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Juiz-forano resiste a receber pesquisador

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Duzentos e dez residências de Juiz de Fora serão visitadas por pesquisadores da Fundação João Pinheiro, que, desde o início do mês, coleta dados na cidade para a Pesquisa por Amostra de Domicílios (PAD) de Minas Gerais. O município é um dos 428 incluídos no estudo, que servirá de parâmetro para a implementação de políticas públicas. No entanto, a equipe local vem encontrando dificuldades para ter acesso aos domicílios e entrevistar os juiz-foranos. Ontem a Tribuna acompanhou um grupo de pesquisadores e constatou os obstáculos enfrentados.

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Após uma hora entre as tentativas e o tempo de deslocamento, apenas uma moradora aceitou participar do levantamento. A estudante Juliana Moraes, 19 anos, mora na região central e diz que optou por colaborar por entender a importância do estudo. O problema é que, nem sempre, a receptividade é assim. Muita gente tem medo ou realmente não tem tempo para responder. Mas o principal problema é não termos acesso nem aos moradores. Muitas vezes somos barrados nas portarias, explica a pesquisadora Nathália Vieira.

Dos 80 pesquisadores envolvidos no estudo, cinco, além de um supervisor, estão em Juiz de Fora. Eles aplicam questionários de casa em casa e recolhem informações sobre saúde, educação, emprego, renda, consumo, entre outros temas, que vão permitir traçar indicadores sociais, econômicos e demográficos. Apesar de haver identificação dos pesquisadores, com crachá e camisa, e possibilidade de a população entrar em contato com a Fundação João Pinheiro para confirmar qualquer dado, há receio, e a recusa é alta na cidade, conta o supervisor local, José Caetano Justiniano.

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Conforme a coordenadora de campo da pesquisa, Lívia Cruz, Juiz de Fora tem perfil próximo ao dos municípios de grande porte, nos quais muita gente apresenta resistência. Embora seja comum termos dificuldade, conseguimos atingir a quantidade de domicílios necessária em Juiz de Fora na primeira edição (do estudo). Ela reforça a necessidade de os moradores colaborarem, lembrando a importância da pesquisa, que é considerada a maior deste tipo realizada no estado.

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Análises comparativas

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A primeira edição da PAD aconteceu em 2009, quando Juiz de Fora também recebeu os pesquisadores. Por isso, a participação atual do município pode proporcionar análises comparativas, depois que os dados forem reunidos. A PAD é diferente da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), porque nos apresenta dados regionalizados, enquanto a nacional só é representativa para o estado inteiro e para a Região Metropolitana. A partir da coleta, conheceremos mais detalhadamente informações sobre pobreza, por exemplo, que é uma das principais preocupações do Banco Mundial e que pode determinar investimentos em áreas específicas, explica Lívia.

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Nesta segunda edição, 14 setores censitários (unidades territoriais demarcadas a partir do Censo, e que podem corresponder a um ou mais bairros) integram os trabalhos na cidade. Além de Juiz de Fora, outros municípios da Zona da Mata, como Bicas, Cataguases, Leopoldina e Lima Duarte, também foram selecionadas para a pesquisa, que deve ser finalizada até 23 de novembro.

Desde o fim de setembro a PAD vem sendo aplicada em Minas e ainda não há previsão de quando a coleta de dados será concluída. O levantamento conta com apoio do Banco Mundial e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

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