Pacientes renais submetidos a hemodiálise pelo SUS estão sem um medicamento fundamental para evitar o desenvolvimento de quadros de anemia. O remédio em falta é a alfaepoetina eritropoetina humana recombinante, cuja distribuição é de responsabilidade do Governo estadual. O remédio é apresentado em ampolas de 2.000UI, 3.000UI e 4.000UI. As doses de 2.000UI e 3.000UI estão fora do estoque da Superintendência Regional de Saúde (SRS)há dois meses.
A esposa de Carlos Alberto Mendes precisa tomar o medicamento na dosagem de 3.000UI três vezes por semana mas, desde o início de agosto, está com dificuldades para obter as ampolas. Para não interromper o tratamento, estão sendo retiradas as 3.000UI que a mulher necessita de ampolas de 4.000UI. “Vai chegar uma hora que não vai ter o remédio de 4.000UI também.”
De acordo com o nefrologista Antônio Almas, do Centro de Tratamento de Doenças Renais, a entidade faz a receita e o paciente busca o medicamento na farmácia da SRS. Ele ainda informou que quando havia a ampola de 4.000UI, a própria farmácia fazia a adequação das doses. “Mas me parece que o estoque de 4.000UI também está no fim.”
Segundo ele, os pacientes renais em estado avançado desenvolvem anemia devido à perda da função do rim, responsável por produzir um hormônio regulador dos glóbulos vermelhos no sangue. Quando esse hormônio não é produzido, é feita a reposição com hormônios sintéticos. “Se o paciente para de tomar a medicação, volta a desenvolver anemia. Se baixar muito a produção do hormônio, pode ser necessário a transfusão de sangue, que é um risco, principalmente para os pacientes que estão na fila de espera por um transplante, pois reduz as chances de consegui-lo.”
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que “houve uma falta pontual do medicamento alfaepoetina de 2.000UI e 3.000UI na farmácia da Regional de Saúde Juiz de Fora”. A SES garantiu que o fornecimento será regularizado esta semana.
