
Ponte de acesso ficou submersa
Casas alagadas, barro nas estradas e muita apreensão. Este foi o cenário vivido pelos habitantes do núcleo urbano de Caeté, no distrito de Sarandira, durante todo o dia desta sexta-feira (9). Por volta das 10h30, o rompimento de uma barragem em um sítio particular alagou parte da região, e a água invadiu propriedades e interditou acessos. O reservatório era utilizado para abastecimento próprio. De acordo com estimativa de técnicos da Defesa Civil, um volume de cerca de 30 milhões de litros deve ter vazado do local, o que seria suficiente para o consumo de duas mil famílias em um mês, conforme cálculo da Cesama. A Escola Municipal Doutor Pedro Marques teve que suspender as aulas do turno da tarde. O acidente provocou ainda a inundação de plantações, pomares, pastos e a dificuldade de chegada a alguns trechos de Caeté, que ficaram alagados, foram interditados ou tiveram as estradas cobertas por barro.
O vazamento causou impacto em áreas a dez quilômetros de distância do açude, com 300 metros de comprimento e 200 de largura, porque o volume desaguou em um córrego que atravessa toda a região. Foi o que aconteceu na casa de Maria Perpétua de Sá, onde a água chegou em cerca de 40 minutos, inundou o quintal e invadiu parte da casa. "Não deu tempo de tirar muita coisa. Perdi alguns móveis, e minha horta e meu pomar foram destruídos." Por outro lado, a distribuição da água no riacho impediu que a pressão causasse estragos maiores nas residências vizinhas ao sítio. Outro fator que evitou situação pior foi o fato de os terrenos vizinhos serem planos e em nível mais baixo do que a área central do núcleo urbano. Mesmo assim, houve pontos próximos em que água atingiu um volume superior a dois metros. A ponte que dá acesso à vizinhança onde fica o açude foi interditada, impedindo a circulação de veículos.
Segundo a Defesa Civil, a água atingiu cerca de dez casas, mas não houve vítimas ou desabrigados. Apesar disso, moradores relatam que o momento em que a estrutura cedeu foi assustador. "Só conseguia chorar quando vi aquele rio passando no terreno. Não sabíamos a proporção a que os estragos chegariam, mas a pressão da água dava medo", diz a aposentada Jussara de Castro, que é portadora de deficiência e tem dificuldade de locomoção. Na fazenda que pertence à sua família, uma oficina de marcenaria foi destruída.
Na residência da aposentada Laurenir do Paraíso, 90 anos, o córrego elevou tanto de nível que invadiu o quintal, e os animais se refugiaram em pontos mais altos. "Saí de casa por precaução, quando a água começou a entrar. Mas não perdi nada." Junto com ela, cerca de 20 pessoas aguardavam em um posto de saúde, orientados pela Defesa Civil a deixarem suas moradias. "Tirei os móveis que pude, porque o córrego subiu muito rápido e podia entrar lá", completa a dona de casa Dagmara Viana. "A água levou nossas bicicletas novas que estavam na varanda e tínhamos ganhado de presente adiantado de Natal", lamentam duas irmãs de 11 e 9 anos.
O superintendente da Agência de Gestão Ambiental de Juiz de Fora (Agenda JF), Aristóteles Faria, adiantou que, caso seja identificada a responsabilidade humana pelo rompimento da barragem, os proprietários poderão responder por crime ambiental. A pena prevista pela legislação varia entre advertência, multa (com valor a ser calculado) e até prisão. Ainda segundo Aristóteles, não há previsão para que um laudo técnico seja emitido já que é preciso que o nível da água reduza para que o estudo seja concluído.
Secretaria de Obras manterá equipes trabalhando na limpeza das ruas e reconstrução da ponte.
Defesa Civil em alerta para o final de semana
Até o fim da tarde de ontem, havia chovido, em Juiz de Fora, 22% do esperado para todo o mês de dezembro. De acordo com o especialista Claudemir de Azevedo, do 5º Distrito de Meteorologia, em Belo Horizonte, a média histórica para o período, na cidade, é de 277 milímetros, sendo que as precipitações somavam, até ontem, 61 milímetros. Apesar de os índices do mês estarem dentro da média, o volume de precipitação foi considerável na madrugada de sexta-feira, chegando a 23 milímetros. Entre 18h de quinta-feira e 18h de ontem, conforme a Defesa Civil, 17 ocorrências foram registradas, apenas com o chamado de Caeté como destaque. Os outros casos se referem a orientações técnicas. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o final de semana é de céu nublado, com pancadas de chuvas a qualquer momento. A temperatura deve variar entre 17 e 24 graus em Juiz de Fora.
Verão com La Niña
Ainda segundo Claudemir de Azevedo, o verão, próxima estação do ano, que tem início oficial dia 22 de dezembro, será marcado pela presença do fenômeno climatológico La Niña. Isso quer dizer que a cidade estará sobre incidência de temperaturas elevadas e muitas chuvas. "A previsão é que as fortes precipitações comecem neste final de semana. Inclusive emitimos um alerta para as defesas civis dos municípios da região."
* colaborou Eduardo Valente

