
Problema é flagrado em frente à Santa Casa
Para quem circula pela Avenida Rio Branco, principal corredor de tráfego de Juiz de Fora e também uma das vias com maior concentração de pedestres, uma situação de perigo pode passar despercebida. Na maioria dos postes instalados ao longo do canteiro central da via inexiste ou está quebrada a tampa que preserva a fiação elétrica em seu interior. Em março, a Tribuna percorreu o trecho entre o Bom Pastor e o Manoel Honório e, dos 93 postes encontrados, 81 estavam com a caixa de passagem de condutores elétricos aberta. A caixa é utilizada por técnicos responsáveis para desligar o circuito elétrico durante a manutenção da rede,
Sem a proteção, os fios ficam completamente expostos. Até mesmo disjuntores de segurança podem ser tocados por qualquer pessoa que circula na via, sendo possível apagar as luzes dos postes a qualquer momento, correndo o risco de um choque elétrico. A situação é mais preocupante na altura dos pontos de ônibus, onde há aglomerações de pessoas, que ficam bem próximas da rede elétrica sem proteção.
"A gente fica perto desses fios, com risco de acidentes," reclama a jornalista Luana Oliveira. Ao lado do neto, de 6 anos, a acompanhante de idosos Lúcia Helena Couto diz que ainda não tinha reparado nas caixas de fiação, mas ficou com medo do que viu. "É um perigo para as crianças que ficam soltas, brincando aqui perto, enquanto a gente espera o ônibus." A advogada Karla de Sousa também manifestou indignação: "é um risco para o usuário", declarou.
Vandalismo
Responsável pela manutenção destes postes, a Secretaria de Obras argumenta, por meio da assessoria de comunicação, que a ausência das tampas nas caixas é causada por atos de vandalismo. A informação é de que a reposição das peças é feita regularmente, mas as ações sempre se repetem.
Troca das estruturas
Conforme anunciado pelo prefeito Custódio Mattos na última semana, os postes da Rio Branco deverão ser substituídos, inclusive com troca do sistema de armazenamento da fiação elétrica. Os serviços foram anunciados como parte do projeto de reurbanização da avenida, que abrange novos canteiros e substituição do asfalto, além da mudança na iluminação. Somente no sistema de luz será gasto R$ 1,6 milhão.
Durante o anúncio do investimento, Custódio declarou que a iluminação atual é defasada, o que "força a PJF a ter um sistema de manutenção específico, já que é atípica para os padrões de conservação da Cemig, além de ser muito acessível a ações de vandalismo". A expectativa é que a troca do sistema de iluminação na avenida tenha início em 60 dias.
Especialista aponta perigo de lesões gravíssimas
Tribuna procurou um especialista para avaliar os riscos nas caixas de passagem de condutores elétricos sem a tampa protetora na Avenida Rio Branco. O técnico de sistema elétrico da Cemig, Marco Aurélio da Silva, alertou para os perigos de entrar em contato com uma rede energizada. "A população, em hipótese alguma, deve tocar em fios ou condutores expostos, bem como nos disjuntores. Somente técnicos especializados podem trabalhar com fios de alta tensão e em locais onde há corrente elétrica", ressalta.
Segundo Marco Aurélio, o contato pode provocar choque elétrico, chegando a causar acidentes de grandes proporções, com lesões graves e até gravíssimas. O especialista orienta ainda que as pessoas denunciem quando observarem terceiros praticando atos de vandalismo nestes pontos, acionando órgãos competentes.
Fiação subterrânea
Enquanto os postes com fiação exposta são motivo de preocupação, a Cemig garante que a rede subterrânea não oferece perigo. Responsável pela geração, transmissão e distribuição do serviço de iluminação, a concessionária informa que o sistema de energia elétrica segue os mesmos moldes do Rio de Janeiro. No entanto, o engenheiro de distribuição do órgão, Emerson de Sales, assegura que aqui não há riscos de explosões de bueiros como ocorreu recentemente na capital fluminense.
O acidente, em Copacabana, na Zona Sul carioca, deixou cinco pessoas que passavam pelo local feridas e abriu um buraco com seis metros de diâmetro no asfalto. A explosão foi em uma galeria subterrânea da Light, distribuidora de energia que atende à capital fluminense e outros municípios do Estado. "A nossa rede é bem menor, as condições são bem melhores do que as presentes no Rio e a manutenção do sistema está mais adequada", afirmou o engenheiro.
Rede antiga
A Cemig detém o controle acionário da Light. Conforme Emerson, "o que ocorreu foi um problema estrutural. A rede é bem antiga e extensa. Houve investimento para troca de cabo e transformadores. Os equipamentos que deram problema estavam na lista para serem trocados." A manutenção e modernização da rede subterrânea estava sendo realizada desde junho do ano passado.
Em Juiz de Fora, ainda conforme Emerson, as chaves de média tensão da rede subterrânea também estão sendo substituídas, e o processo já está em etapa final. "Os equipamentos são mais novos e mais seguros. Isso aumenta a confiabilidade do sistema de energia elétrica na cidade."

