O Campus da UFJF deve ser transformado em um verdadeiro Big Brother. A previsão é de que mais de mil câmeras de vigilância entrem em funcionamento na instituição ainda esse ano. Oitocentos dispositivos de alta definição serão espalhados pelo campus e outros 16 equipamentos speed dome, que giram 360 graus, devem ser instalados nas áreas de divisa com comunidades vizinhas e controlados em tempo real por uma central de monitoramento. O projeto prevê ainda a colocação de câmeras térmicas, para captação de imagens noturnas pela fonte de calor, que serão espalhadas pelo campus, além de outras colocadas nos principais acessos para detecção de face. A informação foi divulgada pela Pró-reitoria de Infraestrutura depois de a segurança no local ter sido novamente colocada em xeque, após registros de duas ocorrências nesta semana. Em um dos casos, duas adolescentes, 12 e 13 anos, teriam sido aliciadas por um homem, e uma delas sofrido coma alcoólico, após consumir vodka em uma trilha do campus. Na outra ocorrência, um homem foi preso por ato obsceno dentro do banheiro feminino da Faculdade de Letras.
No caso das adolescentes, o pai de uma delas chegou a solicitar imagens à universidade na tentativa de identificar o homem que teria oferecido bebida à filha. No entanto, "a resposta foi que não seria possível, já que os equipamentos não estavam em funcionamento". Questionada, a UFJF confirmou que as atuais 212 câmeras espalhadas pela campus estão sem operar há mais de um mês. "Elas estão dependendo de reparos para voltar a funcionar. Mas a questão está sendo tratada com a urgência que o caso requer", explicou o secretário de Segurança da instituição, José Carlos Tostes. De acordo com a Secretaria de Comunicação, os dispositivos deixaram de funcionar por causa do rompimento dos cabos de fibra óptica durante obras na universidade.
Receio entre universitários
Enquanto as câmeras estão inoperantes, a sensação de insegurança predomina no campus. Calouros, veteranos e visitantes relatam temor e cobram também mais iluminação no espaço. "Estudo aqui perto e, geralmente, saio da aula e venho passear, mas nunca venho sozinha, sempre com amigos. É uma área muito grande e deserta em alguns lugares. Depois desse caso com as meninas da minha idade, fiquei mais preocupada ", contou uma adolescente, 13, que estava na companhia da avó. "Agora ela só vem acompanhada", disparou a dona de casa, 62.
Entre os acadêmicos ouvidos, sobretudo os que estudam no período noturno, a apreensão faz parte da rotina. "Com a saída de outros cursos deste prédio, a Faculdade de Letras ficou muito deserta. Além do mais, a iluminação é péssima, e quase não há vigilante neste lado. Depois das 21h, a gente fica com medo até de sair de sala para ir ao banheiro", relatou a universitária Juliana Schmitt, 23.
Recém chegados aos campus, alunos da engenharia civil, procuram andar juntos para se proteger. "Tem pontos muito desertos. Dá medo, sim. Os prédios são distantes um dos outros, e o ônibus que circula aqui dentro só roda no horário do almoço. Como temos que andar a pé, sempre esperamos um grupo para irmos", disse o calouro Ailton José de Castro Júnior, 18.
Vigias e vigilantes contam que precisam agir com frequência para impedir atos ilícitos na unidade. "A maioria dos que entram aqui para praticar algo errado é de fora. Mas não podemos impedir ninguém de circular aqui dentro. A área do campus é muito grande e foge ao nosso controle, principalmente o consumo de drogas. O que fazemos é abordar a pessoa e convidá-la para ir até a sala de segurança, onde acionamos os órgãos competentes, como Conselho Tutelar (em caso de menores de idade) e Polícia Militar", afirmou um vigilante, 58.
Investimento de R$ 24 milhões em vigilância
A promessa da UFJF, ao fazer investimentos da ordem de R$ 24 milhões, é garantir um sistema eficaz de segurança. Além das 800 novas câmeras de alta definição na área externa e dos equipamentos térmicos noturnos, os 212 dispositivos que hoje estão inoperantes serão reaproveitados dentro das unidades acadêmicas. O campus ainda será dotado de totens com telefones de emergência e de barreiras físicas eletrônicas.
De acordo com pró-reitor de Infraestrutura, Paschoal Tonelli, serão três grandes intervenções. "O pregão já foi realizado. A Engetran fará a repaginação total do anel viário do campus, com nova pavimentação e equipamentos urbanos, com objetivo também de povoar áreas hoje subutilizadas. Somente este projeto está orçado em R$ 8 milhões. Já a Came do Brasil irá implantar cancelas com barreiras eletrônicas – pilares automáticos de aço – nos pórticos Norte e Sul e em todas as vias de acesso às unidades acadêmicas. Com isso, conseguiremos ter controle sobre todas as entradas e saídas da UFJF. Esses equipamentos já estão em Juiz de Fora. Já a 7Lan, que venceu a disputa por um orçamento de R$ 23,9milhões, fará a implantação das 800 câmeras HD no campus, 16 câmeras speed dome, que filmam à noite e em 360 graus, além da instalação dos totens com telefones de emergência por todo campus. Assim, em qualquer situação de risco, o usuário poderá contatar a vigilância."
Segundo Tonelli, o cronograma para o início das intervenções está sendo definido com as três empresas. "Como uma interferência está ligada à outra, estamos fechando o cronograma com cautela para que as empresas atuem conjuntamente, evitando retrabalho e desperdício de tempo e dinheiro."
