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Sem aulas, estudantes reclamam de prejuízos

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Entre os afetados pela paralisação, estão alunos da Escola Normal
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Entre os afetados pela paralisação, estão alunos da Escola Normal

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Com a greve dos professores da rede estadual, que chega nesta quinta-feira (11) aos 65 dias, alunos se queixam dos prejuízos que vêm sofrendo no ensino. Conforme estimativa da Secretaria de Estado da Educação (SEE), cerca de 3.700 alunos de escolas que integram a Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Juiz de Fora estão sendo atingidos pelo movimento. Entre os estudantes que se preparam para as seleções das universidades – e estão há dois meses de participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) -, as reclamações sobre a falta de aulas é maior.

Nem a resolução publicada esta semana pelo Governo autorizando a contratação de três mil professores designados – sendo 26 para Juiz de Fora -, para a reposição curricular do conteúdo perdido pelos alunos do terceiro ano do ensino médio, tem deixado a comunidade escolar mais tranquila. Por um lado, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) recebeu a notícia como afronta e tentativa de desestabilizar o protesto, por outro, alunos defendem que a reposição de aulas não garantirá a qualidade no repasse do conteúdo, mas concordam que os problemas da educação na rede estadual não serão resolvidos com a medida do Executivo.

"A reposição nunca é como a aula. Se sem a greve o cronograma já seria apertado por causa da data do Enem, agora será mais corrido ainda", diz a estudante do Colégio Estadual Delfim Moreira, Ana Carolina Rodrigues Pinto, 17 anos. Na turma dela, apenas um docente está em greve. Mesmo assim, por só terem conseguido finalizar o primeiro bimestre letivo, ela acredita que pode interferir nos resultados dos vestibulares. "Acho justo o movimento, mas como o Governo não resolve a situação, o maior prejudicado acaba sendo o aluno."

A coordenadora de comunicação do Sind-UTE na cidade, Yara Aquino, discorda em relação à reposição. "Em quase 24 anos trabalhando pelo Estado, posso afirmar que, havendo reposição, não há prejuízo aos alunos. O maior problema é continuar como está, com essa desvalorização do professor." Conforme Yara, o sindicato avalia como autoritária a decisão da SEE e recorre judicialmente da decisão pela contratação dos temporários.

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De acordo com a assessoria de comunicação da SEE, a resolução foi a maneira encontrada para minimizar os prejuízos dos alunos prestes a fazer vestibular e Enem. Por isso, os contratos terão duração até o fim do semestre letivo, ainda que a greve termine. Assim, os professores temporários ficarão à disposição das superintendências regionais para atuar no contraturno, em aulas de reforço escolar, na substituição de licenciados ou serem aproveitados em outra escola.

Das 99 escolas da região que integram a SRE de Juiz de Fora, 25 aderiram parcialmente à paralisação.

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Alunos recorrem a cursinhos particulares

Apesar de não ter sido afetada pela greve este ano, já que nenhum professor de sua turma aderiu ao movimento, a estudante Laís Magalhães, 18 anos, optou por se matricular nas aulas de apoio oferecidas pelo curso Cave aos alunos que participarão do Programa de Ingresso Seletivo Misto (Pism) da UFJF. Cursando o terceiro ano do ensino médio regular na Escola Estadual Sebastião Patrus de Souza, ela garante que outros estudantes fazem o mesmo e diz que recorre às aulas de apoio desde o primeiro ano, como forma de driblar as dificuldades da rede pública. "Além de buscar mais qualidade, evito as perdas com as greves que sempre acontecem."

Se para os alunos do ensino médio a preocupação tem relação com o vestibular, para os demais, o impasse vai além. Estudantes do ensino fundamental reclamam da forma como a reposição é feita. Um aluno do 7° ano do Instituto Estadual de Educação (Escola Normal) conta que professores de quatro disciplinas aderiram à paralisação e que será difícil acompanhar as aulas extras. "Além disso, ficar mudando de professor é sempre ruim, porque cada um tem uma maneira de explicar e de cobrar nas provas." Já outra aluna da mesma série da instituição diz que a reposição deve ocorrer aos sábados e com horário extra durante a semana. "Quando é em dias de semana, a aula termina depois das 18h. Como moro no Milho Branco (Zona Norte), levo pelo menos uma hora e meia para chegar em casa de ônibus. Tem dia que minha mãe prefere que eu falte do que chegue tão tarde em casa, por achar perigoso."

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