Nesta terça-feira (11) é comemorado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson. O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF, sob gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh) é o centro coordenador de pesquisa sobre a enfermidade no Brasil. O projeto desenvolvido na instituição recebeu um patrocínio de R$ 200 mil da Sociedade Internacional de Doença de Parkinson e Distúrbio de Movimento para o desenvolvimento de estudos relacionados aos sintomas não motores da enfermidade.
Um grupo de trabalho do HJ-UFJF participa do projeto que está fazendo a tradução e a validação da escala desses sintomas para a língua portuguesa, já que se trata de uma parceria entre 20 centros de pesquisa do Brasil e de Portugal. Segundo a entidade, são dez instituições em cada país, distribuídas em diferentes regiões com o objetivo de ter diversidade geográfica e cultural.
Segundo o HU, cada um dos centros de pesquisa será responsável por incluir 20 pacientes, totalizando 200 no Brasil e 200 em Portugal, para que a investigação seja validada e comparada com a escala original e checar se ela realmente é útil. A escala já é utilizada em outros países, tanto do ponto de vista assistencial quanto de pesquisa, sendo originada da Sociedade Internacional de Doença de Parkinson e Distúrbio de Movimento, sediada nos Estados Unidos. O objetivo é que se faça uma tradução tanto para o português brasileiro quanto o europeu, para que haja uma escala em comum para os países de língua portuguesa.
A Doença de Parkinson
Conforma explica o neurologista e professor da Faculdade de Medicina da UFJF, Thiago Cardoso Vale, coordenador da pesquisa no HU e responsável pela conquista do patrocínio, a Doença de Parkinson é uma enfermidade neurodegenerativa causada pela perda de neurônios em uma área específica do cérebro, envolvidos na produção de dopamina na maioria das vezes. Como todas as outras, ela não tem cura e sua progressão é inexorável. É, ainda, considerada a segunda doença dessa classificação mais prevalente em pessoas acima de 60 anos, atrás apenas do Alzheimer.
Em relação às suas possíveis causas, Thiago ressalta que a maioria dos casos é de causa esporádica e desconhecida. “Existem vários fatores envolvidos, ambientais e genéticos. A Doença de Parkinson, em indivíduos com mais de 60 anos, geralmente não envolve componentes genéticos na sua origem, diferente de quando acomete pessoas mais jovens – nesse caso, as questões hereditárias são mais relevantes nas causas. Nas condições ambientais, estão a exposição a toxinas, pesticidas, agrotóxicos, poluição, entre muitos outros que podem desencadear a doença”, enumera.
Os sintomas da enfermidade são principalmente motores, como explica o neurologista: “são caracterizados por um tremor, em uma das mãos inicialmente, quando a pessoa está em repouso, associado à lentidão nos movimentos diários. Além disso, há uma rigidez na musculatura, com contração”. Thiago destaca que existem, também, os sintomas não-motores da doença. “Há ainda as manifestações neuropsiquiátricas – como depressão e ansiedade -, gastrointestinais, urinárias, de termorregulação da pele, de sono e, em estágios mais avançados, cognitivas – como a perda de memória”, completa.
Exercícios físicos ajudam na prevenção
Segundo o neurologista, o diagnóstico da Doença de Parkinson é essencialmente clínico. “Em uma consulta, o médico é capaz de suspeitar da enfermidade ao examinar o paciente e colher sua história. Nesse último caso, chama atenção quando reclamam de movimentarem menos o braço, quando chegam com queixa de depressão – que na realidade pode ser uma lentidão nos movimentos -, além da dificuldade para caminhar e sintomas de tremor. Nos exames, é mais evidente a assimetria entre os dois lados da pessoa, em relação às manifestações da doença”, esclarece.
Por acometer diferentes regiões do corpo, o tratamento da enfermidade é multidisciplinar, como reforça Thiago: “há a participação do médico com a parte sintomática, com medicações para especialmente repor a dopamina, além da fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, acompanhamento nutricional e outros profissionais. Existe ainda a possibilidade de tratamento cirúrgico, em casos específicos, para estimulação cerebral profunda do paciente”.
Para a prevenção, os estudos atuais apontam para mudanças nos hábitos de vida, principalmente no sentido de exercícios físicos, de acordo com o neurologista. “As pesquisas, cada vez melhor elaboradas, trazem a informação de que as atividades físicas ajudam a prevenir tanto o aparecimento como a evolução da doença. Isso ainda está em investigação e, apesar de recomendarmos a realização, ainda é precoce, mas parece que é o caminho”, acredita.

