
Placa instalada chama atenção para coletivos
A Prefeitura repensou a instalação de parte dos traffic calmings no cruzamento das avenidas Rio Branco e Itamar Franco (antiga Independência), no Centro, implantados na última terça-feira(8). A assessoria de comunicação da Settra divulgou ontem, em nota, a decisão de remover, ontem à noite, a faixa elevada paralela à Rio Branco, dando lugar a faixas de pedestres padrão, que serão pintadas hoje sobre o asfalto. Também ontem, equipes da secretaria iniciaram a introdução de temporizadores nos semáforos do local, para orientar o tempo de passagem dos pedestres. Já os traffic calmings que seguem o traçado da Itamar Franco, nas pistas de veículos, serão mantidos. Entretanto, o que foi instalado na faixa de sentido Manoel Honório/Bom Pastor será realocado alguns metros à frente, visto que, da maneira como está, sua localização coincide com a da garagem de um prédio.
Desde a implantação dos dispositivos, especialistas e usuários criticaram a nova disposição para a travessia, e o assunto teve grande repercussão nas redes sociais. Após a publicação da matéria sobre o assunto na edição de ontem, a Tribuna recebeu dezenas de e-mails de leitores insatisfeitos com a situação."Deveriam ter mantido a travessia em linha reta, como era antes", observa um deles. "Gasta-se rios de dinheiro em uma obra mal feita, confusa e feia", protesta outra. "Onde estão os engenheiros? Pelo que se vê, falta planejamento", questiona mais um.
A Settra informou que a remoção dos dispositivos foi feita para garantir a segurança da população, já que "a equipe técnica verificou que não estava claro para os pedestres que o traffic calming era um local de travessia, e não um passeio." Ainda na nota, a assessoria ressalta que os gastos para a retirada "fazem parte do conjunto de despesas da empresa contratada para a obra, que absorve os custos do processo", e que os trabalhos não vão prejudicar o cronograma da reestruturação urbanoviária da Rio Branco, com conclusão prevista para junho.
Para alguns usuários, a pintura das faixas brancas deve facilitar a orientação ao atravessar a via. "Diminui o risco de acidentes, porque é mais fácil as pessoas entenderem que têm que esperar o sinal. Mas acho que ainda há riscos", opina a secretária Emilene Dilva. Outros, contudo, não veem melhora. "Para mim, a faixa não muda em nada. Acho que o trecho continua perigoso, demora muito para ser cruzado, e a orientação é difícil", diz o empresário Fábio Cerqueira.
Para o especialista em trânsito e membro da Comissão Municipal de Segurança e Educação no Trânsito (Comset), José Luiz Britto Bastos, a decisão da Prefeitura sana o problema. "A faixa não deixa margem para dúvida, é uma sinalização que o pedestre conhece e terá suporte dos temporizadores, reduzindo muito os riscos." Já o professor do Departamento de Trânsito da UFJF, José Alberto Castañon, defende que somente as faixas e os semáforos não são suficientes para garantir a segurança. "Não basta fazer esta substituição, porque a responsabilidade das autoridades em relação à proteção do pedestre continua existindo. A instalação da faixa e dos semáforos cria uma área de travessia onde o usuário deve, prioritariamente, sentir-se seguro, mas nem sempre está. O trecho pode continuar, na prática, funcionando como uma armadilha, porque ônibus e pedestres continuarão dividindo o mesmo espaço."

