
Serviço fica mais restrito sem aparelho na São João
Seja por desuso ou depredação, os telefones públicos estão sendo retirados da região central de Juiz de Fora. No local dos orelhões, permanecem apenas as hastes que os mantinham fixos nas calçadas. Com isso, o que era para ser um serviço acaba se transformando em obstáculo para pedestres, principalmente as pessoas com deficiência. A Tribuna circulou pelas ruas e encontrou pelo menos oito hastes espalhadas em vias como a São João, Marechal Deodoro, Espírito Santo, Rio Branco, Afonso Pinto da Mota e Santa Rita. Nesta última, uma delas acabou virando lixeira. "É um verdadeiro depósito de papel. Inclusive a funcionária do Demlurb que faz a limpeza já retira o lixo de lá", destacou o monitor da Área Azul Richard Márcio, 21 anos, que trabalha diariamente na rua.
O arquiteto, urbanista e professor do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES-JF) Bruno Sarmento reconhece que as estruturas trazem prejuízos para a locomoção da população e que já deveriam ter sido retiradas. Em contrapartida, ele ressalta que o problema serve para que o Poder Público repense sobre as novas tendências em vias públicas. "Arquitetos e designers defendem a ideia de se concentrar sinalizações verticais e demais equipamentos em menor número de elementos para reduzir as interferências, inserindo, em um único poste, luz, lixeira, orelhão e placas de trânsito. Isto favorece a acessibilidade e aumenta as áreas de aproveitamento das calçadas, diminuindo custos de manutenção e instalação. Infelizmente, ainda não há projetos desta natureza na cidade."
A Oi, empresa responsável pela telefonia pública em Minas Gerais, informou que está implantando um programa de uso das hastes para colocação de hotspots de wi-fi, para ampliar a cobertura externa sem fio de internet banda larga. Quanto ao número de orelhões, em novembro de 2011, a Tribuna publicou reportagem sobre a diminuição destes equipamentos na cidade. Na ocasião, havia 3.398 instalados no município. Dados recentes da Oi revelam que, em 11 meses, 773 unidades foram retiradas, havendo hoje um total de 2.625. Ainda segundo a operadora, o percentual de vandalismo no Estado – 18%- reflete na cidade. Por mês, 472 orelhões são danificados em Juiz de Fora. A companhia ressaltou que continua investindo e revitalizando sua planta, conforme compromisso assumido junto à Anatel para a troca de 252 mil aparelhos até 2013.
Utilização
Mesmo com a grande oferta de celulares, ainda há quem utilize os orelhões com frequência. Para ilustrar esta realidade, a reportagem da Tribuna observou que, em menos de dez minutos, três pessoas utilizaram um orelhão no começo da Rua São João. A turismóloga Mariana da Silva Santiago, 25, foi a primeira. "Fiz muito uso na adolescência e hoje procuro quando o celular fica sem bateria, mas é raro encontrar um que funcione."
A balconista Thaís Vasconcelos, 21, segunda a procurar pelo mesmo telefone, sentiu dificuldades em operar o aparelho. "Nunca usei e nem sei se ainda vende cartão", comentou. O último usuário, o dentista aposentado Waldair Lima, 77, ainda prefere contar com os orelhões para se comunicar. "Não uso celular e, pelo menos três vezes na semana, faço ligações através deles. O problema é que estão em péssima qualidade." A psicóloga Maria das Dores Saraiva, 61, concorda e ainda ressalta outro agravante: cartões com defeito. "Parece que fazem de propósito para não usarmos mais. Os orelhões fazem falta quando viajo, pois há localidades em que não existe sinal de celular. Estão quase em extinção."

