
Mato alto nos jardins dá sensação de abandono no campus (Leonardo Costa/08-09-15)
Sem alunos de graduação, corredores ficam vazios (Leonardo Costa/08-09-15)
Servidores da Fundação de Apoio ao Hospital Universitário (FHU) suspenderam novamente suas atividades ontem. A paralisação, por tempo indeterminado, é motivada pelo não pagamento dos salários referentes ao mês de agosto, que deveria ter sido efetuado na terça-feira passada. Com isso, segundo o Sindicato de Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde em Juiz de Fora (Serv-Saúde), os 600 funcionários terceirizados lotados em ambas as unidades do Hospital Universitário – Dom Bosco e Santa Catarina – estão respeitando a escala mínima de um terço para dar continuidade aos serviços. Há mais de três meses, o atendimento nos hospitais está prejudicado devido ao efetivo reduzido com a greve dos servidores da UFJF.
“Enfrentamos problemas para receber nosso pagamento desde o começo do ano. Só voltaremos ao trabalho depois que o salário for depositado na conta”, destacou o presidente do Serv-Saúde, Anderson Stehling. Em agosto, os funcionários da FHU também cruzaram os braços por cerca de dez dias pelo mesmo motivo. Eles retornaram aos postos somente no dia 19.
Em nota enviada pela assessoria de comunicação da Fundação HU, a entidade confirma que o salário está, de fato, em atraso e declara que depende de repasse financeiro do Hospital Universitário para efetuar a remuneração. “É importante ressaltar que a FHU já realizou os depósitos destinados ao pagamento de profissionais das outras unidades que gerencia, por estar com os repasses destes projetos em dia”, diz o comunicado.
O movimento dos terceirizados se soma à greve dos servidores da UFJF, que, há mais de cem dias, reduziu o efetivo nos hospitais, e à paralisação de oito residentes do serviço social, iniciada na terça-feira. Segundo a assessoria de comunicação da UFJF, os residentes questionam a redução do número de preceptores, ou seja, profissionais responsáveis pela orientação e acompanhamento no hospital. A universidade afirma que a redução dos profissionais já estava ocorrendo e se agravou com a greve dos servidores. Os residentes atuam na análise e acompanhamento de pacientes, dentro do programa de residência em área profissional da saúde. Segundo a instituição, a coordenação já está se reunindo com eles para a resolução do problema. Ainda conforme a direção, consultas e exames estão sendo realizados normalmente, apesar da paralisação.
Sem limpeza, lixo fica espalhado
A greve dos técnico-administrativos tem reflexo também na conservação do Campus da UFJF. Lixo, mato alto e folhas espalhadas pelas áreas de convivência têm provocado uma sensação de abandono nas imediações dos prédios das faculdades e no anel viário. Com o término do contrato com a empresa de conservação responsável pelo serviço de jardinagem, em junho, a universidade passou a arcar com a responsabilidade pela limpeza, com o auxílio de servidores. No entanto, com a paralisação, não há quem execute o trabalho.
Em nota, a UFJF informou que o edital para a contratação de uma nova empresa de conservação já passou por análise da Procuradoria, e os setores responsáveis estão realizando as mudanças sugeridas para que o processo licitatório possa ser iniciado, o que deve ocorrer ainda este mês.
Cem dias
Os técnico-administrativos se reúnem hoje, em frente ao Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), para marcar os cem dias de paralisação na UFJF. Estão previstas distribuição de bolo, panfletagem e realização de testes de glicemia.
Ontem, o comando local de greve se reuniu com a pró-reitora de Recursos Humanos, Gessilene Zigler, para discutir a regularização do pagamento das bolsas do Pró-Quali, destinadas à formação de professores e técnicos. Até o fechamento desta edição, a Tribuna conseguiu contato com os representantes presentes no encontro.
Não há previsão de aulas
A assessoria da UFJF informou ontem que a discussão sobre a retomada das aulas na instituição só estará na pauta do Conselho Universitário (Consu) quando a greve dos técnico-administrativos e dos professores terminar. Da mesma forma, o Conselho de Graduação (Congrad) deverá se reunir para estabelecer um novo calendário acadêmico. A suspensão das aulas foi definida pelo Consu, em 28 de julho, devida a impossibilidade de realização da matrícula de calouros, após a paralisação dos servidores.
Sem a perspectiva de retorno, a UFJF continua com os corredores vazios. Embora as aulas e pesquisas de grande parte dos cursos de pós-graduação estejam em andamento, os laboratórios, as bibliotecas e o restaurante universitário continuam fechados. Sem a presença dos alunos da graduação, serviços como copiadoras e cantinas também permanecem suspensos, enquanto algumas secretarias só funcionam em meio expediente.

