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Tráfico toma ruas, praças e prédios desocupados

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Construção ocupada por usuários de crack
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Construção ocupada por usuários de crack

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O consumo e a venda de drogas nos espaços públicos e em áreas particulares abandonadas incomodam moradores que se sentem acuados pelo tráfico. Em alguns bairros de Juiz de Fora, espaços que antes eram ocupados por famílias, hoje são dominados pelo comércio ilegal. A Tribuna, que já havia observado esta movimentação no Parque Halfeld, em agosto, esteve em outros locais e constatou que a ação de usuários de tóxicos e traficantes está cada vez mais ousada. A venda, em alguns locais, ocorre a poucos metros de escolas e unidades policiais. No Bairro Vitorino Braga, região Sudeste, por exemplo, as negociações acontecem na Praça Senador Teotônio Vilela e em ruas adjacentes, como a Avenida Garibaldi Campinhos, principalmente entre as ruas Vitorino Braga e Benjamin Constant. A venda de drogas é feita no entorno de residências, do comércio movimentado e a poucos metros de duas escolas e da sede da 135ª Companhia da Polícia Militar. Logo no primeiro dia em que a reportagem esteve na região, foi possível ver pelo menos três pessoas comprando o que supostamente seria droga. Entre fazer chegar o invólucro às mãos do usuário e receber o dinheiro pela venda, a ação dura poucos segundos, tempo suficiente para que moradores e comerciantes da região percebam o comércio e até identifiquem a função de cada envolvido na negociação.

"Um dia, quando (os traficantes) viram a viatura da polícia com o giroflex ligado, na esquina da Avenida Garibaldi Campinhos com a Rua Vitorino Braga, um dos camaradas deu a droga para um menino, que colocou o material na boca. Depois que os policiais passaram, o garoto tirou a droga da boca e devolveu para o homem", conta um morador.

Na noite da segunda-feira, dia 29 de agosto, a Tribuna voltou à Praça Senador Teotônio Vilela e constatou que o patrulhamento dos policiais não intimida o comércio ilegal. Na ocasião, homens da PM haviam acabado de fazer uma batida policial, que, segundo os moradores, afastou, por alguns minutos, os traficantes. No entanto, quando a reportagem chegou à praça, logo depois, um homem ofereceu "pó de 20", possível referência à cocaína e ao valor cobrado pela droga. "Eu não tenho aqui agora, porque os caras já foram embora."

Segundo um morador da área, a organização do grupo é tamanha que a boca de fumo em via pública conta com chefe, soldados e olheiros, funções típicas do tráfico de drogas. "Se nós sabemos quem é quem, como a polícia não sabe?", questiona uma comerciante. "Parece que eles (os traficantes) estão querendo mandar no bairro inteiro", resume a funcionária de um estabelecimento. Outro morador revela a rotina dos marginais: "De segunda a sexta, o tráfico se intensifica a partir das 18h. Aos sábados e domingos, é o dia inteiro, inclusive no horário da feira livre da Avenida Brasil", conta. Na última semana de agosto, a polícia montou uma base móvel na praça. "Depois das 23h, os policiais foram embora, e os traficantes voltaram. A movimentação foi grande, pois eles tiveram que correr atrás do prejuízo", completa.

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Clima de insegurança no Fábrica

No Bairro Fábrica, na Zona Norte, o que incomoda moradores e comerciantes é um conjunto habitacional abandonado, na Rua Euclides Souza Lima, frequentado diariamente por usuários de droga. O cenário se assemelha muito aos de filme de suspense. Muito lixo, fezes humanas, esgoto correndo a céu aberto e latas de alumínio usadas para fumar o crack são vistos por todos os cômodos da pequena vila, cujas janelas, portas e paredes estão destruídas pela falta de manutenção. Segundo a vizinhança, o prédio é particular, mas a falta de portões nos dois acessos às residências permite a livre entrada de usuários de droga durante o dia inteiro.

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Se, antes, os usuários de crack eram vistos em menor quantidade e, de certa forma, não chegavam a causar intranquilidade aos moradores e comerciantes, agora a situação é mais grave. A quantidade de pessoas consumindo drogas na área teria aumentado, assim como a relação deles com a população local ficado mais tensa. Além da própria insegurança, a vizinhança teme pela desvalorização imobiliária. Em menos de três meses, moradores e comerciantes de um pequeno raio ao redor da passarela já foram vítimas de furtos e roubos. Eles acreditam que os crimes tenham sido cometidos para que os objetos levados pudessem ser trocados por crack. "Eu passei a dormir dentro da loja e coloquei alarme", diz a dona de um estabelecimento de roupas assaltado recentemente, cujo prejuízo chegou a R$ 5 mil. Já um funcionário de uma borracharia teve a bicicleta furtada há poucas semanas. Na Rua Euclides Souza Lima, um carro foi arrombado, e os ladrões levaram o aparelho de som recentemente. No primeiro dia em que a Tribuna visitou o local, em 26 de agosto, um hidrômetro de uma casa na Rua Bernardo Mascarenhas havia sido furtado. "Ficamos com medo, pois não sabemos o que essas pessoas são capazes de fazer para conseguir dinheiro para comprar o crack", teme um comerciante.

Na segunda vez em que a reportagem foi ao conjunto habitacional abandonado, encontramos um jovem de 25 anos, que se apresentou como morador de rua. Há três semanas, ele dorme e passa parte do dia num quarto no segundo andar de uma das residências desocupadas. "Não uso drogas. Procuro um canto só meu, justamente para não ter problemas com os outros que usam. Você pode olhar lá onde eu durmo que você não vai encontrar droga", argumentou.

Segurando um balde cheio de água, que seria usada para o banho, o jovem de roupas sujas e rasgadas reclama das ameaças que, segundo ele, sofre dos moradores e até de policiais militares, incomodados com a presença de pessoas no local abandonado. "Se estamos aqui não é porque a gente quer."

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Bem em frente à entrada do imóvel, mais problemas. Segundo moradores, a base da passarela que liga o Bairro Fábrica ao Terminal Rodoviário Miguel Mansur também é utilizada pelos usuários de droga. "Outro dia, por volta das 23h, tive que pedir para alguns rapazes se retirarem e fumarem em outro local", conta um morador. Com medo, pedestres evitam passar pelo trecho. "Eu preciso pegar o ônibus na Rua Coronel Vidal, então a passarela encurta bastante o caminho, mas sempre evito passar sobre ela", diz uma estudante.

 

PM diz que ações são constantes

Com relação aos atos infracionais identificados no Bairro Fábrica, na Zona Norte, o capitão da PM Rubens Valério de Souza, comandante da 173ª Companhia, disse que os policias têm realizado operações constantes naquela área com o objetivo de coibir a ação dos traficantes. "Há dois dias prendemos, por meio de mandado expedido pela Justiça, um homem suspeito de ser um dos fornecedores de entorpecentes para aqueles usuários. Entendemos que este é um problema de saúde pública, mas algumas abordagens são realizadas para coibir as irregularidades."

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Perguntado sobre os furtos e roubos que têm acontecido naquela rua, capitão Rubens afirma são atos cometidos pelos usuários de crack, mas reforça a necessidade de identificar e prender os traficantes. Ele também falou da importância de denunciar os atos ilícitos por meio do 181, o disque-denúncia unificado, pelo qual a pessoa não precisa se identificar.

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