
A artesã juiz-forana, Susana de Almeida, já recebeu 380 unidades de doadores do Brasil e do exterior
Ana, Doutor Bolinha, Maristela e Pedrinho aguardam ansiosos para conhecer seus novos papais e mamães. Acontece que estes futuros “responsáveis” serão crianças carentes de Juiz de Fora que, no Natal deste ano, terão a oportunidade de ganhar bonecos e bonecas de pano, confeccionados por artesãos de todo o país e até do exterior. A campanha “Boneca de pano, criança feliz” é organizada pela empresária e artesã juiz-forana Susana Hastenrriter de Almeida, 51 anos, a partir do Facebook. Até esta semana, a iniciativa já havia arrecadado cerca de 380 brinquedos, mas a meta é chegar a mais de 800 até 10 de dezembro.
Susana conta que sempre teve carinho especial pelas bonecas de pano e, há alguns anos, alimentava o desejo de fazer uma campanha para permitir que crianças de baixa renda tivessem acesso a este tipo de brinquedo. “As bonecas de pano carregam calor humano. Despertam os sentimentos mais puros que uma criança pode ter”, afirma a artesã, que pretende entregar as doações em instituições que não recebem nenhum suporte financeiro. As bonecas arrecadadas custam, em média, de R$ 45 a R$ 50, mas há itens que são comercializados em ateliês especializados por até R$ 200.
A história da campanha no Facebook teve início em agosto deste ano, quando Susana começou a postar moldes e fotos de suas bonecas em um grupo na rede que reúne mais de 120 mil artesãos de todo o Brasil. Depois que as imagens postadas superaram a marca de mil curtidas e comentários, Susana percebeu que o projeto poderia dar certo. “Neste momento, surgiu a Dara, a mascote da campanha. Postei uma foto dela e muitas pessoas me pediram o molde. Então decidi lançar o desafio, oferecendo o molde em troca de uma boneca.”
Susana criou o grupo na rede social (www.facebook.com/groups/poramorjf) e, rapidamente, muitos artesãos pediram para serem adicionados. Atualmente, são cerca de 4.600 membros. Depois que as primeiras bonecas começaram a chegar em sua loja, um mês após a criação do grupo, Susana passou a produzir histórias sobre elas, que eram postadas junto com uma foto. “Isso motivou as pessoas para a campanha, pois ficavam curiosas com os textos. Percebi que elas não estavam interessadas em ganhar o molde, mas em ajudar as crianças.”
A artesã explica que todos os doadores foram catalogados, e as bonecas são fotografadas e postadas à medida em que ela redige os contos. “Isso me criou um problemão, pois não tenho tempo para escrever todas as histórias. Preciso divulgar o grupo, fazer as minhas bonecas, correr atrás de moldes, interagir com as pessoas. Por favor, doem histórias também”, brinca. Embora o contato com os artistas tenha vencido todos os tipos de fronteira, Susana lamenta a ausência de artesãos juiz-foranos na iniciativa. “Recebemos bonecas de municípios próximos, de outras regiões do país e até do Japão, mas nenhuma de nossa cidade.”
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Benefícios também para quem doa
Muitas pessoas descobrem seus talentos após passarem por algum tipo de trauma ou problema de saúde. “No artesanato, a pessoa expressa o que está sentindo. Quando conversamos com elas, percebemos que são sozinhas, mais velhas, que têm saudades dos filhos. Muitas têm até depressão e encontram na confecção de bonecas uma forma de suprir estes vazios,” conta a mentora da campanha, Susana Hastenrriter de Almeida.
O ofício de confeccionar bonecas surgiu na vida dela há oito anos, como forma de preencher o vazio deixado pela saída dos filhos de casa e pelo fim de um casamento de mais de duas décadas. “Além de enfrentar a chamada Síndrome do Ninho Vazio, fui diagnosticada com fibromialgia, que provoca dores por todo o corpo. Quando comecei a fazer as bonecas, tudo isso foi embora. O artesanato, para mim, é uma terapia.”
Hoje Susana está casada novamente, e é motivo de orgulho para o marido, o comerciante Pedro Mansoldo, 48. “É um sonho que ela conseguiu realizar, mesmo diante das dificuldades que teve. Vejo que o coração dela está jorrando de felicidade, pois tudo o que ela faz não é para ela, é para os outros, e isso a deixa muito tranquila.”
Para a artesã, poder realizar esta campanha já traz a sensação de dever cumprido. “É algo que está dentro de mim e que precisava nascer. O artesão é aquele que cria algo que está dentro dele, põe para fora e transforma a vida de alguém”, finaliza.

