
Moisés da Silva Gumieri tinha 36 anos e havia sido eleito em 2012 (handerson silveira)
Três suspeitos foram apresentados ontem pela Polícia Civil em Juiz de Fora (Marcelo Ribeiro/10-02-16)
O crime político não foi descartado pela Polícia Civil quanto às motivações do homicídio contra o prefeito do município de Chiador, Moisés da Silva Gumieri, de 36 anos, assassinado com cinco tiros na noite de terça-feira. Ele foi morto na porta de um clube, no centro da pequena cidade da Zona da Mata Mineira, a cerca de 80 quilômetros de Juiz de Fora. De acordo com o delegado-chefe do 4º Departamento de Polícia Civil de Juiz de Fora, Saed Divan, todas as hipóteses serão consideradas para o esclarecimento do homicídio, uma vez que os dois homens, de 18 e 19 anos, suspeitos de serem os executores do assassinato, foram presos ontem e confessaram que receberam R$ 4 mil de um homem envolvido com o tráfico de drogas para matar o prefeito. Os detidos alegaram que não foram informados sobre o motivo da execução. A dupla foi presa em uma fazenda em Chiador, onde estava escondida. Um homem, 24, também foi preso na própria casa, em Três Rios (RJ), suspeito de emprestar a motocicleta utilizada pelos suspeitos após o crime. O veículo e um revólver de calibre 38 foram apreendidos.
“As investigações começaram no momento em que o crime ocorreu e fizemos os acionamento das polícias Militar e Civil do Rio de Janeiro, que trabalharam em conjunto com as duas polícias mineiras. Localizamos a moto abandonada, uma vez que os suspeitos bateram e deixaram o veículo na estrada. Eles fugiram a pé e entraram em um matagal. Assim, chegamos ao dono da moto, que contou que teria emprestado a moto para os executores, que foram presos depois”, afirmou Saed Divan. Ainda conforme o delegado, o nome do mandante do homicídio já foi identificado. O homem é de Três Rios e tem envolvimento com o tráfico de drogas naquela região. “Ele ( o mandante) fugiu, mas já solicitamos à Justiça de Mar de Espanha a prisão preventiva dele, assim como dos presos, que vão para o Ceresp de Juiz de Fora.
Eles deveriam ir para a cadeia pública de Mar de Espanha, próxima Chiador, mas em razão da comoção e da revolta da população, vão ficar no aqui no Ceresp, para a segurança deles e da população”, pontuou o delegado. O policial explicou que os suspeitos irão responder pelo crime de homicídio qualificado. Saed afirmou que os dois executores já tinham antecedentes criminais por tráfico de drogas.
Antes da prisão dos suspeitos, foram mais de dez horas de rastreamento, como relatou o delegado Felipe Fonseca Peres, da Polícia Civil de Mar de Espanha e responsável pela investigação. Os policiais tiveram que embrenhar na mata durante a madrugada e acionaram uma aeronave da Polícia Militar (PM). “Houve muita dificuldade por conta da falta de iluminação, da grande extensão da área de busca e de ser de fácil esconderijo para os criminosos”, contou o policial, acrescentando que a investigação vai se concentrar na prisão do mandante, que teria passado para os executores informações sobre a rotina do prefeito, acerca da residência dele e sobre qual seria a melhor forma para cometer o crime. “Vamos delinear a autoria do crime a fim de prender o mandante, já que a sociedade merece uma resposta, uma vez que o prefeito era uma pessoa querida da população”, destacou o delegado Felipe Fonseca.
Prefeito foi procurado em casa antes de morrer
De acordo com informações da PM, os assassinos estiveram na casa do chefe do Executivo procurando por ele e, mediante a informação de que ele estaria em um evento no clube, seguiram de moto para o local. Moisés foi chamado à porta, por volta das 19h, e, quando apareceu, foi surpreendido por vários tiros de pistola 380, disparados em sua direção.
Alvejado por cinco tiros, sendo dois no peito e os outros na axila, abdômen e mão, o prefeito chegou a ser socorrido até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Três Rios, cidade próxima a Chiador. No entanto, Moisés não resistiu aos ferimentos e foi a óbito antes de chegar ao local.
Os criminosos fugiram em alta velocidade, bateram com a moto em um poste e abandonaram o veículo, uma moto Yamaha Factor, sem placa. Os bandidos teriam ficado machucados em decorrência da queda, mas mesmo assim conseguiram escapar a pé embrenhando em um matagal. Populares teriam tentado ajudá-los, pensando se tratar de acidente comum, mas desistiram ao verem a arma. Rotam, Canil, Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate) e outras equipes de toda a região foram empenhadas no rastreamento terrestre, com apoio aéreo do helicóptero Pégasus na ação de cerco e bloqueio.
Segundo a PM, Moisés era empresário, casado e natural de Três Rios. Ele foi eleito em Chiador pelo PT em 2012 com 52,41% dos votos válidos (1.456). Em dezembro do ano passado, se filiou ao PCdoB. Presidente estadual da legenda, o deputado federal juiz-forano Wadson Ribeiro (PCdoB) lamentou o ocorrido. “Manifesto a irrestrita solidariedade dos comunistas mineiros à família”, postou em sua conta no Facebook. “A trajetória política de Moisés em defesa da população de Chiador honra as nossas históricas bandeiras de luta por um mundo melhor. O PCdoB-Minas se une neste momento de grande tristeza para exigir a apuração de todos os fatos que culminaram neste inexplicável ato de violência”, reforçou o parlamentar juiz-forano. O prefeito foi sepultado, na tarde de ontem, no cemitério municipal de Chiador.

