
Há quase oito meses, moradores da Vila Almeida, no Bairro Linhares, Zona Leste de Juiz de Fora, temem ficar isolados diante da erosão que já engoliu parte da Rua Antônio Ribeiro de Almeida, bem na esquina com a Rua Diva Garcia. Durante as chuvas de fevereiro, as manilhas não aguentaram o volume das águas do Córrego do Yung, que corta toda a região. A fim de evitar acidentes, a própria população instalou sacos de areia às margens da via, por onde transitam até ônibus urbanos (linha 427) e caminhões pesados, mas os riscos continuam evidentes diante da falta de calçada ou de qualquer guarda-corpo. Mesmo assim, o improviso ainda não tem data para acabar.
Segundo a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), a obra para reconstrução do trecho da rua e do sistema de canalização do curso d’água está em fase de contratação, com recursos liberados pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), do Governo federal. De acordo com o mapa de obras disponibilizado pela Prefeitura, o valor solicitado à Sedec, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, é de R$ 236.003,04.
Enquanto o projeto continua no papel, o perigo também ronda casas que ficam exatamente naquele trecho da Rua Antônio Ribeiro de Almeida, que é o único acesso pelo Linhares à Vila Almeida. Caso a erosão torne ali intransitável, a opção dos moradores seria dar a volta pelo Recanto dos Lagos, na Zona Nordeste, o que aumentaria em pelo menos 10 quilômetros a distância em relação ao Centro. Além disso, um ponto de ônibus bem na esquina com a Rua Diva Garcia coloca os usuários do transporte coletivo em risco, já que a estrutura está fixada exatamente em meio à erosão, que também causou rachaduras na pavimentação asfáltica.
Morador constrói cerca para evitar que córrego leve sua casa
Residente da Rua Antônio Ribeiro de Almeida há 10 anos, Rogério Pires, 60, mora em frente à erosão. O Córrego do Yung passa beirando todo o quintal dele e causou estragos também por lá durante as fortes chuvas de fevereiro. “Isso aí tá brabo, tá caindo. Nós que fizemos essa proteção para não cair o resto”, conta ele, sobre os sacos de areia que criaram uma proteção entre a beira da rua e a cratera por onde passa o curso d´água. Em seguida, o morador mostra o próprio terreno prejudicado. “Estou fazendo um muro com ferragens, porque a água entrou pelo quintal aqui embaixo e arrebentou tudo. Subiu uns cinco metros e entrou água nas casas de baixo.” Diante de um novo período chuvoso, Rogério corre contra o tempo. “Se essa rua cair, só conseguimos sair pelo Recanto dos Lagos.”
Também morador da Vila Almeida, Lucas Leopoldo, 32, conta que, a cada chuva, a erosão aumenta. “E o pior é que esse é o único caminho que temos”, constata, sobre a demora do Poder Público em solucionar o problema urbano. “Nossa comunidade mesmo teve que fazer essa barreira com sacos de areia.” Segundo ele, a canalização do córrego não aguentou a pressão da água. “Tem muitas casas aqui, e não queremos ficar isolados.”
A residência onde Letícia Santos, 33, mora com a família fica bem próxima à cratera. “Desde o dia 24 de fevereiro, caiu bastante. E aí, depois de uns dois meses, a população colocou os sacos de areia, mas parece que agora, com essa chuva que não para, tá caindo mais ali por dentro mesmo. A situação está horrorosa. Um pessoal da Prefeitura chegou a vir, mas depois não voltou. E por aqui passa muito caminhão da pedreira, que tem lá em cima. Parece que tá tudo afundando, sabe? E não era assim.”
Enquanto a reportagem conversava com moradores no local, Pablo Dias da Silva, 42, e seu filho, 11, esperavam o ônibus na rua, junto ao meio-fio, já que o ponto, instalado onde deveria haver uma calçada, está fixado direto na terra, em local perigoso. “Estamos aguardando para ver se fazem alguma coisa aí, mas, infelizmente, está do mesmo jeito desde o dia da chuva, em fevereiro”, lamenta o homem, que reside há 15 anos na Vila Almeida. “Nunca aconteceu nada parecido aqui, foi a primeira vez. Precisam também fazer uma limpeza nesse córrego, porque desce muita sujeira lá de cima e fecha a boca da manilha. Sem passagem, a água foi subindo e provocando essa erosão toda.”
A PJF não informou a data para início e nem a previsão de duração das obras. “Para o local, estão previstas a construção de um muro de contenção em gabião (estrutura modular em formato de gaiola feita de malha de aço galvanizado e preenchida com pedras naturais) e a recomposição da via, com pavimentação e implantação de passeio”, informa a PJF, enfatizando que toda a bacia do Córrego do Yung está contemplada nos estudos do Plano Municipal de Drenagem.

