A análise das amostras da cerveja citada no caso da morte do policial militar da reserva por suspeita de intoxicação em Juiz de Fora não constatou a presença de solventes da classe de glicóis, como monoetilenoglicol, dietilenoglicol e metiglicol. A informação foi divulgada, nesta sexta-feira (11), pela Polícia Civil.
De acordo com a delegada Mariana Veiga, responsável pelo caso, o inquérito policial agora aguarda a conclusão do laudo de necropsia, e as investigações prosseguem no sentido de apurar a causa e as circunstâncias da morte de Antônio Paulo dos Santos, de 61 anos.
Ele faleceu na noite do último dia 27, após ficar duas semanas internado no CTI do Hospital Albert Sabin com complicações renais e suspeita de intoxicação.
Segundo boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, uma biópsia renal, realizada ainda durante a internação do policial, sugeriu contaminação pela substância química “dimetil glicol”. A Vigilância Sanitária chegou a ser acionada e recolheu duas latas de cerveja que teriam sido compradas pelo policial junto com as outras duas que foram consumidas por ele, em 7 de maio, na véspera de apresentar as primeiras indisposições físicas.
Ocorrência
Ainda de acordo com o registro policial, a esposa de Antônio relatou que, no dia 7 de maio, ele havia almoçado dois pratos de feijoada em um restaurante da região central. Na noite do mesmo dia, o militar levou quatro latas de cerveja para casa e consumiu duas delas. A mulher, no entanto, não soube precisar se ele havia bebido outras cervejas antes de chegar à residência. Já no dia seguinte, o homem acordou indisposto, dizendo estar se sentindo “empanzinado”. Na madrugada do dia 9, ele passou muito mal e procurou atendimento médico, sendo atendido e liberado com “quadro característico de intoxicação alimentar”.
Ainda conforme o relato da esposa, o policial permaneceu com dores abdominais, se alimentando pouco e ingerindo muita água. No dia 13, ele teria ficado com a “boca torta” e se contorcido de dor. Desta vez, ao chegar ao hospital, foi diretamente para o CTI. No dia 20, a mulher foi comunicada sobre a gravidade do caso, diante do resultado da biópsia renal, que sugeriu envenenamento por “dimetil glicol”.
Segundo o boletim de ocorrência, quando o paciente retornou ao hospital no dia 13, ele já apresentava quadro de insuficiência renal e vômitos. No CTI, foi submetido a hemodiálise, sendo entubado no dia seguinte. Conforme a PM, os médicos disseram não poderem precisar a forma como a substância tóxica havia entrado no organismo do paciente e nem a sua origem. O boletim de ocorrência foi registrado na manhã do dia 27, quando o policial já não respondia mais às funções cerebrais.

