junto com ele, é importante haver uma pesquisa para verificar a possibilidade de utilizar vias alternativas. Falta incentivo para o uso destas áreas e, muitas vezes, as intervenções são de baixo custo. Certamente medidas como essas contribuiriam para desafogar o tráfego da área central. É necessário haver vontade política."

 

Obras viárias

Segundo a assessoria de comunicação da Settra, para a implantação de novas placas, será importante considerar a execução das obras viárias, uma vez que a circulação urbana sofrerá grandes alterações, sendo necessária a contratação de novo projeto que contemple a revisão de toda a sinalização indicativa existente. Isso será feito a partir dos novos dados das pesquisas de origem e destino, considerando as novas opções de rotas e acessos.

De acordo com a Settra, em 2008, o órgão apresentou e recebeu aprovação federal para a realização do Prositur, projeto de sinalização indicativa turística associada à indicativa viária. A iniciativa contempla, além dos pontos turísticos, indicação de bairros, principais avenidas e outros pontos de interesse público, como hospitais, rodoviária, dentre outros. A secretaria afirma que, na ocasião, um levantamento de campo foi feito por profissionais da Prefeitura. Agora, o Município está em fase de implantação da referida sinalização, que conta, também, com recursos próprios. Já teriam sido implantadas 119 placas indicativas e outras 99 placas estariam contratadas, aguardando análise e liberação da Caixa Econômica Federal. 

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