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Focos de dengue ainda são flagrantes por toda cidade

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Marquise com água acumulada causa apreensão a vizinhos na Rua Batista de Oliveira, no Centro
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Marquise com água acumulada causa apreensão a vizinhos na Rua Batista de Oliveira, no Centro

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Apesar dos trabalhos intensificados de prevenção da Prefeitura de Juiz de Fora e da redução no índice do Levantamento do Índice Rápido do Aedes Aegypti (Liraa), que caiu de 6,4% em janeiro para os 3,27% atuais, possíveis focos de dengue continuam espalhados por toda a cidade. A Tribuna percorreu alguns pontos e flagrou locais que ainda acumulam água parada, como depósitos de lixo e entulho, caixas d’água abertas e imóveis abandonados. No Centro, grandes placas instaladas em uma marquise na altura do número 517 da Rua Batista de Oliveira escondem poças d’água. "Toda vez que chove, fica muita água empoçada, e nós não conseguimos limpar", diz um comerciante que preferiu não se identificar.

Ainda no Centro, moradores da Rua Espírito Santo reclamam de um casarão desocupado na via esquina com a Avenida Independência. "Da minha janela, vejo tudo: o local está cheio de poças d’água e coberto por mato, totalmente abandonado. Já liguei para a Defesa Civil e para vários números da Prefeitura, mas não tive sucesso. Vejo vários cartazes de combate à doença, mas faltam ações mais efetivas", afirma o engenheiro Anderson Franco Trindade. No Granbery, também na região Central, outro imóvel tem preocupado moradores da Rua Sampaio. "A casa está vazia há muito tempo, está em ruínas. Dá para ver plantas saindo lá de dentro, e temos notado o aumento de mosquitos por aqui, só não sabemos se são os transmissores da dengue. Mesmo assim, ficamos apreensivos", diz a dentista Ana Maria Ribeiro Lobato, que mora em prédio vizinho.

No Bairro Centenário, região Nordeste, há eletrodomésticos velhos, vasilhas e entulho espalhados por um terreno, além de uma caixa d’água destampada. Moradores da região dizem que o problema persiste há meses, e que o proprietário do local já teria sido multado pela PJF, mas estaria se recusando a retirar o material da área. "Ele disse que não se preocupa se houver mosquitos da dengue e não tem medo de pegar a doença. Só que nós moramos aqui e também estamos sob risco. Já reclamamos nos números disponíveis, mas nada mudou", conta a operadora de caixa Elísia Gomes, que reside próximo ao terreno. "Minha esposa teve dengue no final do ano passado", relata o mecânico Antônio Carlos, também morador da região. A comunidade afirma, ainda, que a PJF vasculhou a região durante a realização das Batalhas Regionais, mas que o terreno não foi submetido à vistoria dos agentes. "Se foi, não adiantou nada, porque continua tudo aí", completa Elísia.

No Bairro Jardim Casablanca, na Cidade Alta, há dois pontos que têm preocupado a população: uma caixa d’água destampada, na Rua Arthur de Oliveira, e um terreno baldio com vasilhas, garrafas PET e muito lixo, na Rua Arthur Barbosa Lima. "Estou com a imunidade muito baixa, por isso estou com muito medo de contrair a doença. Já denunciei por telefone e já mostrei estes locais para os fiscais que passaram por aqui, mas não houve mudança", afirma Maria Aparecida de Souza.

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População reclama da falta de atendimento a denúncias

A população se queixa da dificuldade em denunciar os focos de dengue e da falta de atendimento às demandas, algumas muito antigas. No Parque Burnier, região Sudeste, as queixas vêm de moradores da Rua Natalino José de Paula, no trecho onde há um terreno com um reservatório da Cesama. "O lugar está cheio de mato, e, se chove, a água fica facilmente empoçada. Nós temos que cuidar dos nossos terrenos para evitar a dengue, mas o que devemos fazer em relação a áreas públicas e de acesso restrito?", questiona o morador Vicente Pinto Gesualdo. Ainda na região Sudeste, um lava-jato desativado tem sido motivo de preocupação entre a comunidade. "O problema já vem acontecendo há três anos, e, desde então, reclamo nos órgãos competentes. Nada foi feito para mudar. No ano passado, cheguei a pegar a doença e fiquei 22 dias de cama. Meu medo agora é ter dengue hemorrágica ou outra versão mais forte", diz um vizinho que preferiu não ser identificado.

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De acordo com a chefe do Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental, Alessandra Mendonça, o Disque-Dengue (199) tem sido uma importante ferramenta no combate à moléstia, com 2.592 atendimentos registrados desde 28 de fevereiro, quando foi inaugurado (ver quadro). Contudo, ela destaca que o serviço ainda precisa ser melhor aproveitado, tanto pela população quanto pelo Poder Público. "Nem todas as demandas precisam ser atendidas por agentes de endemias. Poças d’água, por exemplo, são facilmente elimináveis pela própria população, e temos um número elevado de denúncias desta natureza (ver quadro). Por outro lado, o serviço público também tem que melhorar a triagem destas ligações, deslocando efetivo apenas nos casos que precisarem de agentes para a eliminação ou tratamento de focos." Ela também comenta que o elevado número de ligações tem retardado o ritmo das ações. "Por isso é importante haver uma pré-seleção daquelas que precisam da ação de agentes, para podermos atender os casos mais graves."

A chefe do departamento pontua, ainda, que o serviço telefônico tem ajudado a coordenar a ação conjunta entre os órgãos da PJF envolvidos no combate à dengue. "Muitas reclamações não envolvem o trabalho de agentes de endemias, como o recolhimento de veículos que acumulam água, que deve ser feito pela Secretaria de Atividades Urbanas (SAU). Outras demandas são do Demlurb ou da Secretaria de Obras, mas as ligações devem ser concentradas aqui, pois direcionar o atendimento é um dos trabalhos que estamos desenvolvendo." Ela orienta que as denúncias devem conter a maior quantidade de informações possível. "Quanto mais detalhado for o relato, mais rápido e eficiente será o atendimento."

 

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Preocupação com obras e imóveis abandonados

A chefe do Departamento de Vigilância Epidemiologia e Ambiental, Alessandra Mendonça, explica que algumas ocorrências são consideradas prioritárias, entre elas casas abandonadas, terrenos baldios e imóveis públicos. "Em terrenos baldios e locais públicos, os agentes podem entrar e eliminar os focos, furando latas vazias, por exemplo. Já no caso de casas abandonadas, tentamos primeiro um contato com o proprietário. Se não houver sucesso, entramos com mandado judicial." Ela aponta que as chamadas identificadas também têm sido priorizadas. "Os dados de quem denuncia são sempre preservados, independente de a pessoa se identificar na ligação ou não. O problema é que é comum termos chamadas anônimas que não correspondem ao risco relatado por quem telefonou. Muitas vezes, temos que lidar com demandas que vêm de desentendimentos entre vizinhos, que poderiam ser solucionadas sem dificuldades."

A assessoria de Comunicação da SAU informa que também está prevista, no cronograma de ações da pasta, a entrada em imóveis desocupados com amparo judicial. A data para início destas atividades ainda não foi divulgada, mas a assessoria informou que a medida só será posta em prática em casos especiais e de emergência, quando a população vizinha estiver sob alto risco de contaminação. Alessandra afirma também que outro importante foco de ação no momento são as obras de construção civil. "Muitas ocorrências vêm de obras, não só as paradas, mas também em andamento. Para ajudar nesta frente de ação, buscamos a ajuda do sindicato da classe, que tem dado suporte ao nosso trabalho." Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Leomar Delgado, a prevenção nos sítios de obras é imprescindível, já que há muitos materiais e recipientes que favorecem o acúmulo de água. "O problema é que há muitas obras particulares e construtoras que não são sindicalizadas, o que dificulta o nosso acesso. Entre os associados, temos buscado fazer um trabalho de conscientização.

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