Como se cuidar em várias etapas da vida, escolher os alimentos e horários adequados para as refeições, entender a importância de praticar exercícios físicos e aprender a maneira correta de aplicar a insulina. Essas e outras informações e dicas foram disponibilizadas em uma cartilha voltadas para crianças e adolescentes com diabetes. A publicação apresenta o conteúdo de forma lúdica e organizado em capítulos. O projeto foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar da Faculdade de Medicina da UFJF, junto com a equipe do ambulatório de Diabetes do Hospital Universitário (HU/UFJF) e a Seccional de Juiz de Fora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Muitas ilustrações ajudam os pacientes mirins a compreenderem o conteúdo, sendo que parte delas foi produzida por crianças e adolescentes assistidas no HU/UFJF. Os desenhos foram baseados na vivência deles, acredito que isso possa ajudar outras pessoas, relata a chefe do Ambulatório de Diabetes, Mônica Barros Costa. Além das informações, a publicação oferece jogos, como quebra-cabeças e caça-palavras.
Para Renata Samuel da Silva, dona de casa e mãe de Erick, 8 anos, que é diabético, a cartilha vem para somar. Além de ajudar a criança, contribui com os pais, trazendo mais informações. Ela conta que o menino foi diagnosticado com a moléstia aos 6 anos. Descobri de repente. Do dia para noite, ele começou a beber muita água, fazer muito xixi, e a gente não sabia os sintomas da doença. Um dia, resolvemos levá-lo ao médico, e lá foi constatada a diabetes. A mãe revela ainda que, apesar dos cuidados necessários, Erick tem uma vida normal e ajuda muito no controle da doença. Ele pode comer de tudo, dentro das medidas. Quando quer comer alguma coisa, me pede, nunca come nada escondido. Na escola, os professores também ajudam.
A chefe do ambulatório revela que os números da doença crônica vêm aumentando no Brasil, uma tendência considerada preocupante. Isso reflete em um custo inimaginável para a saúde pública. A população brasileira morre hoje principalmente de doença cardiovascular relacionada à hipertensão arterial e a diabetes.
Mônica explica que existem dois tipos de diabetes. O tipo I é uma doença autoimune, não relacionada ao peso ou ao sedentarismo, sendo mais comum em crianças. Neste caso, o processo se caracteriza pela destruição das células produtoras de insulina. Já a diabetes tipo II, que é a mais comum em adultos, está ligada a questões como obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada.
Alerta
Conforme a endocrinologista do Ambulatório Tipo I da UFJF, Christiane Chaves Simão, o tipo II é o que registra maior crescimento, possivelmente devido à maior incidência obesidade. O tipo I que historicamente é o mais frequente nas crianças, não tem aumentado nem diminuído, porque independe do peso. Atualmente o ambulatório tem cerca de 500 pessoas cadastradas, entre pacientes dos tipos I e II. Noventa por cento são do tipo I e 10% do tipo II, destaca Mônica.
A cartilha está sendo distribuída para os pacientes do ambulatório do HU. Quem tiver interesse na publicação deve mandar um e-mail para studioufjf@gmail.com e solicitar autorização para baixar o material.
