
Com 1.539 casos notificados e 1.051 diagnósticos confirmados, Juiz de Fora está oficialmente em epidemia de dengue. Neste cenário crítico, a Secretaria de Saúde investiga três óbitos possivelmente relacionados à doença: um ocorrido no Hospital Universitário (HU/UFJF), outro no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e um terceiro em unidade não informada pela pasta. O secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, anunciou que já foram adquiridas 50 cadeiras para a abertura de salas de hidratação de doentes, enquanto aguarda a chegada dos carros fumacê, cedidos pelo Governo de Minas.
As cadeiras serão repassadas a hospitais da cidade e, caso haja necessidade, podem ser requisitados mais 50 exemplares. A informação é de que a estruturação do sistema, incluindo a lista das unidades que prestarão o serviço de hidratação, deve ser fechada até a próxima semana. Além disso, a secretaria já alertou o Hemominas em relação à possibilidade de casos de dengue hemorrágica, quando os pacientes podem precisar de transfusões. A intenção é potencializar as campanhas de doação, para que não faltem bolsas de sangue.
"Já passamos da fase de suspeita para a caracterização de uma epidemia. Agora temos que nos esforçar para que não haja mortes", diz a subsecretária de Vigilância em Saúde, Glênia Campos. Segunda ela, para que não faltem insumos ou leitos, a subsecretaria reativou o Comitê de Combate à Dengue, que reúne todas a subsecretarias da Saúde e vai determinar as ações necessárias para que hospitais, postos de saúde e UPAS funcionem de forma coordenada durante o surto.
José Laerte afirma que providências para o momento de epidemia já vêm sendo tomadas desde a divulgação do primeiro Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (Liraa), em janeiro, que apontou infestação de 7,56%. O segundo Liraa, em março, indicou percentual de 7,75% de infestação do Aedes aegypti, quando o máximo admitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 1%. O Estado já autorizou o uso de carro fumacê, e a expectativa é de que os veículos cheguem na próxima semana. Glênia soube não soube precisar quantos automóveis serão disponibilizados para a cidade, mas observou que dos 40 agentes de endemia que passam por treinamento nesta semana, 20 vão trabalhar com o fumacê.
José Laerte lembrou também que dos mil testes rápidos para diagnóstico de dengue distribuídos pela Susperintendência Regional de Saúde (SRS), 800 já estão disponíveis para os laboratórios do HPS, Hospital Regional Doutor João Penido, UPAs, Acispes, Santa Casa e Hospital Monte Sinai. Os 200 restantes, de acordo com o superintendente regional de Saúde, Cláudio Reis, foram entregues para municípios da região, que também apresentaram casos de dengue: São João Nepomuceno, Matias Barbosa, Bicas e Mar de Espanha.
O resultado do teste rápido fica pronto entre 15 e 20 minutos, e o exame pode ser aplicado até o quarto dia do início dos sintomas. Entretanto, Glênia lembra que o recurso deve ser utilizado em pacientes graves ou com potencial de gravidade, para agilizar o tratamento. "Se o teste der positivo, está confirmada a doença. Caso contrário, faremos a sorologia, possível a partir do sétimo dia dos sintomas". Isso porque, segunda a subsecretaria, o teste não tem boa sensibilidade, por exemplo, para o sorotipo 4 da dengue, podendo não diagnosticar pacientes com este vírus.

