
Juvenal só conseguiu remédio porque outra paciente doou
Transplantados renais de Juiz de Fora correm o risco de perder o órgão devido à falta de medicação imunossupressora, que deveria ser fornecida pelo Estado. Quase todos os medicamentos utilizados pelos atendidos no Centro de Tratamento de Doenças Renais (CTDR) para reduzir a atividade do sistema imune e, assim, minimizar o risco de rejeição estão em falta, entre eles tacrolimus, azatioprina, micofenolato e outros. Temerosos, alguns dos pacientes procuraram a Tribuna para denunciar a situação e cobrar do Estado um posicionamento. A Secretaria de Estado de Saúde (SES), entretanto, diz que houve um problema logístico na entrega, e a previsão de entrega dos mesmos é para hoje a tarde.
“A sensação é de risco de vida. Sou transplantado renal há 13 anos e preciso tomar o remédio diariamente. Mas fiquei sem e só consegui porque outra paciente me doou uma cartela. Tomo três comprimidos e meio por dia e essa que ganhei só dá até amanhã (hoje). Estamos todos com muito medo”, comenta o aposentado Juvenal de Souza, 48 anos.
A paciente que doou a cartela, Maria José Sales, 53, também já corre o risco de ficar sem o remédio. “É como se estivéssemos na corda bamba. A maioria dos pacientes vive de salário, e os medicamentos têm alto custo. Temos direito à medicação por ser especial, mas não estamos conseguindo. Demoramos uma vida inteira para fazer um transplante e, agora, corremos o risco de perder o órgão. Quem será o responsável se isso acontecer?”, questiona Maria José.
Enfermeira responsável pelo ambulatório de transplante renal, Kamille Vidon confirma a falta dos medicamentos e diz que está tentando minimizar os danos aos pacientes remanejando remédios entre eles. “A situação está realmente crítica porque alguns pacientes já estão sem os imunossupressores. Com isso, correm o risco de perder o órgão já que a medicação reduz o risco de rejeição. O que estamos fazendo é pegando emprestado cartelas com pacientes que têm alguns comprimidos a mais e repassando aos que já estão sem nada. E nosso estoque está zerado. Entramos em contato com a Secretaria de Estado de Saúde, e a informação é que houve um problema na distribuição.”
Outros casos
A ausência de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) não é novidade. Ontem a Tribuna mostrou que os pacientes renais submetidos a hemodiálise também estão sem o medicamento fundamental para evitar o desenvolvimento de quadros de anemia, o alfaepoetina eritropoetina humana recombinante, cuja distribuição também é de responsabilidade do Governo estadual. A SES garantiu que o problema foi pontual e que o fornecimento seria regularizado ainda esta semana. A situação de falta de remédios tem levado também ao aumento dos mandados judiciais. Na Secretaria Municipal de Saúde, são cerca de dez mandados por dia para pedir remédios e internação, como também divulgado pela Tribuna na edição desta quinta-feira.

