
Cruzamento importate tem placa inacessível
A sinalização em braile com nome das ruas de Juiz de Fora tem provocado queixas dos deficientes visuais. A principal queixa se refere à localização das placas, na maioria das vezes próximas ao meio-fio, onde a circulação dos cegos é arriscada. "Em alguns pontos, nem dá para distinguir o meio-fio e a rua, então é muito perigoso tentar achar a placa. Além disso, podemos bater em um poste ao procurá-la, já que não existe um piso diferenciado indicando onde ela está", diz José Luiz Souza Silva, membro da Associação dos Cegos.
É possível observar problemas como estes em diversos pontos. No cruzamento das avenidas Itamar Franco (antiga Independência) e Rio Branco, duas vias de grande movimento de pessoas e veículos, duas placas estão irregularmente localizadas. Uma delas está escondida sob duas hastes de postes, impedindo o acesso ao alto-relevo para leitura. Já a outra, que também fica pregada em um poste, está localizada acima de uma lixeira, fazendo com que os deficientes visuais, muitas vezes, encostem em sujeira ou mesmo coloquem as mãos dentro da lixeira ao procurar a sinalização. Além disso, as placas ficam muito próximas à rua nos dois locais. Na Avenida Getúlio Vargas, as dificuldades se repetem. Na esquina da via com o Calçadão da Halfeld, a lâmina com a inscrição em braile foi retirada.
A professora de orientação e mobilidade da associação, Flávia Bonsanto, afirma que instrui os cegos a não utilizarem os dispositivos. "Além da proximidade com a rua, com risco de acidente, os postes com as placas estão expostos a sujeira, como urina de cães." Para ela, é necessário providenciar equipamentos que permitam que o deficiente visual se locomova com facilidade e segurança.
Parceria
Flávia defende a instalação de pisos táteis, para que os cegos possam se orientar enquanto se locomovem. De acordo com o subsecretário de Mobilidade Urbana, Carlos Eduardo Meurer, esta é uma das prioridades da Settra. "A intenção de ampliar a instalação dos pisos táteis direcionais e de alerta em toda a cidade, como o que está sendo feito na Rua Santo Antônio. A proposta das placas foi bem intencionada, mas não funcionou." Segundo Meurer, este tipo de sinalização será removido gradativamente, e o trabalho já foi iniciado. Ainda conforme o subsecretário, um grupo de trabalho, no qual Flávia representa a Associação dos Cegos, foi criado, para discutir como serão implantadas as melhorias de acessibilidade para os cegos.

