
Proprietário estima prejuízo de R$ 500 mil
Um incêndio destruiu parcialmente a tradicional loja São Paulo Malhas, na madrugada de ontem, na Rua Fonseca Hermes, Centro, e causou um prejuízo de, aproximadamente, R$ 500 mil ao proprietário. "Calculo entre R$ 500 e R$ 600 mil, porque os rolos que não foram queimados ficaram impregnados com o cheiro da fumaça, que não sai. Perdi cerca de 15 toneladas de material do nosso estoque", avaliou Gabriel Almeida, 58 anos. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 3h42, depois de uma vizinha perceber uma grande quantidade de fumaça saindo do estabelecimento, que ocupa duas lojas nos números 124 e 126 da via. As portas de aço precisaram ser arrombadas para o fogo ser combatido. Cerca de dez militares foram mobilizados na ocorrência, gastando quatro mil litros de água para debelar as chamas e fazer o rescaldo.
Além dos tecidos queimados, um computador também foi danificado, e as paredes ficaram chamuscadas. A PM foi acionada para fazer a segurança do espaço. A calçada em frente à loja ficou interditada durante a manhã. No mesmo período, peritos da Polícia Civil realizaram os levantamentos. Conforme Gabriel, a suspeita é de que o fogo tenha começado com uma pane elétrica em uma tomada, onde ficava ligada uma balança. O laudo da perícia só fica pronto em 30 dias.
O comerciante disse ter sido informado sobre o incêndio por volta das 6h. "Quando cheguei, os bombeiros estavam terminando o trabalho. Eles foram rápidos e não houve tumulto. Podia ter sido pior", avaliou. "Fui pego de surpresa, porque sempre tive cuidado com o armazenamento. Foi uma fatalidade." O proprietário contou que a loja funciona há mais de 20 anos no mesmo endereço.
3º incêndio
Essa foi a terceira ocorrência de fogo, em menos de quatro meses, em estabelecimentos comerciais do Centro da cidade. Depois de as chamas destruírem parte do comércio entre a Rua Floriano Peixoto e a Avenida Getúlio Vargas, em outubro do ano passado, houve um princípio de incêndio em uma loja de vestuário, no Calçadão da Halfeld, no último dia 2. A suspeita neste segundo caso também é de que o fogo tenha começado com um curto-circuito na rede elétrica. O Corpo de Bombeiros alerta que o auto de vistoria deve estar sempre atualizado, o seria a garantia de que o imóvel está seguro e em condições normais de funcionamento.
Laudo sobre incêndio é inconclusivo
A Polícia Civil divulgou ontem o laudo pericial sobre o incêndio que devastou parte do comércio da Rua Floriano Peixoto com a Avenida Getúlio Vargas, no Centro. De acordo com a titular da 1ª Delegacia e responsável pelo inquérito, Mariana Veiga, o documento não define uma causa específica para o surgimento das chamas que atemorizaram a população no dia 24 de outubro do ano passado, mas revela que ocorreram três focos de incêndio, sendo o primeiro na loja Tete Festas, que ocupava duas edificações na Floriano, e os demais no primeiro e último pavimentos do edifício de sete andares, que abrigava o Castelo da Borracha, na Getúlio. "Para a segurança dos peritos e bombeiros, a perícia foi realizada depois que o rescaldo foi totalmente concluído. A homogeneidade do material carbonizado e a quantidade de água prejudicaram a identificação da causa. Segundo o laudo, pode ter ocorrido prática delituosa ou mesmo um curto-circuito."
Segundo Mariana, o resultado aponta que o foco inicial começou na porção posterior superior da loja Tete Festas. O combate às chamas realizado pelo Corpo de Bombeiros teve início às 17h e foi intensificado às 18h. Pouco tempo depois, o fogo foi controlado, mas foi mantida uma equipe destinada ao rescaldo, lançando jatos d’água, já que a temperatura teria chegado a 350 graus. Por volta das 21h, foram detectados os focos no Castelo da Borracha. Ainda conforme a perícia, no local, a propagação do fogo alcançou uma alta velocidade em decorrência do tipo de material encontrado, que estaria estocado de forma desordenada, contribuindo para que as chamas se espalhassem por todo o prédio. "Eles só possuíam liberação para ter estoque até o segundo pavimento, mas havia material em todos os andares", informou a delegada. A situação teria pego de surpresa os próprios bombeiros que, mesmo diante da proporção não esperada, conseguiram debelar as chamas, impedindo que as mesmas se espalhassem para um conjunto residencial e para um shopping próximos.
Ainda de acordo com ela, o incêndio no prédio teve início na parte interna da edificação. "Exames efetuados no local do fato pela perícia constataram que a marcha do fogo veio de dentro do Castelo para fora, destruindo por completo as lojas Casa do Frango, Dornelas, Casa Pipa, Rei do Disco e Ferragens Gomes." No entanto, a impressão no dia para quem acompanhou a tragédia era de que as chamas seguiram da Tete Festas diretamente para esses estabelecimentos. A análise pericial foi feita com base no desprendimento dos rebocos das paredes internas do Castelo. No térreo do edifício, a suspeita é de que o fogo pode ter sido provocado pelo intenso calor, associado ao acondicionamento desordenado do estoque e ao tipo de material armazenado. Já no último andar do prédio, as chamas podem ter surgido pelo acúmulo de vapores dos produtos acondicionados nos pavimentos inferiores.
"Em razão do laudo não ter apontado de forma inequívoca que o incêndio foi criminoso, o inquérito será relatado e encaminhado à Justiça", informou Mariana. Segundo ela, antes disso os proprietários dos estabelecimentos comerciais atingidos ainda podem ser ouvidos.

