
Nova faixa foi pintada druante a manhã
Mesmo depois da retirada de parte dos traffics calmings, da instalação de placas de sinalização e temporizadores, e da presença ostensiva de agentes de trânsito da Settra, a travessia da Avenida Rio Branco, na esquina com a Itamar Franco, continua confusa. Durante a noite de quinta-feira (10), foi removida a faixa elevada paralela à via, dando lugar a faixas de pedestres padrão. O traffic calming que havia sido instalado na faixa de sentido Manoel Honório/Bom Pastor precisou ser realocado alguns metros à frente, visto que, da maneira como estava, sua localização coincidia com a da garagem de um prédio.
Durante os 40 minutos em que a reportagem esteve no cruzamento, vários flagrantes de imprudência, tanto por parte de pedestres quanto de motoristas, foram registrados. Depois de quase ter se acidentado, o comerciante Guilherme Moreira Duarte, 31 anos, disse estar confuso quanto a nova formatação. "Se eu que sou jovem tenho dificuldades de compreender a maneira correta de se fazer essa travessia, imagino que uma pessoa de idade mais avançada ou, até mesmo, um deficiente terá problemas ainda maiores, mesmo com essa infinidade de placas e semáforos".
O excesso de sinalização do trecho foi apontada como fator prejudicial a compreensão das pessoas pelo presidente do conselho fiscal da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), Mario Jacometti, que, à convite da Tribuna, esteve no local, apontou falhas e sugeriu soluções. "O excesso de informação pode gerar uma desinformação. São tantos sinais luminosos, placas e orientações por parte dos agentes que o pedestre pode ficar ainda mais confuso".
Foi o que aconteceu com o médico José Carneiro, 63 anos. "Quando eu comecei a atravessar a rua fiquei atento a um semáforo que estava verde, porém, quando ia seguindo pela faixa um agente de trânsito me interrompeu dizendo que o semáforo era para outro trecho da travessia. Não consegui compreender qual sinal eu deveria seguir."
Para Jacometti, o trecho já concentra um grau elevado de riscos, haja visto a grande concentração de veículos e de convergências de pistas. "No meu ponto de vista a melhor solução seria retirar essas modificações e acabar com a travessia nesse trecho. Os pedestres trocariam de margem na Rio Branco em outros pontos próximos, como na pista oposta da Itamar Franco ou, até mesmo, no cruzamento com a Rua Oscar Vidal." Ele também apontou que o hábito das pessoas em atravessar seguindo uma trajetória diagonal, como era feito até então, também dificulta a compreensão do novo método e que, talvez, o retorno ao modelo antigo também seria uma boa opção.
"Que a obra na Rio Branco é necessária não há a menor dúvida. O que se há de pontuar é que, apesar de alguns acertos, como na questão dos pontos de ônibus, há também uma série de equívocos, como esta travessia. Uma transformação deste porte, com mais de 6 km de obras, deveria ter sido feita em etapas, que após de uma série de testes poderia ou não ser estendida para toda a via", pontuou Jacometti.
A Settra informou, por meio de uma nota oficial enviada no início da noite de quinta-feira (10), que a remoção dos dispositivos foi feita para garantir a segurança da população, já que "a equipe técnica verificou que não estava claro para os pedestres que o traffic calming era um local de travessia, e não um passeio." Ainda na nota, a assessoria ressalta que os gastos para a retirada "fazem parte do conjunto de despesas da empresa contratada para a obra, que absorve os custos do processo", e que os trabalhos não vão prejudicar o cronograma da reestruturação urbanoviária da Rio Branco, com conclusão prevista para junho.

