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Caminhões sobrecarregam tráfego

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Entre 15h57 e 16h23 do dia 17 de setembro, foram flagrados quatro veículos de carga no local
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Entre 15h57 e 16h23 do dia 17 de setembro, foram flagrados quatro veículos de carga no local

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A passagem de caminhões dentro do Campus da UFJF agrava a sobrecarga no anel viário e contribui para piorar o já saturado tráfego entre a Zona Sul e a Cidade Alta. No intervalo de 26 minutos, entre 15h57 e 16h23 da terça-feira, 17 de setembro, a Tribuna flagrou quatro veículos de carga utilizando o local como passagem, apesar de placas de sinalização instaladas nos pórticos Norte e Sul informarem da proibição deste tipo uso do local. Nessa terça-feira (8), em menos de dez minutos, outros dois foram identificados no mesmo trajeto, desrespeitando regra do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com possibilidade de multa.

O problema ocorre, principalmente, pela falta de uma via alternativa que una a Zona Sul à Cidade Alta de Juiz de Fora. Os resultados são prejuízos incalculáveis, tanto para pedestres e a comunidade acadêmica, devido ao excesso de poluição sonora que atrapalha as aulas, como para moradores de bairros como São Pedro, Marilândia e Santos Dumont, e condomínios próximos que, sem opções, ficam reféns das constantes retenções causadas próximo aos portões da universidade. As situações de risco, porém, não são causadas apenas pelo intenso movimento dos veículos pesados.

Casos como esses reacendem a discussão sobre a necessidade de se criar um contorno viário no entorno da universidade, de forma que o trânsito interno seja pouco atrativo para aqueles que pretendem apenas transitar entre as regiões Sul e a Cidade Alta. Para que isso seja feito, no entanto, se faz necessário um estudo técnico de viabilidade para abertura de novas ruas naquela área, cujo edital ainda não foi publicado. Segundo o titular da Settra, Rodrigo Tortoriello, até o fim de outubro será entregue à Comissão Permanente de Licitação (CPL) da Prefeitura o termo de referência para lançamento do edital. Ele adianta que entre os estudos a serem desenvolvidos está a análise de uma área, já pré-estabelecida, para criação de um novo traçado e quais deverão ser suas características. "A empresa vai identificar se deverá ser uma pista simples ou dupla, especificar a largura da calçada e analisar a necessidade de remoção de postes de energia elétrica", disse Tortoriello. Ele adiantou que a Prefeitura, em parceria com a UFJF, identificou algumas possibilidades de traçados, que serão apresentados à firma contratada.

Para o professor do Departamento de Transportes da UFJF, Cézar Henrique Barra, esta solução está pronta. "O caminho já existe, antes do Pórtico Sul, seguindo em direção ao Dom Orione e Aeroporto, até o início da Avenida Presidente Costa e Silva. Eu moro no São Pedro e utilizo este traçado com frequência. Embora mais longo, ganho no tempo. O que precisa é melhorar a sinalização, mostrando aos condutores que não conhecem a região que existe esta rota."

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Trânsito prejudicado

Para uma moradora da região, que pediu para não ser identificada, os caminhões da UFJF atrapalham. "Se é proibido, deve ser respeitado. No horário de pico é pior, porque tumultua todo o trânsito no anel e no entorno, pois estes veículos não seguem a mesma velocidade de um carro." Conforme Barra, a presença destes dos caminhões ainda é pouco frequente. "Eu mesmo já vi seguranças da UFJF impedindo a passagem deles. Causa um transtorno enorme na hora, um verdadeiro caos, porque o tráfego fica todo parado, mas eles não entram e são obrigados a retornar. O problema mesmo é que o campus não deveria ser utilizado como é hoje. A comunidade acadêmica sofre dificuldades com este trânsito. Não há respeito."

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Infração punida com multa

O tráfego de veículos pesados no anel viário da UFJF, como flagrado pela reportagem, é considerado infração de trânsito. De acordo com a assessoria de imprensa da universidade, o condutor que insiste nesta prática desrespeita o artigo 231, incisivo IV, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). No documento, é informado que automóveis com "dimensões ou de sua carga superiores aos limites estabelecidos legalmente ou pela sinalização, sem autorização", cometem infração grave, com perda de cinco pontos na carteira, multa de R$ 127,69, e possibilidade de aplicação das medidas administrativas, como retenção do veículo.

Conforme o secretário de Segurança da UFJF, José Carlos Tostes, os guardas que ficam nos pórticos são orientados a impedir o tráfego destes caminhões, embora a Tribuna não tenha identificado esta atitude em nenhum dos flagrantes. O secretário explicou que cabe aos guardas pedirem a nota fiscal dos produtos para identificar a origem e o destino das cargas. A única exceção é para aqueles que atendem demandas da própria instituição de ensino. "O problema é que, eventualmente, pode ocorrer dos guardas saírem das guaritas para orientar alguns pedestres, atender alguma ocorrência no campus ou o telefone."

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Tostes explica que os empecilhos criados por esta infração vão além da poluição sonora gerada, pois por se tratar de veículos pesados, há desgaste prematuro da camada asfáltica. "Estamos cientes do problema e vamos fechar o cerco. Tivemos uma conversa com o pró-reitor de Infraestrutura (Paschoal Tonelli) e já estamos providenciando novas placas de sinalização, dentro do anel viário, para reforçar a proibição aos motoristas." Além desta iniciativa, Tostes disse que irá solicitar à Settra, formalmente, que sejam afixadas placas de sinalização vertical nas ruas, mostrando aos caminhoneiros quais as últimas saídas autorizadas ao trânsito de veículos com carga pesada antes dos pórticos Norte e Sul.

 

Binário não está descartado

Para tentar reduzir as retenções em direção ao Pórtico Norte, haverá a abertura de uma nova pista no sentido de saída, em direção ao Bairro São Pedro. A intervenção será realizada pela Prefeitura, com autorização da UFJF, já que parte do terreno federal deverá ser utilizada para que a obra possa ser executada. Segundo a subsecretária operacional de Transporte e Trânsito da Settra, Iza Machado, o setor de projetos da secretaria está realizando um estudo para verificar quais serão as necessidades para, em seguida, licitar a obra. Ela não descarta, também, a construção de um binário na região do São Pedro, como já foi defendido pela comunidade acadêmica. A proposta é que as ruas Costa e Silva e José Lourenço Kelmer funcionem com mão única de circulação. Desta maneira, o fluxo do portão Norte, em direção ao Bairro São Pedro, ocorreria apenas para a direita, no sentido Bairro/Centro. O caminho inverso seria feito pela Avenida Pedro Henrique Krambeck, paralela à BR-440.

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Na opinião do engenheiro especialista em trânsito e professor da UFJF, José Alberto Castañon, a construção de um binário surtiria efeito se fosse acompanhada de outras obras, como o próprio contorno do anel. Na administração passada, ele enviou à Settra um projeto sugerindo esta mudança, mas não obteve retorno. De acordo com Iza, o binário pode ser inserido após a realização de outras intervenções, como a abertura do Pórtico Norte e a construção do contorno viário. "Estamos cautelosos para fazer testes naquela região, porque é uma área muito complicada, e soluções pontuais não apresentam resultados. Precisamos de intervenções que garantam resultados, mesmo que sejam mais caras."

Ela também comentou o cruzamento entre o Pórtico Norte e as ruas Costa e Silva e José Lourenço Kelmer. No ano passado, um conjunto semafórico foi colocado no local para tentar controlar o tráfego de veículos. Mas a iniciativa trouxe graves retenções, de todos os sentidos, obrigando a secretaria a desativar os equipamentos e recolocar uma rotatória, que permanece na área até os dias atuais. Segundo Iza, a rotatória ainda é considerada provisória. Já Castañon garante que semáforo, do jeito que está, jamais irá funcionar. Com a abertura da nova pista no portão Norte, ele sugere que haja melhorias na sinalização (e a permanência da rotatória) com objetivo de priorizar o fluxo de saída, no sentido anel viário – bairro.

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