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Seis casas invadidas por ladrões por dia

porta teve o vidro quebrado para facilitar o arrombamento marcos araujo

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Porta teve o vidro quebrado para facilitar o arrombamento (Marcos Araújo)
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Porta teve o vidro quebrado para facilitar o arrombamento (Marcos Araújo)

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Cadeado arrombado em portão (Marcos Araújo)

Morador mostra câmera adquirida para monitorar a frente da sua casa (Marcos Araújo)

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Serralheiro instala cadeado interno para reforçar a segurança do portão (Marcos Araújo)

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Seis residências foram alvos de criminosos, a cada dia, em Juiz de Fora, no primeiro semestre deste ano. A média tem base nos dados divulgados pela Polícia Militar. Ao todo foram 1.380 casos divididos em furtos, arrombamentos, assaltos à mão armada e tentativas destes tipos de crime, entre janeiro e julho. Houve também um salto na taxa de crimes contra o patrimônio, que envolvem o de roubo consumado. Se em dezembro de 2014, a taxa era de 14,53 por cem mil habitantes, em julho deste ano, último registrado no mapa de resultados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o dado era 20,34 por cem mil habitantes.

Vítimas foram agredidas, amordaçadas e amarradas. Imóveis foram invadidos durante a madrugada, ocasião em que ladrões fizeram “a limpa” enquanto dormiam os moradores, sem falar nos danos causados ao patrimônio, com portas, janelas, portões e muros destruídos para facilitar os objetivos dos bandidos, além do prejuízo dos pertences roubados.

As famílias que vivenciaram estas situações tiveram que mudar seus hábitos. Vizinhos das casas assaltadas também tiveram suas rotinas alteradas e buscaram meios de aumentar a segurança. Muros ficaram mais altos, janelas e portas gradeadas, enquanto moradores aprenderam a lidar com o medo. Os dados oficiais referem-se aos primeiros sete meses do ano, mas os casos não pararam de acontecer. No início de setembro, quatro irmãos, entre eles três idosos, foram mantidos reféns após a casa deles ser invadida por um criminoso, na Rua Visconde de Mauá, no Santa Helena, na região central da cidade.

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Depois de subir no terraço da residência vizinha, o bandido quebrou o basculante de um banheiro, entrou na casa e rendeu três mulheres, de 60, 69 e 72 anos, e um homem, 67. As vítimas foram ameaçadas de morte com duas facas que o ladrão pegou na cozinha. Depois de roubar R$ 1.800, um brinco de ouro, uma caixa de bijuterias e peças de roupas, o bandido fugiu pelos fundos da casa, andando pelo parapeito, a uma altura de quase dez metros. A ousadia do ladrão deixou vários moradores da Visconde de Mauá inseguros e, por isso, já pensam em se reunir para encontrar medidas para aumentar a segurança do bairro junto com a Polícia Militar.

Na quarta-feira, um serralheiro instalava um cadeado interno no portão da casa de Ana Maria Pires, 60. “Pedi para reforçar a porta, além da chave. Também vou colocar uma grade num basculante, para ter mais segurança”, disse a dona de casa. No imóvel ao lado, o morador José Maria Larcher, 69, contou que sua residência foi invadida no início de julho. “Arrombaram a porta da frente e levaram computador, celular e relógio. Já aumentei o muro dos fundos e quero subir o da frente. Agora, comprei um kit com câmeras de segurança e vou instalá-lo”, afirmou o aposentado, lembrando que a casa na frente da sua também foi arrombada. “Nos últimos dois meses, os casos têm sido frequentes. As pessoas que estão fazendo isso observam a rotina dos moradores e agem quando não estão em casa.”

“Tenho grade em tudo. Já entraram na minha casa, levaram uma escada e ainda defecaram aqui. Meu plano é subir o muro da frente e eletrificá-lo”, projeta o aposentado Moacyr Pereira, 85, que mora no bairro há mais de 50 anos

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Insegurança na região da Cidade Alta

Os registros de casas “visitadas” por criminosos são pulverizados em todas as regiões do município. Na Cidade Alta, moradores do Bairro Bosque do Imperador estão apreensivos, depois do arrombamento de algumas moradias. Em julho, a dona de casa Maria da Glória da Costa Jaemick, 63, teve a casa invadida, quando os moradores ficaram fora por cerca de três horas. Quando voltaram, eles perceberam que o lugar não estava da maneira que deixaram. “A porta da cozinha estava aberta, e a janela arrombada. Ficamos com medo e só entramos na casa na presença dos policiais. Espalharam tudo. Levaram dois televisores, dois notebooks, furtaram equipamentos de camping, mochila e joias”, relata a moradora, lembrando que a vizinha contou que, mais cedo, três homens de capuz perambulavam pela rua e um teria permanecido fumando na frente da casa dela.

Como o portão não foi arrombado, Maria da Glória acha que os bandidos pularam o muro de mais de dois metros de altura. “O mais revoltante é que ainda não temos um retorno do que aconteceu. Ninguém foi preso, não teve perícia e nossos pertences não foram recuperados. Ficamos sabendo depois que o notebook estava sendo vendido aqui na Cidade Alta. Ligamos para a PM para dizer onde o aparelho estava sendo vendido, mas sabe a resposta que recebemos: vai lá e compra, segura o ladrão e chama a gente. Teria que virar receptadora para prender os bandidos?”, questiona a vítima. Hoje, ela, marido e filhos também mudaram seus hábitos. “Não deixamos mais a casa sozinha, fechamos tudo mais cedo e vivemos com medo. Sobrou uma sensação de vazio, de abandono pelo Poder Público, pois pagamos pela segurança que o Estado não dá.”

Idosa perde a consciência após agressão

“Tenho medo de me deparar com os criminosos de novo”, essa é a sensação que Juliane Alvarenga, 28 anos, tem todas as vezes ao chegar em casa. A fisioterapeuta diz que não ficou traumatizada, mas ela e toda a família mudaram os hábitos após terem o lar invadido, em abril deste ano, por dois homens armados. O assalto aconteceu, no período da manhã, no Sagrado Coração, Zona Sul, quando a tia de Juliane, uma senhora de 78 anos, foi vítima de uma tentativa de enforcamento. “Estava na sala, usando o computador, e minha tia foi ao quintal, quando foi surpreendida por dois bandidos escondidos atrás de uma mureta. Um deles deu-lhe uma gravata e a levou para a dispensa. Minha tia teve o pescoço tão apertado que perdeu a consciência, além de ser amarrada”, relatou a fisioterapeuta, acrescentando que, atualmente, a idosa não fica mais sozinha em casa.

Depois que a senhora foi rendida, os bandidos entram na casa onde estavam Juliane e sua irmã, 25. “Eu estava na sala e, quando vi, comecei a tremer, mas achei que era brincadeira, pois estavam encapuzados. Eles mandaram eu ficar quieta e disseram que era um assalto”, relatou a moradora. Segundo ela, a irmã estava dormindo, mas acordou com a movimentação e também foi rendida. “Um era muito violento, enquanto o outro, mais tranquilo. Eles estavam com duas facas de açougueiro e outra menor. Vasculharam toda a casa. Fiquei com pânico de ser abusada. Como sou evangélica, falei de Deus e disse para mudar de vida, mas ele alegou que não davam oportunidade.”

Os ladrões fugiram depois que o pai da fisioterapeuta chegou ao local. Após muita conversa, ele convenceu os ladrões a irem embora sem fazer mais mal às outras pessoas. “Colocamos cerca em tudo. O portão não fica mais aberto. O quintal foi todo iluminado. O lar é um lugar que é só nosso. Ter um estranho dentro dele é assustador. Percebemos o quanto a vida é preciosa, quando existe uma possibilidade de perdê-la.”

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