Alunos da rede municipal estão tendo o ensino prejudicado pela falta de professores. Na Escola Municipal Presidente Tancredo Neves, no São Pedro, Cidade Alta, por exemplo, o quadro estava com desfalque de cerca de 20 profissionais até a semana passada. Na Escola Municipal Maria José Vilela, no Centro, que deveria funcionar em tempo integral, os estudantes estão sendo dispensados mais cedo. “É um absurdo uma escola de tempo integral estar funcionando só meio período, porque não tem professores. As mães estão desesperadas, afinal como deixar seus filhos na escola para trabalhar se estão saindo cedo?”, reclamou uma mãe, que preferiu ter o nome preservado.
Na Escola Municipal Santos Dumont, no bairro homônimo, também na Cidade Alta, a principal falta são de docentes de matemática. Ao todo, há defasagem de quatro profissionais no quadro. “Como eu e a diretora damos aulas de matemática, temos ficado nas salas para evitar liberar os alunos mais cedo. Mas, mesmo assim, o ensino tem sido prejudicado, pois não conseguimos ficar o tempo todo em sala, temos os problemas da direção para resolver. Também temos muito problema quando algum professor precisa faltar, pois não temos substitutos”, explica a vice-diretora da instituição, Maria Clara de Oliveira. Outras escolas municipais que estão sendo afetadas pela falta de funcionários são a Santa Cândida, no bairro homônimo, e Manuel Bandeira, no Nossa Senhora Aparecida, ambas na região Leste.
De acordo com a coordenadora do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF), Aparecida de Oliveira, muitos educadores têm desistido dos cargos. “Eu creio que é devido aos baixos salários oferecidos e às condições precárias de trabalho. Muitas escolas não dão condições para que os professores façam um bom trabalho. Além disso, há uma morosidade na contratação.” Aparecida acrescenta que a ausência de concursos públicos para a área nos últimos anos e a redução da jornada de trabalho da categoria agravaram a situação. “Há mais de um ano estamos pedindo a abertura de concursos. Quando tem quadro efetivo, o ano começa diferente, pois são poucas as contratações a serem feitas. Mas em Juiz de Fora, há uma porcentagem enorme de contratados.”
A Secretaria de Educação informou, por meio de nota, que “as contratações dos profissionais do magistério foram realizadas nos meses de dezembro e janeiro. No entanto, alguns profissionais já desistiram das vagas no início do ano letivo, exigindo que o processo seja reiniciado”. A pasta ainda afirmou que, no dia 28 de fevereiro, foram feitas 110 contratações para professores da educação infantil e dos anos inicias da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A nota ainda ressalta que, desde o ano passado, “a necessidade de contratação aumentou devido ao cumprimento da Lei Nacional do Piso do Magistério, que determinou a redução de carga horária dos profissionais, sendo destinado um terço da jornada semanal para atividades extraclasse, obrigando o Município a dispor de aproximadamente R$ 21 milhões para novas contratações.”
Greve
Além da falta de professores, os alunos da rede municipal ainda podem ser prejudicados pela ameaça de greve. No último dia 26, foi aprovado indicativo de greve, caso o artigo 9º não seja retirado da Lei Municipal nº 13.011/14, o qual autoriza a concessão de reajustes diferenciados, como forma de complementação salarial, nas situações em que os salários dos professores da base da carreira estiverem abaixo do piso nacional da classe.
