Uma mulher de 36 anos, grávida de quatro semanas, foi morta em um caso de feminicídio dentro de casa na noite de segunda-feira (10), no Bairro Santo Antônio, na região Sudeste de Juiz de Fora. Após o crime, o companheiro da vítima e suspeito do crime, também de 36 anos, fugiu, mas foi localizado pela Polícia Militar em um bairro da Zona Leste. Ele confessou o crime.
A Polícia Civil informou na manhã desta terça-feira (11) que o auto de prisão em flagrante do suspeito está sendo realizado. O caso foi recebido na Delegacia de plantão da Polícia Civil onde segue nas tramitações iniciais. À Tribuna de Minas, a irmã da vítima, de 26 anos, afirmou esperar que o caso seja responsabilizado pela Justiça. “Que Deus possa confortar o coração de todos nós e receber ela e essa criança de braços abertos”, disse. “Quero que a justiça seja feita, não por nós, mas por ela e por essa criança”, acrescentou, em referência ao sobrinho que a irmã ainda gestava.
Antes do crime, vítima relatou à irmã comportamento agressivo do companheiro
Natural de Petrópolis (RJ), a vítima morava em Juiz de Fora há cerca de um ano e meio e mantinha um relacionamento com o suspeito havia pelo menos quatro meses. Os dois viviam juntos na residência onde ocorreu o crime.
A mulher estava com aproximadamente quatro semanas de gestação e, segundo a irmã, esperava o primeiro filho. A familiar, que há quinze dias havia se mudado para o mesmo imóvel junto com as duas filhas de 2 e 7 anos contou que a irmã já havia desabafado sobre comportamentos agressivos do companheiro e que, em outras ocasiões, ele teria tentado esfaqueá-la.
O crime
A irmã da vítima testemunhou o crime, já que estava na residência com as duas filhas, ainda crianças, quando o homem chegou ao imóvel e iniciou uma discussão com a companheira. De acordo com o relato prestado à PM, durante o desentendimento, o suspeito chegou a separar duas sacolas com roupas, na intenção de deixar o imóvel. Antes de sair, porém, começou a série de violências contra a vítima.
A mulher conta que deixou a residência acompanhada pelas filhas e já em via pública começou a gritar por socorro. Um vizinho relatou ter visto o homem deixar o imóvel com uma faca nas mãos. Segundo a testemunha, ele chegou a retornar à residência, mas saiu novamente em seguida. Outro morador tentou alcançá-lo durante a fuga, mas o suspeito conseguiu deixar o local.
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por volta das 20h. Ao chegar ao imóvel, os militares encontraram a vítima sem sinais vitais, atrás da porta da sala. Segundo o registro policial, ela apresentava ao menos oito ferimentos provocados por faca em diferentes partes do corpo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-Cisdeste) constatou a morte às 20h27.
Suspeito classificado como de ‘alta periculosidade’
O suspeito, natural de Belo Horizonte e conhecido pela alcunha de “BH”, foi identificado após a Polícia Militar encontrar a carteira de habilitação dele e testemunhas reconhecerem o homem, conforme registrado no boletim de ocorrência. A PM iniciou buscas em diferentes bairros da cidade até que uma equipe da 70ª Companhia localizou o suspeito na Rua Carolina de Assis, no Bairro Manoel Honório, na Zona Leste de Juiz de Fora. Com ele, foram encontrados R$ 25 em dinheiro. O homem foi preso em flagrante.
Aos policiais, o suspeito alegou que a companheira teria pegado uma faca e avançado em sua direção. Segundo a versão apresentada por ele, após conseguir tomar a arma, desferiu os golpes contra a mulher. No boletim de ocorrência, o homem é classificado pela Polícia Militar como de “alta periculosidade”. Para justificar a classificação, o documento menciona “envolvimento com quadrilhas/bancos” e/ou a existência de “grande número de registros policiais e processos judiciais em andamento”.
Em caso de violência, denuncie
Em caso de violência contra a mulher, denúncias podem ser feitas pelo 190, em situações de emergência, ou pelo 180, na Central de Atendimento à Mulher. Também é possível acionar o Disque-Denúncia Unificado (181) ou registrar a ocorrência pelo aplicativo MG Mulher. As vítimas ainda podem procurar Delegacias da Polícia Civil ou unidades da Polícia Militar de Minas Gerais. Em casos como ameaça, lesão corporal, vias de fato e descumprimento de medida protetiva, o registro também pode ser feito pela Delegacia Virtual.

