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Roubos em série deixam comércio em alerta

estaremos reunidos com a policia militar e com a cdl a fim de discutir estrategias necessarias para conter os crimes diz emerson beloti presidente do sindcomercio

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“Estaremos reunidos com a Polícia Militar e com a CDL a fim de discutir estratégias necessárias para conter os crimes”, diz Emerson Beloti, presidente do Sindcomércio

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Segundo o chefe do 4º Departamento de Polícia Civil, José Walter da Mota Matos, Polícia Civil tem desencadeado operações com a participação da PM, para “frear a criminalidade”

Uma série de roubos à mão armada a estabelecimentos comerciais ocorridos em um período de 24 horas levou pânico a empresários e funcionários no domingo, causou prejuízos de até R$ 40 mil às vítimas e expôs a vulnerabilidade da população diante das ações cada vez mais ousadas dos assaltantes. Os crimes aconteceram em pontos tradicionais da cidade e aumentaram a insegurança dos juiz-foranos, que já estavam atemorizados com a onda de assaltos a residências, que deixou 15 famílias reféns de bandidos, entre meados de outubro e final de novembro. Como já tem sido observado pelas polícias, a moto aparece como transporte usado pelos criminosos na maioria das ocorrências, e em um dos casos ladrões tiveram a audácia de assaltar dois postos de combustíveis em sequência, na mesma rua. Além de assustar comerciantes, a onda de assaltos deixa em alerta o Sindicato do Comércio (Sindcomércio), que tem agendada para amanhã uma reunião com a Polícia Militar e com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Um dos crimes do fim de semana chamou atenção também pelo valor roubado: cerca de R$ 40 mil foram levados de uma distribuidora de bebidas na Rua Olegário Maciel, na altura do Bairro Dom Bosco, na Cidade Alta. Segundo a Polícia Militar, pouco depois das 22h, o proprietário, 35 anos, estava no interior do estabelecimento com a porta abaixada, contabilizando dinheiro para ir embora, quando ouviu alguém o chamar pelo seu apelido. O comerciante abriu a porta e foi surpreendido por um bandido armado com revólver, que usava capa de chuva e capacete. O criminoso anunciou o assalto, conduzindo a vítima para o interior do estabelecimento, e chegou a fazer ameaças de atirar caso ela não o obedecesse. O ladrão recolheu o dinheiro e fugiu, possivelmente em uma moto.

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Já no início da madrugada de domingo, dois assaltantes renderam funcionários de um bar durante outra ação ousada, que resultou no roubo de mais de R$ 18 mil no Centro. De acordo com o boletim de ocorrência, o crime aconteceu por volta de 1h, quando o estabelecimento estava sendo fechado na Rua Paulo de Frontin. Os criminosos armados com revólver encontraram a porta de aço entreaberta e entraram no local usando capacetes, surpreendendo o proprietário e cinco trabalhadores, com idades entre 23 e 51 anos. A dupla anunciou o roubo, e um dos bandidos conduziu o comerciante até o escritório, onde roubou cerca de R$ 15 mil. O comparsa permaneceu com as outras vítimas, que ainda foram colocadas no banheiro. Os ladrões também roubaram R$ 1.500 do caixa, R$ 1.600 das pessoas rendidas, além de quatro celulares e objetos. Os assaltantes fugiram em uma moto pela contramão. Também no Centro, uma lanchonete da Rua Santo Antônio, no trecho próximo à Rua Barão de Cataguases, foi assaltada na mesma madrugada. Em todos os casos, militares fizeram rastreamento, mas ninguém foi preso.

Valor da vida

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Ainda no domingo, três postos de combustíveis foram alvo de roubo à mão armada. Os dois casos consecutivos ocorreram por volta das 21h na Rua Paracatu, entre os bairros Bom Clima e Bandeirantes, Zona Nordeste. Segundo a PM, o primeiro assalto foi registrado na entrada do Bandeirantes, quando um frentista, 34 anos, foi surpreendido por assaltantes enquanto abastecia um veículo. Os bandidos estavam em uma moto, e o carona sacou uma arma, rendendo o trabalhador.

No momento da ação criminosa, o subcomandante da 99ª companhia, tenente Vinícius Araújo Barroso, estava à paisana e abastecia seu veículo no posto. Segundo ele, quando a dupla chegou ele separava o dinheiro para pagar o funcionário. “Vi pelo retrovisor o criminoso rendendo o frentista com uma arma. Tive que agir friamente, pois havia um carro com uma criança atrás e eu não conseguia ver se havia comparsa e onde estava posicionado. Uma reação ali poderia ser fatal”, afirmou. Quando o oficial conseguiu visualizar a situação com clareza, desceu do seu carro com a arma em punho para tentar abordar a dupla. “Diante dos fatos, não era viável que eu atirasse para contê–los, já que colocaria em risco a vida dos frentistas, que estavam entre eu e os criminosos, e de quem passava de carro pela via. Nessa situação, a vida vale muito mais do que valor roubado pelos criminosos”, contou.

A dupla roubou R$ 250 e fugiu, mas parou em seguida em outro posto da Paracatu, onde também rendeu um frentista, 41, e levou R$ 300. Os ladrões conseguiram escapar na Honda Falcon cinza que usavam. Militares em rastreamento ainda avistaram o veículo, mas o condutor fugiu em alta velocidade pelo Bairro Vivendas da Serra, na mesma região, em direção ao Progresso, na Zona Leste. Na madrugada do mesmo dia, um posto já havia sido assaltado na Rua Marechal Setembrino de Carvalho, no Ladeira, região Leste. Também nestes casos, nenhum suspeito foi encontrado.

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Apesar de prisões, ladrões continuam agindo

Apesar de os assaltos a residências terem ficado em evidência em novembro, ocorrências de roubos à mão armada no comércio já vinham chamando a atenção no último mês, tanto pela audácia dos bandidos e dos valores roubados, quanto pelos locais assaltados. No dia 24, uma lanchonete e fábrica de doces tradicional da cidade foi roubada em plena manhã no Centro e teve prejuízo de R$ 8 mil. Três criminosos chegaram à loja na Rua Mister Moore, próximo à Avenida Getúlio Vargas, portando uma pistola. O comerciante foi obrigado a abrir o cofre e acabou sendo amarrado junto com outros funcionários. Três dias antes, trabalhadores já haviam sido feito reféns em uma lanchonete fast-food na esquina da Rua Batista de Oliveira com a Avenida Getúlio Vargas.

Alguns casos ousados terminaram em prisões. No dia 1º, dois jovens acabaram pegos em flagrante após roubarem R$ 7 mil de duas mulheres que trabalhavam em um clube no Bairro Bom Pastor, Zona Sul. Os assaltantes foram capturados no Aeroporto com auxílio do programa de rastreamento de um dos celulares roubados. Na quinta-feira passada, um adolescente foi apreendido e flagrado com um revólver após roubo de R$ 4.200 a caminhão de bebidas, na esquina das ruas Batista de Oliveira e São Sebastião. Já no dia 21, duas mulheres e um jovem foram presos por suspeita de participação no roubo de cerca de R$ 24 mil na obra de um prédio na Rua Olegário Maciel, no Bairro Paineiras.

Já os assaltos a residências ainda não resultaram em prisões. Em pelo menos três dos 15 casos contabilizados pela Tribuna, um veículo Fiat Tipo vermelho foi usado pelos criminosos, que continuaram agindo impunemente. O último crime aconteceu no dia 30 de novembro em uma casa do Nova Gramado, na região de Grama, Zona Nordeste. Um comerciante chegava de van em casa junto com a esposa e o filho e, ao estacionar o veículo na garagem e desembarcar, foi surpreendido por três bandidos. Com roupas camufladas, toucas ninja e luvas, os assaltantes apontaram duas pistolas e uma arma longa na direção das vítimas, anunciando o crime. Dois dias antes, uma residência do condomínio Spinaville, na Cidade Alta, havia sido invadida por assaltantes armados. Ninguém foi preso.

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‘Só resta contar com a sorte’

Para um dos comerciantes rendidos domingo no Centro, o policiamento preventivo apresenta falhas que propiciam a ação de criminosos. “O Olho Vivo precisa funcionar melhor, mas sentimos falta, principalmente, da iluminação nas ruas e do patrulhamento constante”, disse o empresário, que preferiu ter sua identidade preservada. Segundo ele, a presença de flanelinhas nas vias públicas também causa insegurança. “Eles podem dar a dica e todo o esquema para os assaltantes. É um problema social”, avaliou. De acordo com ele, do jeito que está, só resta “contar com a sorte”, embora reconheça que medidas de autoproteção também são fundamentais.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio (Sindcomércio), Emerson Beloti, em função das festas de fim de ano, o fluxo de consumidores aumenta na rede comercial e, consequentemente, sobem os casos de roubos e furtos aos estabelecimentos. “Estaremos reunidos com a Polícia Militar e com a CDL a fim de discutir estratégias necessárias para conter os crimes nesse período, já que o horário especial de funcionamento do comércio para o Natal começa no próximo sábado, dia 13”, ressalta Beloti.

De acordo com Beloti, os proprietários dos estabelecimentos ainda devem adotar uma antiga medida de segurança: nunca deixar grandes cifras nos caixas. “A medida que o volume de dinheiro ficar grande, deve ser retirado e feito um depósito”.

Já para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Juiz de Fora e Região (Sintraposto), Paulo Guizellini, os postos de combustíveis da cidade são inseguros e a situação é agravada pela audácia dos bandidos. “Hoje eles não respeitam mais nada e deixam os frentistas apavorados. O pior é que agora eles também roubam quando há clientes nos estabelecimentos”, enfatiza Guizellini, lembrando que a lei que proíbe o abastamento de motociclistas usando capacetes não tem sido respeitada.

 

Combate

“Numa tentativa de coibir os crimes, a Polícia Civil tem desencadeado operações mensais e quinzenais, com a participação da PM, com o intuito de frear a criminalidade”, afirma o chefe do 4º Departamento de Polícia Civil, José Walter da Mota Matos. Segundo ele, a corporação tem investigado todos os crimes de roubos que chegam a seu conhecimento, o que contribuiu para identificação dos criminosos e punição. O assessor de comunicação da 4ª Região de Polícia Militar, major Edmar Pires, informou que, visando coibir a prática do crime contra estabelecimentos comerciais, vem intensificando o patrulhamento nestes locais, seja com o emprego de viatura ou policiamento a pé. Ele também ressaltou que a PM ampliou a realização de operações de fiscalização a veículos de duas rodas, em particular as motocicletas.

* colaborou Michele Meireles

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