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JF tem 35 vítimas de escorpião por ano

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A morte de um adolescente de 15 anos, na quinta-feira (10), após ser picado por um escorpião, desperta a atenção para o perigo que os animais peçonhentos, presentes em quantidade em vários bairros de Juiz de Fora, representa para a população. Segundo o Setor de Zoonoses da Secretaria de Saúde, o garoto, enterrado nesta sexta-feira (11) no Cemitério Municipal, foi picado em casa, no Retiro, Zona Sudeste, ao calçar um sapato. O caso foi considerado atípico. Das cerca de 35 vítimas anuais de escorpiões na cidade, 90% apresentam apenas dor intensa e inchaço no local da picada. Há suspeita de que o garoto fosse alérgico ao veneno do aracnídeo, devido à rapidez com que seu estado evoluiu para choque anafilático. Até então, o último óbito por acidente com o escorpião em Juiz de Fora havia ocorrido em 2005, sendo a vítima uma menina, 14, moradora do Jardim das Pedras Preciosas, bairro próximo ao Retiro.

O veterinário do Setor de Zoonoses, José Geraldo de Castro Júnior, explica que a região onde o acidente aconteceu é propícia ao aparecimento de escorpiões por estar muito perto de uma pedreira, habitat natural desse tipo de animal. A situação é a mesma em bairros como Jardim Esperança e Cidade do Sol, também na região Sudeste. Já Poço Rico e Granbery também são consideradas áreas de risco, devido à proximidade com o Cemitério Municipal. Eles gostam de locais sombreados e frescos, então as frestas existentes nos túmulos oferecem condições favoráveis, além de o local ser propício ao aparecimento de baratas, principal alimento dos escorpiões, explica.

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Integrante da Associação de Moradores do Granbery, Cláudia Milard confirma que a presença de escorpiões nas ruas é constante. Porém, acredita que os motivos que atraem os aracnídeos sejam outros. Falta capina, e catadores de papel têm transformado pontos do bairro em depósito, o que atrai baratas e, consequentemente, escorpiões. Quando chove, nossos bueiros não dão vazão e transbordam. Os animais que vivem ali saem todos para a rua. Ficamos preocupados, conta. No Manoel Honório, o problema também é constante. A Prefeitura dedetiza, mas eles aparecem de novo, principalmente nas garagens dos prédios, afirma o presidente da associação de moradores do bairro, Gilson Soares.

José Geraldo explica que a Zoonoses é responsável pelo controle das pragas urbanas nas vias públicas, fazendo dedetização e atividades educativas para prevenção quando necessário. Mas, infelizmente, não temos como eliminar definitivamente esses animais. O veterinário informa que a prevenção está associada ao acondicionamento e à destinação adequada do lixo e às condições gerais de asseio de residências e áreas externas. A população pode se prevenir colocando telas nos ralos, vedando janelas e soleiras de portas, organizando o quintal, mantendo rodapés firmes e afastando as camas das paredes, por exemplo.

Ele alerta, ainda, que, em caso de acidente, o ideal é procurar imediatamente o Hospital de Pronto Socorro (HPS), referência regional para os serviços de soroterapia. Os sintomas mais comuns são dor muito forte e inchaço no local da picada. O agravamento se caracteriza por alterações da pressão arterial, sudorese intensa e vômitos.

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