
Mães de crianças diabéticas acionaram Defensoria da Infância e Juventude
Mesmo com um mandado judicial expedido pela Vara da Infância e da Juventude, a dona de casa Thaís Alves não consegue os cartuchos de insulina, as agulhas e as lancetas usadas pelo filho de 10 anos, que é diabético. "Todo esse material fica preso a uma bomba que anda pendurada junto ao corpo dele o tempo todo. Ele não pode ficar sem o remédio, já entrou em coma uma vez. O pior é que os produtos específicos para este tipo de equipamento não são vendidos em farmácias. Tive que pegar emprestado com outra mãe, mas quando os insumos dele acabarem, como vamos fazer?"
Ela e Adriana Mendes, que tem um filho, 4, também diabético, acionaram a Defensoria da Infância e da Juventude. Segundo o defensor Ramon Costa Fonseca, o órgão vai comunicar à Justiça o descumprimento do mandado por parte da Prefeitura e movimentar o processo para que as crianças voltem a obter os medicamentos. A solução para o problema é esperada também por Thaíse Fernanda Pacheco, mãe de uma menina, 4, que está há cerca de 15 dias sem usar a bomba porque não consegue os insumos. A criança teve que voltar a utilizar a caneta de insulina, que, segundo ela, impede o controle efetivo da doença.
O problema também afeta adultos. Sebastião Raimundo da Silva, 57, está sem fitas para medir a glicemia. Desde novembro, ele procura a Unidade de atenção primária à saúde (Uaps) na qual está cadastrado, sem conseguir os produtos. Ele chegou a recorrer à Ouvidoria de Saúde, mas se juntou às outras quase cem pessoas que fizeram a mesma reclamação, desde outubro passado. Segundo a ouvidora, Edna Rodrigues, tanto a Secretaria de Saúde quanto a Superintendência Regional de Saúde (SRS) foram notificadas, mas até agora não houve uma solução efetiva. "O município funciona em gestão plena, ou seja, a responsabilidade de fornecimento dos insumos é do Estado, mas, caso exista o desabastecimento, o município precisa assumir a compra."
De acordo com Ministério da Saúde, o diabetes mata mais do que a Aids e o trânsito. "Deixar de fazer o controle correto pode ser perigoso. Os diabéticos que usam insulina precisam medir a glicemia capilar para ajudar no controle. Os que têm o tipo1 da doença, muitas vezes, precisam dessas medidas para decidir a dose a ser tomada naquele momento. Um mau controle, a curto prazo, pode provocar queda da glicose, perda de consciência, crise convulsiva e até a morte, se não tratada. Além disso, sem os insumos, o paciente fica impedido de levar as informações para o médico e a falta de controle por muito tempo acarreta doenças crônicas, como problemas de vista, insuficiência renal e neuropatia", explica a médica endocrinologista Christiane Chaves.
Fornecedores
Conforme a SRS, a situação atual foi causada pela troca de fornecedores dos medicamentos e a necessidade de abertura de nova licitação. A superintendência informa, no entanto, que a distribuição para o município foi retomada nesta semana.
Já a assessoria da Secretaria de Saúde local comunica que a previsão é de que, na próxima semana, os insumos pedidos por meio de mandado judicial estejam disponíveis. A informação é de que a impossibilidade de fazer uma compra imediata se deve ao fato de o processo estar em fase de finalização e também à mudança de gestão do município.
Quanto às fitas glicêmicas, a assessoria confirmou que uma parte foi recebida e a dispensação será feita inicialmente para as unidades de saúde, que fazem atendimento dos pacientes com maior prioridade. O restante da distribuição será feita até o fim da próxima semana. Quanto à notificação dos casos, a Secretaria de Saúde garante que faz o registro de todos os pacientes diabéticos atendidos pelo SUS – que atualmente são em torno de oito mil – e repassa os números para o Estado. No entanto, conforme a assessoria, será solicitado um relatório para verificar se existe algum problema na entrega das informações.

